terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A CANDEIA DEBAIXO DO ALQUEIRE

REFLEXÕES ESPÍRITAS -  – PORQUE JESUS FALAVA POR PARÁBOLAS



TEMA: O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, de Allan Kardec – A CANDEIA DEBAIXO DO ALQUEIRE – PORQUE JESUS FALAVA POR PARÁBOLAS – Capítulo XXIV – itens 1 a 7
 




JESUS
 com a máxima “Não coloqueis a candeia sob o alqueire mas no velador” faz alusão a nossa obrigação de sermos divulgadores do bem e da verdade, não ocultando os benefícios que os conhecimentos espirituais já nos trazem à existência.
 

A
 melhor DIVULGAÇÃO que possamos oferecer aos semelhantes da mudança que o ESPIRITISMO e o EVANGELHO provocam em nossas vidas, não vem das palavras fáceis que despejamos... mas sim daATITUDE RENOVADA PELO BEM que saibamos demonstrar em cada gesto, em cada ação.
 

ELEVAR A CANDEIA
 é exatamente usar o nosso melhor a cada dia, fazendo com que nossa conduta reta, pensar reto, agir retamente, faça modificações ao nosso redor, EXEMPLIFICANDO na prática o que já sabemos.
 Muitas vezes nós espíritas confundimos ESPIRITUALIZAÇÃOcom doutrinação que aborrece, com verborragia improdutiva ou pregação desrespeitosa. Uma das características do ESPIRITISMO é exatamente a de que ele é UNIVERSALISTA, capaz de abraçar todos os povos, crenças e sentimentos religiosos sob os seus postulados de renovação para a vida imortal. 

É
 por isso que nos ambientes espíritas encontramos pessoas de todos os credos e religiões, que embora nos diferenciemos num e noutro postulado, se reunem sob o imperativo do BEM e da Regra Áurea de todos os tempos, sintetizada por Jesus no mandamento: Amai-vos uns aos outros!
 

E
m seu tempo JESUS, o pedagogo excelente utilizava-se do recurso da parábola a fim de transmitir seus ensinamentos espirituais aos homens. Quando falava ao pescador, falava do mar e dos peixes, ao lavrados da Semente e da vinha, ao homem comum da moeda perdia e do credor... Para cada um tinha o recurso adequado a fim de gravar indelevelmente nas almas os seus ensinamentos.
 

S
e o primeiro significado de cada parábola aprecia evidente, à medida que o homem se aprofunda em maturidade, ele apreende novas nuanças e matizes dessas realidades, e hoje temos estudos de psicologia profunda baseados nessas parábolas que revelam a cada faixa de entendimento algo de útil e bom.
 

E
lucida Allan Kardec: “Jesus só se exprimiu em parábolas sobre as questões, de alguma maneira abstrata, da sua doutrina. Mas, tendo feito da caridade e da humildade a condição expressa da salvação, tudo o que disse a esse respeito é perfeitamente claro, explícito e sem nenhuma ambigüidade. Assim, devia ser, porque se tratava de regra de conduta, regra que todos deviam compreender, para poderem observar”
 

“O
 Espiritismo vem atualmente lançar a sua luz sobre uma porção de pontos obscuros, mas não o faz inconsideravelmente. Os Espíritos procedem, nas suas instruções, com admirável prudência. É sucessiva e gradualmente que eles têm abordado as diversas partes já conhecidas da doutrina, e é assim que as demais partes serão reveladas no futuro, à medida que chegue o momento de fazê-las sair da obscuridade”. Continua ensinando Allan Kardec no trecho em análise.
 

P
ercebemos assim que nossa compreensão da espiritualidade também evolui com o tempo e o desenvolvimento da razão e dos sentimentos. Assim, DEUS em sua sabedoria infinita nos possibilita conforme nosso grau de entendimento aprender algo de bom que nos eleve na escala evolutiva, cada vez mais conquistando sabedoria e amor – as duas asas que nos levarão à perfeição.
 

A
 Doutrina Espírita – diz Kardec – propõe a “Pedagogia da Maturidade” reconhecendo em cada homem e mulher um ser divino em idade espiritual específica e que requer conhecimentos e exercícios peculiares à sua capacidade de compreensão. A Providência Divina em seus perfeitos mecanismos de ação encarrega-se de possibilitar a cada um o “mal e o remédio” adequados para seu crescimento, suprindo as necessidades espirituais de todos conforme seu adiantamento.
 

“A
s gerações passam também pela infância, pela juventude e pela madureza. Cada coisa deve vir a seu tempo, pois a sementeira lançada a terra, fora de tempo, não produz. Mas aquilo que a prudência manda calar momentaneamente, cedo ou tarde deve ser descoberto, porque chegando a certo grau de desenvolvimento, os homens procuram por si mesmos a luz viva; a obscuridade lhes pesa” - assim, a Doutrina dos Espíritos tem se revelado progressiva, descortinando conhecimentos na medida de nossa capacidade de apreensão.
 

T
razendo essas considerações para nosso cotidiano, podemos nos situar exatamente na condição daqueles que já entenderam a teoria da proposta do Cristo Jesus – AMAI-VOS UNS AOS OUTROS – mas nos demoramos timidamente na simples apreciação da beleza e perfeição desse princípio sem a coragem necessária para colocá-lo em PRÁTICA!
 COLOCAR A LEI DO AMOR EM PRÁTICA custa muito caro ao espírito, porque ele precisa se desvencilhar de pesados fardos a que se apega, preservando em sua bagagem pesos inúteis que o bom sendo já demonstra que devem ser descartados: EGOISMO, ORGULHO, VAIDADE... 

O
s grandes adversários da LUZ DO CONHECIMENTO ESPIRITUAL APLICADO são esses comparsas, responsáveis pelo atraso da humanidade na violência, no crime, na indiferença, na guerra e no desamor.


É
 preciso então que para que façamos brilhar a LUZ DA VERDADE o mais alto possível em nossas vidas, clareando ao nosso redor, façamos primeiramente LUZ INTERIOR, dissipando as trevas da ignorância desses monstros (EGOISMO, ORGULHO, VAIDADE) fazendo claridade... 

D
e início tímida e vacilante, mas com o combustível da boa vontade e do desejo de progresso, em breve um clarão irradiante de amor.
 

A
bandonar o orgulho humano, aquele que não “leva desaforo pra casa” é um ato de coragem admirável. O mundo cobra em seus valores perecíveis e transitórios que tenhamos sucesso, que sejamos arrogantes, que enfrentemos a “batalha da vida” como guerreiros vulgares que se matam uns aos outros na busca de brilhos ilusórios. 


O
 AMOR e a CARIDADE, porém, acendem luz imortal, não no sucesso transitório e efêmero da terra, mas na conquista de AFETO IMORTAL para nossa alma que viverá para sempre, mostrando que o gesto de humildade de hoje é o tesouro de alegrias do futuro, aquele que “o ladrão não consegue roubar...”
 

D
estruir o EGOÍSMO em nós é a real valentia de espírito, porque a sociedade enlouquecida nos ensina a CUIDAR PRIMEIRO DE NOSSOS INTERESSES PESSOAIS e nos esquecermos dos outros... Já a lição do Cristo é inequívoca: Ele ensina que devemos dar de nós mesmos até o que nos faça falta em favor do semelhante, reconhecendo em cada irmão a presença de DEUS a ser reverenciado e amado através daFRATERNIDADE PURA.
 

O ESPIRITISMO
 para erradicação do EGOÍSMO em nós oferece em suas frentes de trabalhos diversas atividades altruísticas que com um bocado de boa vontade fazem germinar a generosidade em nós s
ão creches a procura de educadores, asilos esperando a moeda e o remédio, instituições carentes de operosidade e Grupos de uma diversidade sem fim de gêneros que se dedicam à alegria pura de amar, servir, consolar e ensinar para transformar a Terra no Lar-Escola abençoado de nossa redenção. 

D
ominar a VAIDADE que carregamos no desejo de parecermos ser melhores do que somos, de ostentar qualidades que não possuímos ou poderes ainda não conquistados é um grande passo na direção do AMOR VIVENCIADO... porque despreocupados da aparência social e satisfeitos com o que REALEMNTE SOMOS criamos um espaço de LIBERDADE E PRAZER de amar sem medo e vergonha que nunca sentimos antes.
 

É
 que a VAIDADE nos deixa sempre dependente das opiniões alheias, esmolando aprovação e elogios, consideração e apreço que estão distantes de serem reais, pois são frutos do artificialismo de nossos enganos... Sendo você mesmo como é, autêntico em suas possibilidades e desejos de perfeição, um horizonte de progresso para a alma se descortina revelando a nós mesmos que somo BELAS CRIATURAS FILHAS DE DEUS e por isso mesmo dignas de nosso mais legítimo AUTO-AMOR.
 

N
ão nos faltam convites à semeadura do bem em nós mesmos, à prática legítima do amor que somente admiramos na teoria... Vamos à luta. Dentro de casa tantas vezes há alguém carente de sua compreensão. Sedento da água viva de sua amizade. Faminto de Perdão. Doente de abandono ou desprotegido pela inexperiência. EXEMPLIFIQUEMOS O BEM AMANDO O PRÓXIMO MAIS PRÓXIMO QUE NOS DIVIDE O TETO E A EXISTÊNCIA.


U
m dia, o milagre do amor que praticamos hoje – inicialmente tímido e indeciso, mais tarde desinteressado e altruístico – mais tarde se revelará para nossa surpresa a fonte perene de felicidade, iluminando a todos os que amamos pelos milagres da LUZ DO CRISTO que saibamos irradiar de nossos corações.
 

A
inda hoje, olhe ao redor, há algo a fazer, há um coração que precisa de nós, um telefone, uma mensagem, um gesto pode significar uma fagulha de luz na treva de solidão de uma alma... 

F
açamos o bem e o bem nos fará muito bem.


Trechos em estudo de O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO:


1 –
 Nem os que acendem uma luzerna a metem debaixo do alqueire, mas põem-na sobre o candeeiro, a fim de que ela dê luz a todos os que estão na casa. (Mateus, V: 15).
 
2 –
 Ninguém, pois, acende uma luzerna e a cobre com alguma vasilha, ou a põe debaixo da cama; põe-na, sim, sobre um candeeiro, para que vejam a luz os que entram. Porque não há coisa encoberta, que não haja de ser manifestada; nem escondida, que não haja de saber-se e fazer-se pública. (Lucas, VIII: 16-17).
 
3 –
 E chegando-se a ele os discípulos lhe disseram: Por que razão lhes falas tu por parábola? Ele, respondendo, lhes disse: Porque a vós outro vos é dado saber os mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não lhes é concedido. Porque ao que tem, se lhe dará, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado. Por isso é que eu lhes falo em parábolas; porque eles vendo, não vêem, e ouvindo não ouvem, nem entendem. De sorte que neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Vós ouvireis com os ouvidos, e não escutareis; e olhareis com os olhos, e não vereis. Porque o coração deste povo se fez pesado, e os seus ouvidos se fizeram tardos, e eles fecharam os seus olhos; para não suceder que vejam com os olhos, e ouçam com os ouvidos, e entendam no coração, e se convertam, e eu os sare. (Mateus, XIII: 10-15)
 
4 –
 Causa estranheza ouvir Jesus dizer que não se deve por a luz debaixo do alqueire, ao mesmo tempo em que esconde a toda hora o sentido das suas palavras sob o véu da alegoria, que nem todos podem compreender. Ele se explica, entretanto, dizendo aos apóstolos: Eu lhes falo em parábolas, porque eles não estão em condições de compreender certas coisas; eles vêem, olham, ouvem e não compreendem; assim, dizer-lhes tudo, ao menos agora seria inútil; mas a vós o digo, porque já vos é dado compreender esses mistérios. Ele procedia, portanto, para com o povo, como se faz com as crianças, cujas idéias ainda não se encontram desenvolvidas. Dessa maneira, indica-nos o verdadeiro sentido da máxima: “Não se deve por a candeia debaixo do alqueire, mas sobre o candeeiro, a fim de que todos os que entram possam vê-la”. Ela não diz que tenhamos de revelar inconsideravelmente todas as coisas, pois, todo ensinamento deve ser proporcional à inteligência de quem o recebe, e porque há pessoas que uma luz muito viva pode ofuscar sem esclarecer.
 Acontece com os homens, em geral, o mesmo que com os indivíduos. As gerações passam também pela infância, pela juventude e pela madureza. Cada coisa deve vir a seu tempo, pois a sementeira lançada a terra, fora de tempo, não produz. Mas aquilo que a prudência manda calar momentaneamente, cedo ou tarde deve ser descoberto, porque chegando a certo grau de desenvolvimento, os homens procuram por si mesmos a luz viva; a obscuridade lhes pesa. Como Deus lhes deu a inteligência para compreenderem e se guiarem, entre as coisas da Terra e do céu, eles querem racionalizar a sua fé. É então que não se deve por a candeia debaixo do alqueire, pois sem a luz da razão, a fé se enfraquece. (Ver cap. XIX, nº 7). 
5 – 
Se a Providência, portanto, na sua prudente sabedoria, não revela a verdade senão gradualmente, é que a vai sempre desvelando, à medida que a Humanidade amadurece para recebê-la. Ela mantém a luz em reserva, e não debaixo do alqueire. Mas os homens que a possuem, em geral, só a ocultam do vulgo com a intenção de dominá-lo. São esses os que põem verdadeiramente a luz debaixo do alqueire. É assim que todas as religiões sempre tiveram os seus mistérios, cujo exame proíbem. Mas enquanto essas religiões se atrasavam, a ciência e a inteligência avançaram e romperam o véu misterioso. O povo que se tornou adulto pode assim penetrar o fundo das coisas, e então rejeitou na sua fé o que se mostrava contrário à observação. 
Não podem substituir mistérios absolutos nesse terreno, e Jesus está com a razão quando afirma que não há nada secreto que não deva ser conhecido. Tudo o que está oculto será descoberto um dia, e o que o homem ainda não pode compreender sobre a Terra, lhe será progressivamente revelado nos mundos mais adiantados, na proporção em que ele se purificar. Aqui na Terra, ainda se perde no nevoeiro. 
6 – 
Pergunta-se que proveito o povo poderia tirar dessa infinidade de parábolas,cujo sentido estava oculto para ele. Deve notar-se que Jesus só se exprimiu em parábolas sobre as questões, de alguma maneira abstrata, da sua doutrina. Mas, tendo feito da caridade e da humildade a condição expressa da salvação, tudo o que disse a esse respeito é perfeitamente claro, explícito e sem nenhuma ambigüidade. Assim, devia ser, porque se tratava de regra de conduta, regra que todos deviam compreender, para poderem observar. Era isso o essencial para a multidão ignorante, à qual se limitava a dizer: Eis o que é necessário para se ganhar o Reino dos Céus. Sobre outras questões, só desenvolvia os seus pensamentos para os discípulos. Estando eles mais adiantado, moral e intelectualmente, Jesus podia iniciá-los nos princípios mais abstratos. Foi por isso que disse: Ao que já tem, ainda mais se dará, e terá em abundância. (Ver cap. XVIII, nº 15).
 Não obstante, mesmo com os apóstolos, tratou de modo vago sobre muitos pontos, cuja inteligência completa estava reservada aos tempos futuros. Foram esses os pontos que deram lugar a diversas interpretações, até que a Ciência, de um lado, e o Espiritismo, de outro, vieram revelar as novas leis da natureza, que tornaram compreensível o seu verdadeiro sentido. 
7 – 
O Espiritismo vem atualmente lançar a sua luz sobre uma porção de pontos obscuros, mas não o faz inconsideravelmente. Os Espíritos procedem, nas suas instruções, com admirável prudência. É sucessiva e gradualmente que eles têm abordado as diversas partes já conhecidas da doutrina, e é assim que as demais partes serão reveladas no futuro, à medida que chegue o momento de fazê-las sair da obscuridade. Se a houvessem apresentado completa desde o início, ela não teria sido acessível senão a um pequeno número e teria mesmo assustado aqueles que não se achavam preparados, o que seria prejudicial à sua propagação. Se os Espíritos, portanto, ainda não dizem tudo ostensivamente, não é porque a doutrina possua mistérios reservados aos privilegiados, nem que eles ponham a candeia debaixo do alqueire, mas por que cada coisa deve vir no tempo oportuno. Eles dão a cada idéia o tempo de amadurecer e se propagar, antes de apresentarem outra, e aos acontecimentos,o tempo de lhes preparar a aceitação.