domingo, 10 de julho de 2016

INDULGÊNCIA

Veja no site:

http://www.acasadoespiritismo.com.br/temas/indulgencia.htm

INDULGÊNCIA
BIBLIOGRAFIA
01- A agonia das religiões - pág. 29 02 - Encontro de paz - pág. 85(21)
03 - Estude e viva- pág. 188 04 - Estudos Espíritas - pág. 107
05 - Luz da esperança - pág. 58 06 - O Espírito da Verdade - pág. 25, 187, 231
07 - O Evangelho Segundo o Espiritismo - cap. X, 16 08 - O exilado - pág. 194
09 - O Livro dos Espíritos - q 660, 886,888,903,916 10 - O martírio dos suicidas- pág. 162
11 - Religião dos Espíritos - pág. 207 12 - Revista espírita - 1863 - pág. 126
13 - Rumos libertadores - pág. 86 14 - Sexo e Evolução - pág. 89
15 - Indulgência - pág. 14 16 - Plantão da paz - pág. 18
17 - Trevo de idéias 18 - Florações Evangélicas - pág. 211
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INDULGÊNCIA – COMPILAÇÃO

OBSERVAÇÃO: NO ESPIRITISMO A PALAVRA QUE MELHOR REPRESENTA A "INDULGÊNCIA" É A "TOLERÂNCIA".

01 - A AGONIA DAS RELIGIÕES - J. HERCULANO PIRES - PÁG. 29

(..)O problema da religião no Espiritismo tem provocado discussões e controvérsias infindáveis, porque essa doutrina não se apresenta como religião no sentido comum do termo. Allan Kardec, discípulo de Pestalozzi, adotava a posição de seu mestre no tocante à classificação das religiões. Pestalozzi admitia a existência de três tipos de religião: a animal ou primitiva, a social e a espiritual. Mas recusava-se a chamar esta última de religião, dando-lhe a designação de moralidade. Isso porque a religião superior ou espiritual, segundo ele, só era professada individualmente pela criatura que superava o ser social e desenvolvia em si o ser moral. Kardec recusou-se a falar em Religião Espírita, sustentando que o Espiritismo é doutrina científica e filosófica, de consequências morais. Mas deu a essas consequências enorme importância ao considerar o Espiritismo como desenvolvimento histórico do Cristianismo, destinado a restabelecer a verdade dos princípios cristãos, deformados pelo processo natural de sincretismo-religioso que originou as igrejas cristãs.
Essa posição espírita manteve a doutrina e o movimento doutrinário em posição marginal no campo religioso. Para os espíritas, entretanto, a posição da doutrina não é marginal, mas superior, pois o Espiritismo representaria o cumprimento da profecia evangélica da Religião em espírito e verdade, que se desenvolveria sob a égide do próprio Cristo. A religião espírita não se organizou em forma de igreja, não admite sacramentos nem admitiu nenhuma forma de autoridade religiosa de tipo sacerdotal. Não há batismo, nem casamento religioso no Espiritismo, nem confissões ou indulgências. Todos esses formalismos são considerados como de origem pagã e judaica. Entende-se o batismo como rito de iniciação, que Jesus substituiu pelo batismo do espírito, sendo este considerado como a iniciação no conhecimento doutrinário, feita naturalmente pelo estudo da doutrina, sem nenhum ato ritual. Admite-se também que o batismo do espírito, segundo o texto do Livro de Atos dos Apóstolos sobre a visita de Pedro à casa do centurião Cornélius, no porto de Jope, pode completar-se, nos médiuns, quando se verifica espontaneamente, com o desenvolvimento da mediunidade.
Essa posição espírita no campo religioso causou numerosas dificuldades aos espíritas no tocante às relações de instituições doutrinárias com os poderes oficiais, particularmente para a declaração de religião em documentos oficiais, para o resguardo dos direitos escolares em face do ensino religioso, para a declaração de religião nos recenseamentos da população, até que medidas oficiais reconheceram esses direitos.

03 - ESTUDE E VIVA- EMMANUEL E ANDRÉ LUIZ - PÁG. 188 - ÍTEM 33 - Perdão e nós


Habitualmente, consideramos a necessidade do perdão apenas quando alvejados por ofensas de caráter público, no intercurso das quais recebemos tantos testemunhos de solidariedade, na esfera dos amigos, que nos demoramos hipnotizados pelas manifestações afetivas, a deixar-nos em mérito duvidoso . A ciência do perdão, todavia, tão indispensável ao equilíbrio, quanto o ar é imprescindível à existência, começa na compreensão e na bondade, perante os diminutos pesares do mundo íntimo. Não apenas desculpar todos os prejuízos e desvantagens, insultos e desconsiderações maiores que nos atinjam a pessoa, mas suportar com paciência e esquecer completamente, mesmo nos comentários mais simples, todas as pequeninas injustiças do cotidiano, como sejam:

- a observação maliciosa; - a referência pejorativa; - o apelo sem resposta; - a gentileza recusada; - o benefício esquecido; - o gesto áspero; - a voz agressiva; - a palavra impensada; - o sorriso escarnecedor; - o apontamento irônico; - a indiscrição comprometedora; - o conceito deprimente; - a acusação injusta; - a exigência descabida; - a omissão injustificável; - o comentário maledicente; - a desfeita inesperada; - o menosprezo em família; - a preterição sob qualquer aspecto; - o recado impiedoso... Não nos iludamos em matérias de indulgência.

Perdão não é recurso tão-somente aplicável nas grandes dores morais, à feição do traje a rigor, unicamente usado em horas de cerimônia. Todos somos suscetíveis de erro e, por isso mesmo, perdão é serviço de todo instante, mas, assim como o compositor não obtêm a sinfonia sem passar pelo solfejo, o perdão não existe, de nossa parte, ante os agravos grandes, se não aprendemos a relevar as indelicadezas pequenas.
Resignação e resistência: De fato, há que se estudar a resignação para que a paciência não venha a trazer resultados contraproducentes . Um lavrador suportará corajosamente aguaceiro e granizo na plantação, mas não se acomodará com gafanhoto e tiririca. Habitualmente, falamos em tolerância como quem procura esconderijo à própria ociosidade. Se nos refestelamos em conforto e vantagens imediatas, no império da materialidade passageira, que nos importam desconforto e desvantagens para os outros ? Esquecemo-nos de que o incêndio vizinho é ameaça de fogo em nossa casa e, de imprevisto, irrompem chamas junto de nós, comprometendo-nos a segurança e fulminando-nos a ilusória tranquilidade . Todos necessitamos ajustar a resignação no lugar certo.

Se a Lei nos apresenta um desastre inevitável, não é justo nos desmantelemos em gritaria e inconformação. É preciso decisão para tomar os remanescentes e reentretecê-los para o bem, no tear da vida. Se as circunstâncias revelam a incursão do tifo, não é compreensível cruzar os braços e deixar campo livre aos bacilos. Sempre aconselhável a revisão de nossas atitudes no setor da conformidade. Como reagimos diante do sofrimento e diante do mal? Se aceitamos penúria, detestando trabalho, nossa pobreza resulta de compulsório merecimento. Civilização significa trabalho contínuo contra a barbárie. Higiene expressa atividade infinitamente repetida contra a imundície.

Nos domínios da alma, todas as conquistas do ser, no rumo da sublimação, pedem harmonia com ação persistente para que se preservem. Paz pronta ao alarme. Construção do bem com dispositivo de segurança. Serenidade é constância operosa; esperança é ideal com serviço. Ninguém cultive resignação diante do mal declarado e removível, sob pena de agravá-lo e sofrer-lhe a clava mortífera. Estudemos resignação em Jesus-Cristo. A cruz do Mestre não é um símbolo de apassivamento à frente da astúcia e da crueldade e sim mensagem de resistência contra a mentira e a criminalidade mascaradas de religião, num protesto firme que perdura até hoje.

04 - ESTUDOS ESPÍRITAS - JOANNA DE ÂNGELIS - ÍTEM 13- PÁG. 107

TOLERÂNCIA: Conceito — A indulgência, a condescendência em relação a outrem, seja de referência às suas opiniões ou comportamento, ao direito de crer no que lhe aprouver, pautando as suas atitudes nas linhas que lhe pareçam mais compatíveis ao modo de ser, desde que não firam os sentimentos alheios, nem atentem contra as regras da dignidade humana ou do Estado, constitui a tolerância. Apanágio das almas nobres, medra em clima de elevada cultura e de sentimentos superiores, espraiando-se nas comunidades onde o progresso forja a dignidade e combate o obscurantismo, a tolerância é medida de enobrecimento a revelar valores morais e ascendência espiritual. Onde quer que um homem ou um povo lute pelas expressões da liberdade e da verdade, logo a tolerância se faz o florete com que esgrime na defesa das suas aspirações. Enfloresce no estóico e frutesce no santo. Sempre que triunfa, ao seu lado fenecem o fanatismo e a perseguição de qualquer matiz, ensejando campo para o entendimento pacífico, no qual os homens se revelam sem peias coarctadoras, sucumbindo sob os escombros das manobras infelizes que promovem.

Nem sempre compreendida, porque adversária da tirania e opositora da prepotência, é malevolamente confundida com a indiferença ou a cobardia moral. Supõem-na, os árbitros da arrogância, como acomodação conivente ou submissão servil, contra o que se rebelam, por exigirem subserviência total e desfalecimento das aspirações nobres naqueles que os devem atender. A tolerância, porém, jamais conive; antes oferece-se aos que a estimam e a exercitam com altos critérios de renovação íntima, paciência, humildade e coragem. Não se impondo, expõe com perseverança e conquista pela lógica da razão, auxiliando no amadurecimento do interlocutor ou do adversário que se lhe opõe, sem azedume ou precipitação. A muitos compraz vencer, esmagar, sobressair, embora os métodos infelizes impetrados e os ódios gerados. E vencer é tarefa de fácil consecução, desde que se pretenda triunfar sobre os outros. Multiplicam-se métodos da hediondez e da pusilanimidade, desde os que destroem o corpo aos que dilaceram a alma.

A urgente tarefa a que todos se devem atirar é a de vencer-se a si mesmo, sublimando as más tendências e mantendo vitória sobre as inclinações negativas e as paixões subalternas do espírito enfermo. A tolerância, pela argumentação em que se firma, convence quanto à necessidade de respeitar-se e amar-se, concedendo-se ao próximo o direito de fruir e experimentar tudo quanto se deseja para si próprio. Manifesta-se invariavelmente como boa disposição, mesmo em relação às idéias e pessoas que não são gradas. Acima da conivência, expressa segurança de opinião e firmeza de proceder.
Considerações — Raramente a História revela a presença da tolerância nos seus fastos. Sempre dominou a imposição política, filosófica e religiosa, através da qual pequenas minorias tidas como privilegiadas exigiram total subordinação aos seus postulados, raramente salutares ou benéficos para a coletividade. A seu turno, a intolerância, que se alia à covardia, foi a grande fomentadora de mártires e supliciados, nos múltiplos setores da vida, fazendo que irrigassem com o seu sangue as plântulas dos formosos ideais de que se fizeram apóstolos. No que se refere ao tolerantismo, a predominância da Igreja Católica, na Europa Meridional, durante toda a Idade Média, se impunha, impedindo qualquer liberdade de culto e exigindo ao poder civil a aplicação de medidas legais aos que considerava heréticos, culminando, normalmente, tais conchavos, na punição capital da vítima.

Com a Reforma surgiram os pródromos de um tolerantismo por parte do Estado, que desapareceria ao irromper das imposições do Protestantismo, repetindo os mesmos erros do Clero romano, no que redundaram a Contra-reforma e as lamentáveis guerras de religião dos séculos XVI e XVII, cujos lampejos infelizes vezes que outras reacendem labaredas destruidoras. A John Locke, o pai do Empirismo, deve-se a Carta sobre a Tolerância, iniciada em 1689, através da qual muitos pensadores se insurgiram, seguindo-lhe o exemplo, contra a ortodoxia religiosa. Posteriormente os enciclopedistas se rebelaram, preconizando o tolerantismo a nascer e fomentar a tríade que serviria de base para a Revolução Francesa de 1789, que, no entanto, descambou, igualmente, para a intolerância, a perseguição e os crimes contra os "direitos humanos", apesar de os haver gerado na madre dos ideais eloquentes das horas primeiras.

O século XIX dilatou o conceito da tolerância, embora as lutas de opinião entre liberais e conservadores que, em controvérsias contínuas, pugnavam, os primeiros, pelo respeito às opiniões alheias, e os segundos, pela obediência como respeito às idéias políticas e religiosas predominantes. A pouco e pouco, à medida que o homem emerge da ignorância e sonha com o Infinito que o abraça, a tolerância atende-lhe a sede de crescimento e a ânsia de evolução.
Conclusão — Havendo surgido a Codificação do Espiritismo no meado do século XIX, quando a Religião Católica, em França, fazia parte do Estado e se impunha dominadora, os Espíritos Excelsos, pontificando nas leis de amor, fizeram que Allan Kardec estabelecesse como um dos postulados relevantes a tolerância, na qual a caridade haure sua limpidez e grandeza para ser a virtude por excelência. Tolerância, pois, sempre, porquanto, através dos seus ensinos, a fraternidade distende braços, enlaçando cordialmente toda a família humana.
ESTUDO E MEDITAÇÃO: "Que se deve pensar dos que abusam da superioridade de suas posições sociais, para, em proveito próprio, oprimir os fracos "Merecem anátema! Ai deles! Serão, a seu turno, oprimidos: renascerão numa existência em que terão de sofrer tudo o que tiverem feito sofrer aos outros." (O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, questão 807.)
"Sustentai os fortes: animai-os à perseverança. Fortalecei os fracos, mostrando-lhes a bondade de Deus,que leva em conta o menor arrependimento; mostrai a todos o anjo da penitência estendendo suas brancas asas sobre as faltas dos humanos e velando-as assim aos olhares daquele que não pode tolerar o que é impuro. Compreendei todos a misericórdia infinita de vosso Pai e não esqueçais nunca de lhe dizer, pelos pensamentos, mas, sobretudo, pelos atos: "Perdoai as nossas ofensas, como perdoamos aos que nos hão ofendido." Compreendei bem o valor destas sublimes palavras, nas quais não somente a letra é admirável, mas principalmente o ensino que ela veste." (O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec, cap. X, item 17.)

06 - O ESPÍRITO DA VERDADE - ESPÍRITOS DIVERSOS - PÁG. 25, 187, 231

DEUS TE ABENÇOE - Cap. X — Item 16: Logo após fundar o Lar "Anália Franco", na cidade de São Manuel, no Estado de São Paulo, viu-se D. Clélia Rocha em sérias dificuldades para mantê-lo. Tentando angariar fundos de socorro, a abnegada senhora conduzia crianças, aqui e ali, em singelas atividades artísticas. Acordava almas. Comovia corações. E sustentava o laborioso período inicial da obra. Desembarcando, certa noite, em pequena cidade, foi alvo de injusta manifestação antiespírita. Apupos. Gritaria. Condenações. D. Clélia, com o auxílio de pessoas bondosas, protege as crianças. Em meio à confusão, vê que um moço robusto se aproxima e, marcando-lhe a cabeça, atira-lhe uma pedra. O golpe é violento. O sangue escorre. Mas a operosa servidora do bem procede como quem desconhece o agressor. Medica-se depois. Há espíritas devotados que surgem. D. Clélia demora-se por mais de uma semana, orando e servindo.

Acabava de atender a um doente em casa particular, quando entra senhora aflitíssima. É mãe. Tem o filho acamado com meningite e pede-lhe auxílio espiritual. D. Clélia não vacila. Corre ao encontro do enfermo e, surpreendida, encontra nele o jovem que a ferira. Febre alta. Inconsciência. A missionária desdobra-se em desvelo. Passes. Vigílias. Orações. Enfermagem carinhosa. Ao fim de seis dias, o doente está salvo. Reconhece-a envergonhado e, quando a sós, beija-lhe respeitosamente as mãos e pergunta: — A senhora me perdoa? Ela, contudo, disse apenas, com brandura: — Deus te abençoe, meu filho. Mas o exemplo não ficou sem fruto, porque o moço recuperado fez-se valoroso militante da Doutrina Espírita e, ainda hoje, onde se encontra é denodado batalhador do Evangelho.
Hilário Silva.

HISTÓRIA DE UM PÃO - Cap. XIII — Item 15: Quando Barsabás, o tirano, demandou o reino da morte, buscou debalde reintegrar-se no grande palácio que lhe servira de residência. A viúva, alegando infinita mágoa, desfizera-se da moradia, vendendo-lhe os adornos. Viu ele, então, baixelas e candelabros, telas e jarrões, tapetes e perfumes, jóias e relíquias, sob o martelo do leiloeiro, enquanto os filhos querelavam no tribunal, disputando a melhor parte da herança. Ninguém lhe lembrava o nome, desde que não fosse para reclamar o ouro e a prata que doara a mordomos distintos. E porque na memória de semelhantes amigos ele não passava, agora, de sombra, tentou o interesse afetivo de companheiros outros da infância...Todavia, entre estes encontrou simplesmente a recordação dos próprios atos de malquerença e de usura.

Barsabás entregou-se às lágrimas, de tal modo, que a sombra lhe embargou, por fim, a visão, arrojando-o nas trevas...Vagueou por muito tempo no nevoeiro, entre vozes acusadoras, até que um dia aprendeu a pedir na oração, e, como se a rogativa lhe servisse de bússola, embora caminhasse às escuras, eis que, de súbito, se lhe extingue a cegueira e ele vê, diante de seus passos, um santuário sublime, faiscante de luzes. Milhões de estrelas e pétalas fulgurantes povoavam-no em todas as direções. Barsabás, sem perceber, alcançara a Casa das Preces de Louvor, nas faixas inferiores do firmamento. Não obstante deslumbrado, chorou, impulsivo, ante o ministro espiritual que velava no pórtico. Após ouvi-lo, generoso, o funcionário angélico falou, sereno:

— Barsabás, cada fragmento luminoso que contemplas é uma prece de gratidão que subiu da Terra...— Ai de mim — soluçou o desventurado — eu jamais fiz o bem...— Em verdade — prosseguiu o informante — trazes contigo, em grandes sinais, o pranto e o sangue dos doentes e das viúvas, dos velhinhos e órfãos indefesos que despojaste, nos teus dias de invigilância e de crueldade; entretanto, tens aqui, em teu crédito, uma oração de louvor. .. E apontou-lhe acanhada estrela que brilhava à feição de pequeno disco solar.— Há trinta e dois anos — disse, ainda, o instrutor— deste um pão a uma criança e essa criança te agradeceu, em prece ao Senhor da Vida. Chorando de alegria e consultando velhas lembranças, Barsabás perguntou: — Jonakim, o enjeitado? — Sim, ele mesmo — confirmou o missionário divino.

— Segue a claridade do pão que deste, um dia, por amor, e livrar-te-ás, em definitivo, do sofrimento nas trevas. E Barsabás acompanhou o tênue raio do tênue fulgor que se desprendia daquela gota estelar, mas, ao invés de elevar-se às Alturas, encontrou-se numa carpintaria humilde da própria Terra. Um homem calejado aí refletia, manobrando a enxó em pesado lenho...Era Jonakim, aos quarenta de idade. Como se estivessem os dois identificados no doce fio de luz, Barsabás abraçou-se a ele, qual viajante abatido, de volta ao calor do lar. Decorrido um ano, Jonakim, o carpinteiro, ostentava, sorridente, nos braços, mais um filhinho, cujos louros cabelos emolduravam belos olhos azuis. Com a bênção de um pão dado a um menino triste, por espírito de amor puro, conquistara Barsabás, nas Leis Eternas, o prêmio de renascer para redimir-se. Irmão X

A REIVINDICAÇÃO - Gap. X — Item 17: Há muito aspirava Saturnino Peixoto ao interesse de algum homem público para favorecê-lo na abertura de certa estrada. Para isso, conversou, estudou, argumentou... Concluiu, por fim, que a pessoa indicada seria o deputado Otaviano, recém-eleito, homem ao qual se referiam todos da melhor maneira, pela atenção e carinho com que se dedicava à solução dos problemas da extensa região que representava. Depois de ouvir o escrivão da cidade, Saturnino redigiu longa carta-memorial, minudenciando a reivindicação. E ficou aguardando a resposta. Correram dias, semanas, meses. Nenhum aviso. Revoltado, Saturnino começou a exprobrar a conduta política do deputado que nem sequer lhe respondera à carta.

Sempre que se lembrava do assunto, criticava o político, censurando-o acremente, a envolver todos os homens públicos em condenação desabrida. Nada valiam ponderações da companheira, D. Estefânia, espírita convicta, que lhe pedia perdoar e esquecer. Transcorreram três anos, até que a solicitação caducou. Saturnino, obrigado a desistir da idéia, guardou, contudo, profundo ressentimento do legislador que terminava o mandato. Certo dia, porém, revolvia os guardados de velha prateleira no escritório, quando encontrou, surpreendido, entre livros e papéis relegados à traça, o memorial que escrevera ao deputado, dentro de envelope sobrescritado, selado e recoberto de pó. Saturnino se esquecera de enviar a carta...Hilário Silva

62 INDULGÊNCIA - Cap. X — Item 16
A luz da alegria deve ser o facho continuamente aceso na atmosfera da experiência. Circunstâncias diversas e principalmente as da indisciplina podem alterar o clima de paz, em redor de nós, e dentre elas se destaca a palavra impensada, como forja de incompreensão, a instalar entrechoques.

Daí o nosso dever básico de vigiar a nós mesmos na conversação, ampliando os recursos de entendimento nos ouvidos alheios. Sejamos indulgentes. Se erramos, roguemos perdão. Se outros erraram, perdoemos. O mal que desejarmos para alguém, hoje, suscitará o mal para nós, amanhã.

A mágoa não tem razão justa e o perdão anula os problemas, diminuindo complicações e perdas de tempo. E assim que a espontaneidade no bem estabelece a caridade real. Quem não reconhece as próprias imperfeições demonstra incoerência em si mesmo.

Quem perdoa, desconhece o remorso. Ódio é fogo invisível na consciência. O erro, por isso, não pede aversão, mas, entendimento. Erro nosso, requer a bondade alheia; erro de outrem, reclama a nossa clemência.

A Humanidade dispensa quem a censure, mas necessita de quem a estime. E, ante o erro, debalde se multiplicam justificações e razões. Antes de tudo, é preciso restaurar o trabalho em andamento, porque o retorno à tarefa é a consequência inevitável de toda fuga ao dever.

Quanto mais conhecemos a nós mesmos, mais amplo em nós o imperativo de perdoar. Aprendamos com o Evangelho, a fonte inexaurível da Verdade. Você, amostra da Grande Prole de Deus, carece do amparo de todos e todos lhe solicitam amparo.

Saiba, pois, refletir o mundo em torno, recordando que se o espelho, inerte e frio, retrata todos os aspectos dignos e indignos à sua volta, o pintor, consciente e respeitável, buscando criar atividade superior, somente exterioriza na pureza da tela os ângulos nobres e construtivos da vida.
ANDRÉ Luiz

07 - O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO - ALLAN KARDEC - CAP. X, 16; CAP. XIII, 15

CAPÍTULO X, ÍTEM 16 - A INDULGÊNCIA, PÁG. 134: A INDULGÊNCIA: JOSÉ - Espírito protetor, Bordeaux, 1863
16. Espíritas, queremos hoje falar-vos da indulgência, esse sentimento tão doce, tão fraternal, que todo homem deve ter para com os seus irmãos, mas que tão poucos praticam. A indulgência não vê os defeitos alheios, se os vê, evita comentá-los e divulgá-los. Oculta-os, pelo contrário, evitando que Se propaguem, e se a malevolência os descobre, tem sempre uma exculpa à mão para os disfarçar, mas uma desculpa plausível, séria, e não daquelas que, fingindo atenuar a falta, a fazem ressaltar com pérfida astúcia. A indulgência jamais se preocupa com os maus atos alheios, a menos que seja para prestar um serviço, mas ainda assim com o cuidado de os atenuar tanto quanto possível. Não faz observações chocantes, nem traz censuras nos lábios, mas apenas conselhos, quase sempre velados. Quando criticais, que dedução se deve tirar das vossas palavras? A de que vós, que censurais, não praticastes o que condenais, e valeis mais do que o culpado. Ó homens! Quando passareis a julgar os vossos próprios corações, os vossos próprios pensamentos e os vossos próprios atos, sem vos ocupardes do que fazem os vossos irmãos? Quando fitareis os vossos olhos severos somente sobre vós mesmos? Sede, pois, severos convosco e indulgentes para com os outros. Pensai n'Aquele que julga em última instância, que vê os secretos pensamentos de cada coração, e que, em consequência, desculpa frequentemente as faltas que condenais, ou condena as que desculpais, porque conhece o móvel de todas as ações. Pensai que vós, que clamais tão alto: "Anátema!" talvez tenhais cometido faltas mais graves. Sede indulgentes, meus amigos, porque a indulgência atrai, acalma, corrige, enquanto o rigor desalenta, afasta e irrita.

JOÃO - Bispo de Bordeaux, 1862: 17. Sede indulgentes para as faltas alheias, quaisquer que sejam; não julgueis com severidade senão as vossas próprias ações, e o Senhor usará de indulgência para convosco, como usastes para com os outros. Sustentai os fortes: estimulai-os à perseverança; fortificai os fracos, mostrando-lhes a bondade de Deus, que leva em conta o menor arrependimento; mostrai a todos o anjo da contrição, estendendo suas brancas asas sobre as faltas humanas, e assim ocultando-as aos olhos daqueles que não podem ver o que é impuro. Compreendei toda a misericórdia infinita de vosso Pai, e nunca vos esqueçais de lhe dizer em pensamento, mas sobretudo pelas vossas ações: "Perdoai as nossas ofensas, como perdoamos aos nossos ofensores." Compreendei bem o valor destas sublimes palavras; pois não são admiráveis apenas pela letra, mas também pelo espírito que elas encerram.

Que solicitais ao Senhor quando lhe pedis perdão? Somente o esquecimento de vossas faltas? Esquecimento que nada vos deixa pois se Deus se contentasse de esquecer as vossas faltas, não vos puniria, mas também não vos recompensaria. A recompensa não pode ser pelo bem que não se fez, e menos ainda pelo mal que se tenha feito, mesmo que esse mal fosse esquecido. Pedindo perdão para as vossas transgressões, pedis o favor de sua graça, para não cairdes de novo, e a força necessária para entrardes numa nova senda, numa senda de submissão e de amor, na qual podereis juntar a reparação ao arrependimento. Quando perdoardes aos vossos irmãos, não vos contenteis com estender o véu do esquecimento sobre as suas faltas.

Esse véu é quase sempre muito transparente aos vossos olhos. Acrescentai o amor ao vosso perdão, fazendo por eles o que pedis a vosso Pai Celeste que faça por vós. Substituí a cólera que mancha, pelo amor que purifica, Pregai pelo exemplo essa caridade ativa, infatigável, que Jesus vos ensinou. Pregai-a como Ele mesmo o fez por todo o tempo em que viveu na Terra, visível para os olhos do corpo, e como ainda prega, sem cessar, depois que se fez visível apenas para os olhos do espírito. Segui esse divino modelo, marchai sobre as suas pegadas: elas vos conduzirão ao refúgio onde encontrareis o descanso após a luta. Como Ele, tomai a vossa cruz e subi penosamente, mas corajosamente, o vosso calvário: no seu cume está a glorificação.

DUFÉTRE Bispo de Nevers, Bordeaux: 18. Queridos amigos, sede severos para vós mesmos e indulgentes para as fraquezas alheias. Essa é também uma forma de praticar a santa caridade, que bem poucos observam. Todos vós tendes más tendências a vencer, defeitos a corrigir, hábitos a modificar. Todos vós tendes um fardo mais ou menos pesado que alijar, para subir ao cume da montanha do progresso. Por que, pois, ser tão clarividentes quando se trata do próximo, e tão cegos quando se trata de vós mesmos? Quando deixareis de notar, no olho de vosso irmão, um argueiro que o fere, sem perceber a trave que vos cega e vos faz caminhar de queda em queda? Crede nos Espíritos, vossos irmãos. Todo homem, bastante orgulhoso para se julgar superior, em virtudes e méritos, aos seus irmãos encarnados, é insensato e culpado, e Deus o castigará, no dia da sua justiça. O verdadeiro caráter da caridade é a modéstia e a humildade, e consiste em não se verem superficialmente os defeitos alheios, mas em se procurar destacar o que há de bom e virtuoso no próximo.

Porque, se o coração humano é um abismo de corrupção, existem sempre, nos seus mais ocultos refolhos, os germes de alguns bons sentimentos, centelhas ardentes da essência espiritual. Espiritismo, Doutrina consoladora e bendita, felizes os que te conhecem e empregam proveitosamente os salutares ensinos dos Espíritos do Senhor! Para esses, o ensino é claro, e ao longo de todo o caminho eles podem ler estas palavras, que lhes indicam a maneira de atingir o alvo: caridade prática, caridade para o próximo como para si mesmo. Em uma palavra, caridade para com todos e amor de Deus sobre todas as coisas, porque o amor de Deus resume todos os deveres, e porque é impossível amar a Deus sem praticar a caridade, da qual Ele faz uma lei para todas as criaturas.

09 - O LIVRO DOS ESPÍRITOS - ALLAN KARDEC, QUESTÕES: 660, 886, 888, 903, 918, 947, 1009, CONCL. VII

Perg. 660. A prece torna o homem melhor? - Sim, porque aquele que faz preces com fervor e confiança se torna mais forte contra as tentações do mal, e Deus lhe envia bons Espíritos para o assistir. É um socorro jamais recusado, quando o pedimos com sinceridade.
Perg. 66a. Como se explica que certas pessoas que oram muito sejam, apesar disso, de muito mau caráter, ciumentas, invejosas, implicantes, carentes de benevolência e de indulgência? Que sejam até mesmo viciosas? - O essencial não é orar muito, mas orar bem. Essas pessoas julgam que todo o mérito está na extensão da prece e fecham os olhos para os seus próprios defeitos. A prece é para elas uma ocupação, um emprego do tempo, mas não um estudo de si mesmas. Não é o remédio que é ineficaz, neste caso, mas a maneira de aplicá-lo.
Perg. 886. Qual é o verdadeiro sentido da palavra "caridade", como a entende Jesus? - Benevolência para com todos, INDULGÊNCIA para com as imperfeições alheias, perdão das ofensas.

Perg. 888. Que pensar da esmola? - O homem reduzido a pedir esmolas se degrada moral e fisicamente: se embrutece. Numa sociedade baseada na lei de Deus e na justiça, deve-se prover a vida do fraco sem humilhação para ele. Deve-se assegurar a existência dos que não podem trabalhar, sem deixá-los à mercê do acaso e da boa vontade.
Perg. 903. Há culpa em estudar os defeitos alheios? - Se é com o fito de criticar e divulgar, há muita culpa, porque isso é faltar com a caridade. Se é com intenção de proveito pessoal, para evitar aqueles defeitos, pode ser útil. Mas não se deve esquecer que a INDULGÊNCIA para com os defeitos alheios é uma das virtudes compreendidas na caridade. Antes de censurar as imperfeições dos outros, vede se não podem fazer o mesmo a vosso respeito. Tratai, pois, de possuir as qualidades contrárias aos defeitos que criticais nos outros. Esse é um meio de vos tornardes superior. Se os censurais por serem avarentos sede generosos; por serem orgulhosos, sede humildes e modestos; por serem duros, sede dóceis; por agirem com mesquinhez, sede grandes em todas as vossas ações. Em uma palavra, fazei de maneira que não vos possam aplicar aquelas palavras de Jesus: "Vede um argueiro no olho do vizinho e não vedes uma trave no vosso".

Perg. 918. Por que sinais se pode reconhecer no homem o progresso real que deve elevar o seu Espírito na hierarquia espírita? — O Espírito prova a sua elevação quando todos os atos da sua vida corpórea constituem a prática da lei de Deus e quando compreende por antecipação a vida espiritual. O verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de justiça, : amor e de caridade na sua mais completa pureza. Se interroga sua consciência sobre os atos praticados, perguntará se não violou essa lei, : não cometeu nenhum mal, se fez todo o bem que podia, se ninguém vê de se queixar dele, enfim, se fez para os outros tudo o que gostaria ie os outros lhe fizessem. O homem possuído pelo sentimento de caridade e de amor ao próximo faz o bem pelo bem, sem esperança de recompensa, e sacrifica seu interesse pela justiça. Ele é bom, humano e benevolente para com todos, porque vê mãos em todos os homens, sem exceção de raças ou de crenças. Se Deus lhe deu o poder e a riqueza, olha essas coisas como um depósito do qual deve usar para o bem, e disso não se envaidece porque ibe que Deus, que lhas deu, também poderá retirá-las. Se a ordem social colocou homens sob a sua dependência, trata-os com bondade e benevolência porque são iguais perante Deus; usa de sua autoridade para lhes erguer a moral e não para os esmagar com o seu orgulho. É indulgente para com as fraquezas dos outros, porque sabe que ele esmo tem necessidade de indulgência e se recorda destas palavras do risto: "Que aquele que estiver sem pecado atire a primeira pedra".

Perg. 947. O homem que se vê às voltas com a necessidade e se deixa morrer de desespero pode ser considerado como suicida? - É um suicida, mas os que causaram o suicídio ou que o poderiam impedir são os mais culpáveis que ele, a quem a INDULGÊNCIA espera. Não acrediteis, porém, que seja inteiramente absolvido se lhe faltou a firmeza e a perseverança e se não fez uso de toda a sua inteligência para sair das dificuldades. Infeliz dele, sobretudo, se o seu desespero é filho do orgulho; quero dizer, se é desses homens em quem o orgulho paralisa os recursos da inteligência e que se envergonhariam se tivessem de dever a existência ao trabalho das próprias mãos, preferindo morrer de fome a descer do que chamam a sua posição social! Não há cem vezes mais grandeza e dignidade em lutar contra a adversidade, em enfrentar a crítica de um mundo fútil e egoísta, que tem boa vontade para aqueles a quem nada falta, e que vos volta as costas quando dele necessitais? Sacrificar a vida à consideração desse mundo é uma coisa estúpida, porque ele não se importará com isso.

Perg. 1009. Segundo isso, as penas impostas jamais seriam eternas?— Consultai o vosso bom senso, a vossa razão e perguntai se uma condenação perpétua, em consequência de alguns momentos de erro, não seria a negação da bondade de Deus. Que é, com efeito, a duração da vida, mesmo que seja de cem anos, em relação à eternidade? Eternidade! Compreendeis bem essa palavra? Sofrimento, torturas sem fim e sem esperança, apenas por algumas faltas! Não repugna ao vosso próprio critério semelhante pensamento? Que os antigos tivessem visto contradição em se lhe atribuir a bondade infinita e a vingança compreende-se; na sua ignorância emprestaram à divindade as paixões dos homens. Mas não é esse o Deus dos cristãos, que coloca o amor, a caridade, a misericórdia, o esquecimento das ofensas no plano das primeiras virtudes; poderia Ele mesmo não ter as qualidades que exige como um dever? Não há contradição em se lhe atribuir a bondade infinita e a vingança infinita? Dizeis que antes de tudo Ele é justo e que o homem não compreende a sua justiça. Mas a justiça não exclui a bondade e Deus não seria bom se destinasse às penas horríveis e perpétuas a maioria de suas criaturas. Poderia fazer da justiça uma obrigação para os seus filhos, se não lhes desse os meios de compreender? Aliás, não é sublime a justiça unida à bondade, que faz a duração das penas depender dos esforços do culpado para se melhorar? Nisto se encontra a verdade do preceito: "A cada um segundo as suas obras".

11 - RELIGIÃO DOS ESPÍRITOS - EMMANUEL -CAMPANHA NA CAMPANHA - PÁG. 207

Reunião pública de 23-10-59: Questão n° 886: «Campanha», além de outros significados na sinonímica, pode também figuradamente expressar «esforço para conseguir alguma coisa». Possuímos, desse modo, campanhas múltiplas no terreno da solidariedade, como simples dever; todas, porém, rogando a campanha da indulgência, no âmago de si mesmas. Ouçamos, assim, o que nos diz semelhante campanha íntima. • Ajuda a construir o templo de tua fé, mas não creias que os outros devam crer conforme crês. Ergue um lar que recolha os infortunados da via pública; entretanto, não expulses do coração as vítimas do mal, para que o mal não as aniquile. Agasalha a epiderme desnuda do companheiro; todavia, não exponhas a vida do próximo às rajadas mortíferas da censura. Estende o prato reconfortante ao faminto; contudo, não te falte apoio moral para os sedentos de compreensão. Presta serviço aos irmãos do caminho, mas não lhes cobres favores especiais. • Realmente, em quaisquer campanhas de redenção, não te despreocupes da campanha da indulgência na campanha a que te afeições.

Traze a cadeira de rodas à necessidade do paralítico; no entanto, não deixes de levantar os caídos em desapreço. Indulgência exprime «entendimento» e «entendimento» quer dizer «simpatia fraterna». Protege os obsidiados como puderes, mas desculpa incondicionalmente os amigos perturbados da própria rota, quando te compliquem a experiência. Dá remédio aos enfermos; entretanto, não negues algum bálsamo de esperança aos corações tombados no vício. Ampara a criança menosprezada; contudo, não a escravizes à tua exigência. Promove a pregação da virtude; no entanto, atende ao culto incessante da gentileza para com todos, começando da própria casa. Jesus, entre os homens, partilhou campanhas diversas, inclusive aquelas do amor pelos inimigos e da oração pelos que perseguem e caluniam. Entretanto, fosse na tolerância aos sarcasmos da rua ou no perdão aos ingratos, em momento algum se esqueceu da própria consagração à campanha da bênção.

15 - INDULGÊNCIA - EMMANUEL - PÁG. 14

Concedeu-te o Senhor: O berço em que nasceste. O ar em que respiras. O lar que te abençoa. O sol que te ilumina. O corpo em que estagias. O passo equilibrado. A escola que te auxilia. A lição que te acolhe. O amigo que te ampara. O pão que te alimenta. A fonte que te acalma. A ação que te renova. A fé que te sustenta. O afeto que te nutre. A flor que te consola. A estrela que te inspira. A idéia e o sentimento. A bondade e a alegria. O trabalho e o repouso. A oração e a esperança. Ante a Eterna Indulgência, Com que o Céu te acompanha. Sê também complacente, E usa a misericórdia, Para que a Paz Divina, Permaneça contigo, À maneira de luz, Que te guarde hoje e sempre. Ainda que tudo te pareça na atualidade terrestre, sombra e derrota, cadeia e desalento, ergue a Deus o teu coração em forma de prece e roga-lhe forças para fazer luz e confiança onde a treva e o desespero dominam, porque se ontem foi o tempo de nossa morte na queda, hoje é o dia de nossa abençoada ressurreição.

As almas, no fundo, são semelhantes às plantas no campo imenso da vida. Repara, desse modo, o que produzes. Corações isolados na sensibilidade egoística, receando dissabores no relacionamento com o próximo, parecem cardos amargosos na terra seca. Verbos maledicentes que encontram motivo para a crítica destruidora, nos menores acontecimentos de cada dia, simbolizam a urtiga brava, sempre disposta a ferir.

Inteligências ruidosas na reiterada exposição de nobres ideais que nunca realizam, lembram arbustos ricos de folhagens, que jamais se confiam à frutescência. Companheiros ociosos e entediados da luta humana, em fuga das elevadas obrigações que o mundo lhes assinala, oferecem pontos de contato com o cipó absorvente que, enlaçado a outras plantas, lhes suga a vitalidade e lhes furta a existência.

Almas em sofrimento constante que sabem cultivar a fé e a esperança, ofertando a quem passa os melhores testemunhos de amor e coragem são roseiras abençoadas, produzindo flores de paz e alegria, sobre os espinheiros terrestres. Espíritos generosos e amigos, que buscam a intimidade com a luz da compreensão e do serviço, apresentam similaridade com as copas opulentas, sempre habilitadas a socorrer quem lhe procura o regaço acolhedor, com a sombra refrigerante ou com o fruto nutriente.

Irmãos prestimosos parecem valiosas plantas medicinais, cuja essência consegue curar inquietações e feridas. Espíritos benevolentes e sábios, no apoio incessante à Humanidade, surgem por troncos veneráveis, de que o homem retira a madeira de lei para o lar que lhe serve de berço e templo, escola e moradia. Observa o que fazes. Por tuas demonstrações e exemplos no recanto em que o Senhor te situou, o mundo conhecer-te-á, de perto, e abençoará ou corrigirá tua vida.

16 - PLANTÃO DA PAZ. - EMMANUEL - PÁG. 18

TOLERÂNCIA

Tolerância é caminho de paz. Não julgues esse ou aquele companheiro ignorante ou desinformado, porquanto, se aprendeste a ouvir, já sabes compreender. Diante de criaturas que te enderecem qualquer agressão, conversa com naturalidade, sem palavras de revide que possam desapontar o interlocutor.

Perante qualquer ofensa, não percas o sorriso fraternal e articula alguma frase, capaz de devolver o ofensor à tranquilidade. Nos empecilhos da existência, tolera os obstáculos sem rebeldia e eles se te farão facilmente removíveis. No serviço profissional, suporta com paciência o colega difícil, e, aos poucos, em te observando a calma e a prudência, ele mesmo transformará para melhor as próprias disposições.

Em família, tolera os parentes menos simpáticos e, com os teus exemplos de abnegação, conquistarás de todos, eles a bênção da simpatia. No trânsito público, não passes recibo aos palavrões que alguém te dirija e evitarás discussões de consequências imprevisíveis.

Nos aborrecimentos e provações que te surgem, a cada dia, suporta com humildade as ocorrências suscetíveis de ferir-te, e a tolerância se te fará a trilha de acesso à felicidade, de vez que aceitarás todos os companheiros do mundo na condição de filhos de Deus e nossos próprios irmãos.

17 - TREVO DE IDÉIAS - EMMANUEL - PÁG. 71

TOLERÂNCIA

O trabalho edifica. A solidariedade aperfeiçoa. A tolerância eleva. Trabalhando, melhoraremos a nós mesmos. Solidarizando-nos, enriqueceremos o mundo. Tolerando-nos engrandeceremos a vida.

Para trabalhar, com êxito, é necessário obedecer a lei. Para solidarizar-nos, com proveito, é indispensável compreender o bem e cultivá-lo. Para tolerar-nos, em sentido construtivo, é imprescindível amar.

Em vista disso, o Mestre dos Mestres, há quase dois milênios, afirmou para o mundo: "Meu Pai trabalha, até hoje, e eu trabalho também". Estarei convosco até o fim dos séculos. Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei". Solidarizemo-nos, beneficiando. Toleremo-nos, amando sempre.

Vinculada aos fundamentos da Verdade, a sublime trilogia de Allan Kardec é plataforma permanente, em nossos círculos doutrinários, constituindo lema substancial que não pode empalidecer.

18 - FLORAÇÕES EVANGÉLICAS - JOANNA DE ÂNGELIS - PÁG. 211

TOLERÂNCIA E FRATERNIDADE

O ser querido desertou do lar, vencido pela fragilidade das forças ainda impregnadas de alta dose de animalidade; todavia, acusa-te, fazendo-te responsável pela sua fuga. Sê tolerante e conserva-te fraterno em relação ao evadido. O amigo dedicado de ontem não deseja mais a tua lealdade e sai, arremetendo diatribes que te maceram. Sustenta a tolerância e mantém a fraternidade pensando nele.

O beneficiário da tua bondade, navegando em situação de bonança, esquece as tuas dádivas e faz-se soberbo, masinando o teu nome. Acautela-te na tolerância e reserva-lhe a fraternidade. A tuas palavras de advertência, tocadas no mais nobre desejo de acertar, são agora transformadas por antigos comparsas que se fizeram teus adversários, em açoutes que te alcançam. Continua tolerante e dissemina a fraternidade.

Os convidados pela tua lição de sacrifício a participarem do banquete de luz e vida do Evangelho, apontam-te mil débitos, e sofres. Porfia na tolerância e trabalha pela fraternidade. Divulgas o bem por amor do bem, tentanto viver o bem que fazes disso, não faltam as agressões ao bem que fazes e desafios por parte daqueles que supões beneficiar.

Confia na tolerância e aciona a fraternidade... Tolerância e fraternidade sempre. Em toda e qualquer circunstância essas duas armas cristãs, da "não-violência", pode operar milagres. Talvez aqueles a quem as ofertas, recusem-na momentaneamente, todavia, ser-te-ão benéficas utilizá-las, já que elas restaurarão tua paz, se a perdeste, ou manterão tua tranquilidade, se a conservas.

"Bem-aventurado aquele que sofre a tentação porque, quando for aprovado receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que O amam" - conforme ensinou o apóstolo Tiago, na sua Epístola universal, Capítulo um, versículo doze. A tentação, por isso mesmo, possui as suas raízes no cerne daquele que é tentado, e como é natural, reponta frequentamente, ensejando-lhe a nobre batalha da própria redenção.

Viajores de muitas experiências malogradas, somos a soma das nossas dívidas em operação de resgate. Cada ensejo depurador é bênção impostergável. Ora, se alguém nos fere ou magoa, nos acusa ou abandona, com fundamentos injusto, tentando nossa fraqueza ao revide ou à deserção do combate, mantenhamos tolerância para com ele - o instrumento inconsciente da Lei - e sejamos fraternos, facultando-lhe retornar com a certeza de ser recebido pelo nosso coração.

A sombra é geratriz de equívocos como o erro é matriz de tormentos íntimos naquele que o pratica. A punição mais severa, portanto, para o transviado é o despertar da consciência, hoje ou amanhã. Jesus convocou-nos ao amor incondicional e ao perdão das ofensas, e Allan Kardec, o discípulo fiel, na tríade que formulou, situou a tolerância como uma das bases da felicidade humana, sendo a fraternidade, dessa forma, o espelho onde se pode refletir a alma do amor, em todas as circunstâncias e lugares.

Tolerância e fraternidade, como roteiros para a harmonia que buscamos, são lições vivas de entendimento humano, nos deveres que esposamos à luz do Cristianismo Redivivo.

Pois o filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos. Marcos: 10-45.

O homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus. Cap. XVII - ítem 3.

LEMBRETE:

1° - É a indulgência a expressão de um sentimento delicadíssimo de reta justiça (...). (...) A indulgência é, portanto, uma dívida de amor, que toda criatura humana precisa satisfazer todas as vezes que se encontre diante de irmãos seus que incorram em delito, falta ou defeito. Angel Aguarod

2° - A indulgência, portanto, não consiste em fechar os olhos ante as faltas do próximo, para não as ver; mas, em reconhecer essas faltas, para colocar sobre elas um sudário de piedade, impregnado de amor. (...) a indulgência é filha da bondade e a bondade exige em todas as ocasiões que a criatura faça o bem ao seu semelhante (...) Angel Aguarod

3° - (...) a indulgência é um sentimento doce que faz esquecer as faltas e os defeitos do nosso próximo (...) Manoel P. Miranda

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