segunda-feira, 4 de julho de 2016

Olhos de ver…


“E, se o teu olho te escandalizar, arranca-o, e atira-o para longe de ti; melhor te é entrar na vida com um só olho, do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno.” (Mateus, 18:9)

“Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso.” (Mateus, 6:22)

A vida sempre nos revela em suas tessituras mais profundas a bondade de Deus a se manifestar por intermédio de Suas leis tão inexoráveis quanto amorosas e justas. Ao recapitularmos a trajetória de vida do nosso estimado benfeitor Francisco Cândido Xavier, identificaremos um curioso fenômeno recorrente no que diz respeito à saúde dos seus olhos.

Tanto na obra “Há dois mil anos…” quanto na obra “Ave, Cristo!”, em que a alma querida animou as personalidades de Flávia e Lívia, respectivamente,  o problema da cegueira afetou-lhe a estrutura somática, e ainda na personalidade de Chico Xavier foi preciso lidar mais uma vez com traumas orgânicos relacionados à visão.  Em entrevista ao jornal “A Gazeta do Iguaçu”, de julho de 1997, o médium Divaldo Franco contou, quando lhe perguntaram acerca da realização de cirurgias espirituais em casas espíritas, que: “O Espírito do Dr. Fritz quis cirurgiá-lo (Chico Xavier), em 1965, através do médium não-espírita Arigó: – Eu te ponho bom desse olho. Faço-te a cirurgia agora! O Chico respondeu-lhe: – “Não, isso é um carma. Eu sei que o senhor pode consertar o meu olho. Mas como o carma continuará, vai aparecer-me outra doença. Como eu já estou acostumado com essa, eu a prefiro. Por que eu iria querer uma doença nova?””

Diante disso, surge a pergunta natural acerca da razão de o mesmo espírito, em épocas tão diferentes, facear um problema físico de natureza tão similar. A resposta a tal questionamento nos é inacessível no momento, todavia é certo que ajudando-nos a abrir os olhos para a verdade espiritual da vida, Chico galgou mais um degrau rumo à redenção, definido naquele terceiro passo proposto por Kardec, em “O Céu e o Inferno”, quando o notável Codificador escreve, no código penal da vida futura, acerca da reparação das faltas cometidas.

Encerramos a nossa breve e despretensiosa reflexão com um trecho de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, extraído do texto “Bem-aventurados os que têm os olhos fechados” no capítulo “Bem-aventurados os que tem puro o coração”: “Oh! bem-aventurado o cego que quer viver com Deus. Mais ditoso do que vós que aqui estais, ele sente a felicidade, toca-a, vê as almas e pode alçar-se com elas às esferas espirituais que nem mesmo os predestinados da Terra logram divisar. Abertos, os olhos estão sempre prontos a causar a falência da alma; fechados, estão prontos sempre, ao contrário, a fazê-la subir para Deus. Crede-me, bons e caros amigos, a cegueira dos olhos é, muitas vezes, a verdadeira luz do coração, ao passo que a vista é, com freqüência, o anjo tenebroso que conduz à morte.”

E Kardec conclui a mensagem com sua análise sempre lúcida e sintética: “Quando uma aflição não é conseqüência dos atos da vida presente, deve-se-lhe buscar a causa numa vida anterior. Tudo aquilo a que se dá o nome de caprichos da sorte mais não é do que efeito da justiça de Deus, que não inflige punições arbitrárias, pois quer que a pena esteja sempre em correlação com a falta. Se, por sua bondade, lançou um véu sobre os nossos atos passados, por outro lado nos aponta o caminho, dizendo: ‘”Quem matou à espada, pela espada perecerá”, palavras que se podem traduzir assim: “A criatura é sempre punida por aquilo em que pecou.” Se, portanto, alguém sofre o tormento da perda da vista, é que esta lhe foi causa de queda. Talvez tenha sido também causa de que outro perdesse a vista; de que alguém haja perdido a vista em conseqüência do excesso de trabalho que aquele lhe impôs, ou de maus-tratos, de falta de cuidados, etc. Nesse caso, passa ele pela pena de talião. É possível que ele próprio, tomado de arrependimento, haja escolhido essa expiação, aplicando a si estas palavras de Jesus: “Se o teu olho for motivo de escândalo, arranca-o.” ”

Tales Argolo Jesus

Mensagem carinhosamente escrita para este blog pelo amigo Tales Argolo Jesus do Centro Espírita Irmãos em Cristo. Belo Horizonte, MG.