domingo, 10 de julho de 2016

Treinamento de Indulgência


A indulgência é parte da caridade e jamais se preocupa com os maus atos alheios, a menos que seja para prestar um serviço, de forma que devemos passar a julgar os nossos próprios corações, os nossos próprios pensamentos e os nossos próprios atos, sem nos ocuparmos do que fazem os nossos irmãos, visto que mesmo aquele que julga em última instância desculpa frequentemente as faltas que condenamos, ou condena as que desculpamos.
A indulgência pode ser definida como bondade que desculpa o que é censurável ou importuno, no espiritismo buscamos mesmo ignorar o que é censurável e inoportuno. Na psicologia ser indulgente é preservar a nós mesmos de apontar nos outros os defeitos que nós também carregamos.
A indulgência junto a benevolência e o perdão das ofensas compõem a caridade e a caridade nos manda ser indulgentes, porque temos necessidade de indulgência. Ser indulgente é começar o processo de libertação da consciência de ciclos de dor que estamos nos impondo desnecessariamente.

Conhecimento e autoconhecimento
Para conseguirmos prosseguir nossa caminhada e aprendermos a ser indulgentes, recebemos auxílio dos irmãos que nos precederem nos ensinando o caminho e nos fazendo evoluir intelectualmente. A evolução intelectual pode auxiliar a evolução moral do homem à medida que nos faz compreender o bem e o mal, nos permitindo escolher.
Além do crescimento intelectual é necessário que desenvolvamos o conhecimento de nós mesmo. Santo Agostinho revelou que utilizava como técnica de autoconhecimento, interrogar a própria consciência, passando em revista o que fizera e se perguntando se não faltara a algum dever, se ninguém tinha o que se queixar dele. Como ele mesmo disse, ele se dirigia perguntas interrogando a sua consciência sobre o que tinha feito.
Além de buscar compreender o que fez Santo Agostinho se perguntava também qual era o objetivo da sua ação, sem se justificar, pois muitas vezes nós nos justificamos escondendo de nós mesmos as nossas verdadeiras intenções.
Diante da necessidade imperiosa de nos conhecermos para evoluirmos contamos também com a ferramenta psicológica. A psicologia uma defesa do nosso ego é a chamada projeção freudiana, um ato de apontar fora de nós os problemas que carregamos. Apontar em outro, projetar em outro nossos defeitos. Para Sigmund Freud essa projeção era tão forte e verdadeira que ele disse que "Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo", se referindo assim a projeção.
Uma outra conclusão que nos auxilia a nos conhecer, agora porém como grupo, é que nós podemos concluir que aqueles a quem desprezamos, condenamos, criticamos, não são tão diferentes de nós e que nós mesmos em algum momento, conforme a vida que tivéssemos tido, a criação que tivéssemos tido, as companhias que tivéssemos durante a vida, poderíamos estar nos comportando exatamente da mesma forma daqueles que excluímos.

Podemos ser indulgentes
Um estudo científico de 1960 demonstrou que as nossas decisões são tomadas inicialmente pelo inconsciente para depois vir para ao consciente, sendo assim, é natural recebermos o comando do inconsciente relacionado aos nossos hábitos condicionados ao longo das reencarnações passadas.
O conhecimento deste fato é importante para lembrarmos que devemos permanecer firmes sobre o que nós decidimos fazer da nossa vida. Se por exemplo decidimos fazer um regime e uma grande vontade de comer doces nos chega, devemos analisar essa sugestão vinda de nosso subconsciente e ao invés de justifica-la e comer doces devemos entende-la e manter a firmeza de nossa decisão, não comendo os doces.
Defina desde já como agirá quando o desejo de errar lhe vier a mente e aja conforme sabe que é certo.
Lembremo-nos que antes de renascermos muitos de nós estávamos em zonas de lamentações e sofrimentos, lutando contra adversários e contra a nossa própria consciência de culta, a nos cobrar nosso erros. A indulgência divina nos deu mais uma vez a chance de recomeçar e fazer diferente. Não desperdicemos essa chance, sermos indulgentes é importante etapa do caminho de PAZ.
Somos filhos abençoados de Deus, mas enquanto não formos indulgentes com os outros não atingiremos o caminho da PAZ.