segunda-feira, 4 de julho de 2016

Bem-aventurados os que têm fechados os olhos

Bem-aventurados os que têm fechados os olhos

Este é o título de uma comunicação inserida no item 20 do capítulo VIII (Bem-aventurados os que têm puro o coração), de O Evangelho segundo o Espiritismo (FEB). Ela foi transmitida com relação a uma pessoa cega, a cujo favor se evocara o Espírito de J. B. Vianney, cura d’Ars. A data – Paris, 1863.


No início da comunicação, o Espírito diz: “... Ela perdeu a vista e as trevas a envolveram. Pobre filha! Que ore e espere. Não sei fazer milagres, eu, sem que Deus o queira”. E espera que todas as curas que obteve devam ser atribuídas a Deus.


A mensagem diz, ainda, que os que são privados da vista deveriam considerar-se os bem-aventurados da expiação. E que o Cristo disse ser conveniente que seja arrancado o olho mau; que mais valeria lançá-lo ao fogo, do que deixar que seja causa de condenação.


Quando uma aflição terrena não encontra explicações em consequência dos atos da vida presente, deve-se procurar as causas numa vida anterior. Cada um é punido por aquilo em que pecou. No caso, a vista foi a causa da queda. Ou, talvez, tenha sido a causa de que outro perdeu a vista, ou seja: de que alguém tenha perdido a vista em consequência do excesso de trabalho a que foi imposta, ou de maus-tratos, ou da falta de cuidados etc.. Pode também dar-se o caso de que o próprio Espírito, arrependido, tenha escolhido esta expiação, antes de reencarnar.


A lei de causa e efeito, ou de ação e reação, é uma lei divina que rege todos os elementos que compõem o Universo. Tudo o que existe, aqui e além, tem uma causa que lhe deu origem. Se a causa é fundamentada no bem, o efeito é bom; caso contrário, o efeito é maléfico. Neste sentido, Jesus disse: “A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz: se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que há em ti são trevas, quão grandes serão tais trevas!” (Mateus, 6: 22 e 23).


Toda reação (efeito) é um estímulo para acentuar o bem e aniquilar o mal. Ao efetuar uma ação, o homem pode provocar um encadeamento de causas e efeitos que o auxiliam a crescer ou colocam-no em débito perante as leis divinas, por várias reencarnações.


No capítulo VII (As penas futuras segundo o Espiritismo), do livro O Céu e o Inferno, de Allan Kardec, item Código penal da vida futura, lê-se que o Espiritismo não se apoia numa autoridade de natureza particular para formular um código fantasioso. Suas leis, no que toca ao futuro da alma são deduzidas de observações positivas sobre os fatos.


Deste código, destacamos os tópicos seguintes:


2º) A felicidade perfeita é inerente à perfeição, quer dizer, a purificação completa do Espírito. Toda imperfeição é, ao mesmo tempo, uma causa de sofrimento e de privação de ventura, da mesma maneira que toda qualidade adquirida é uma causa de ventura e de atenuação dos sofrimentos.


3º) Não há uma só imperfeição da alma que não acarrete consequências desagradáveis, inevitáveis, e não há uma só qualidade que não seja fonte de ventura. A soma das penas é assim proporcional à soma das imperfeições, como a dos gozos é proporcional à soma das boas qualidades.


A alma que tiver, por exemplo, dez imperfeições, sofrerá mais do que aquela que tiver apenas três ou quatro. Quando dessas dez imperfeições só lhe restarem um quarto ou a metade, ela sofrerá menos, e quando nada mais restar, ela nada sofrerá, sendo perfeitamente feliz. É como acontece na Terra: aquele que sofre de muitas doenças padece mais do que o que sofre apenas de uma ou não tem nenhuma. Pela mesma razão, a alma que possui dez qualidades boas goza de mais felicidade que a outra que possui menos.


8º) A justiça de Deus sendo infinita, todo o mal e todo o bem são, rigorosamente, levados em conta. Se não há uma só ação má, um só mau pensamento que não tenha consequências fatais, também não há uma única ação boa, um só movimento da alma, numa palavra, o mais ligeiro mérito que fosse perdido. E isso, mesmo entre os mais perversos, porque representam um começo de progresso.