domingo, 9 de setembro de 2012

OFICINAS DE “ATITUDES BEM-AVENTURADAS”

Grupo de Fraternidade Espírita
João Ramalho


OFICINAS DE
“ATITUDES BEM-AVENTURADAS”                                    



OFICINA 8 – (Outubro)
Tema Central:
Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.

PECADO POR PENSAMENTOS. – ADULTÉRIO
5. Aprendestes que foi dito aos antigos: “Não cometereis adultério. Eu, porém, vos digo que aquele que houver olhado uma mulher, com mau desejo para com ela, já em seu coração cometeu adultério com ela.” (S. MATEUS, 5:27 e 28.)

6. A palavra adultério não deve absolutamente ser entendida aqui no sentido exclusivo da acepção que lhe é própria, porém, num sentido mais geral. Muitas vezes Jesus a empregou por extensão, para designar o mal, o pecado, todo e qualquer pensamento mau, como, por exemplo, nesta passagem: “Porquanto se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras, dentre esta raça adúltera e pecadora, o Filho do homem também se envergonhará dele, quando vier acompanhado dos santos anjos, na glória de seu Pai.” (S. MARCOS, 8:38.)
A verdadeira pureza não está somente nos atos; está também no pensamento, porquanto aquele que tem puro o coração, nem sequer pensa no mal. Foi o que Jesus quis dizer: ele condena o pecado, mesmo em pensamento, porque é sinal de impureza.

SUMÁRIO:
Mateus – Cap. V – Sermão do Monte (Montanha)                                                                               Pág. 02

SIMPLICIDADE E PUREZA DE CORAÇÃO                                                                                       Pág. 04
Evangelho Segundo os Espiritismo – Cap. VIII – Bem-aventurados os que têm puro o coração

 “Bem-aventurados os Limpos de Coração”                                                                                   Pág. 04
- Do Livro O Sermão da Montanha – Rodolfo Calligares – FEB – Federação Espírita Brasileira                              

PECADO POR PENSAMENTOS. – ADULTÉRIO                                                                              Pág. 06                                                                        
Evangelho Segundo o Espiritismo –  Cap. VIII – Bem-aventurados os que têm puro o coração    

Adultério no Coração – Extirpação de todos os maus pensamentos.                                         Pág. 06
Elucidações Evangélicas – Antonio Luiz Sayão – (FEB – 14ª Edição – Pagina 152)

O Verbo é Criador                                                                                                                              Pág. 07
(Cap. 97 do livro: Vinha de Luz – Espírito Emmanuel – Médium: F.C. Xavier)

VERDADEIRA PUREZA. – MÃOS NÃO LAVADAS                                                                          Pág. 09
Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. VIII – Bem-aventurados os que têm puro o coração

Reparemos Nossas Mãos                                                                                                                 Pág. 10
(Cap. 37 do livro: Palavras de Vida Eterna – Espírito Emmanuel – Médium: F.C. Xavier)            

Mãos em Serviço                                                                                                                               Pág. 11
(Cap. 147 do livro: Palavras de Vida Eterna – Espírito Emmanuel – Médium: F.C. Xavier)



Coordenação: Eugenivaldo Silva Fort

São Bernardo do Campo, Outubro de 2010.

Mateus - Capítulo V
Esse Capitulo é chamado: “O Sermão da Monte (Montanha)”

Mateus 5 – (Os destaques em negrito são nossos)

1 - E Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos;
2 - E, abrindo a sua boca, os ensinava, dizendo:
3 - Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;
4 - Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;
5 - Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;
6 - Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;
7 - Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;
8 - Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus;
9 - Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;
10 = Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus;
11 - Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.
12 - Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.
13 - Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens.
14 - Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte;
15 - Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa.
16 - Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.
17 - Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir.
18 - Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido.
19 - Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus.
20 - Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.
21 - Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo.
22- Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco será réu do fogo do inferno.
23 - Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti,
24 - Deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão e, depois, vem e apresenta a tua oferta.
25 - Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão.
26 - Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil.
27 - Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério.
28 - Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela.
29 - Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno.
30 - E, se a tua mão direita te escandalizar, corta-a e atira-a para longe de ti, porque te é melhor que um dos teus membros se perca do que seja todo o teu corpo lançado no inferno.
31 - Também foi dito: Qualquer que deixar sua mulher, dê-lhe carta de desquite.
32 - Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de prostituição, faz que ela cometa adultério, e qualquer que casar com a repudiada comete adultério.
33 - Outrossim, ouvistes que foi dito aos antigos: Não perjurarás, mas cumprirás os teus juramentos ao Senhor.
34 - Eu, porém, vos digo que de maneira nenhuma jureis; nem pelo céu, porque é o trono de Deus;
35 - Nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei;
36 - Nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto.
37 - Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna.
38 - Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente.
39 - Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra;
40 - E, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa;
41 - E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas.
42 - Dá a quem te pedir, e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes.
43 - Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo.
44 - Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus;
45 - Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos.
46 - Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo?
47 - E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim?
48 - Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.


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Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. VIII – Bem-aventurados os que têm puro o coração

SIMPLICIDADE E PUREZA DE CORAÇÃO
1. Bem-aventurados os que têm puro o coração, porquanto verão a Deus. (S. MATEUS, 5:8.)

2. Apresentaram-lhe então algumas crianças, a fim de que ele as tocasse, e, como seus discípulos afastassem com palavras ásperas os que lhas apresentavam, Jesus, vendo isso, zangou-se e lhes disse: “Deixai que venham a mim as criancinhas e não as impeçais, porquanto o reino dos céus é para os que se lhes assemelham. – Digo--vos, em verdade, que aquele que não receber o reino de Deus como uma criança, nele não entrará.” – E, depois de as abraçar, abençoou-as, impondo-lhes as mãos. (S. MARCOS, 10:13 a 16.)

3. A pureza do coração é inseparável da simplicidade e da humildade. Exclui toda idéia de egoísmo e de orgulho. Por isso é que Jesus toma a infância como emblema dessa pureza, do mesmo modo que a tomou como o da humildade.

Poderia parecer menos justa essa comparação, considerando-se que o Espírito da criança pode ser muito antigo e que traz, renascendo para a vida corporal, as imperfeições de que se não tenha despojado em suas precedentes existências. Só um Espírito que houvesse chegado à perfeição nos poderia oferecer o tipo da verdadeira pureza. É exata a comparação, porém, do ponto de vista da vida presente, porquanto a criancinha, não havendo podido ainda manifestar nenhuma tendência perversa, nos apresenta a imagem da inocência e da candura. Daí o não dizer Jesus, de modo absoluto, que o reino dos céus é para elas, mas para os que se lhes assemelhem.

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“Bem-aventurados os Limpos de Coração”
 Do Livro O Sermão da Montanha – Rodolfo Calligares – FEB – Federação Espírita Brasileira

Como se verifica pela leitura do Velho Testamento, os judeus eram extremamente meticulosos no que dizia respeito à limpeza, quer em sua vida privada, quer nas praticas cerimoniais de seu culto.

Preocupavam-se sobremaneira com toda e qualquer forma de contaminação exterior, cumprindo à risca as regras severíssimas estabelecidas pelo rabinismo quanto à alimentação e à vestimenta, assim como aos holocaustos ou sacrifícios oferecidos no templo.

O Levítico, livro das leis judaicas, chega ao exagero de proibir certos atos devocionais a quem apresenta deformidade, a saber: se for cego, coxo, de nariz pequeno, grande o torcido, se tiver quebrado o pé ou a mão, se for corcovado, se remeloso, se tiver belida no olho, se portador de sarna ou impigem... (21:27 a 20).

Jesus, todavia, longe de dar atenção a esse formalismo de somenos importância, conhecendo a incúria geral para como o s verdadeiros mandamentos de Deus, indicou, mais de uma vez, a necessidade de curarmos, com maior empenho, as mazelas e sujidades de nosso íntimo, pois são estas que nos impedem a entrada no Reino dos Céus.

Assim, é que, a um fariseu, por quem fora convidado a jantar em sua companhia e que consigo fazia reparos por não ter Ele, o Mestre, lavado as mãos antes de sentar-se à mesa, disse sem rebuços: “Vos outros pondes grande cuidado em limpar o exterior do corpo e do prato. Entretanto, o interior de vossos corações está cheio de rapinas e de iniqüidade” – (Lucas, 11 37 a 39)

De outra feita, respondendo à mesma censura feita a seus discípulos, chamou o povo para perto de si e assim se expressou: “Escutai e compreendei bem isto; Não é o que entra na boca que macula o homem; o que lhe sai da boca é o que o macula. O que sai da boca procede do coração e é o que torna impuro o homem, porquanto do coração é que partem os maus pensamentos, os assassínios, os adultérios, as fornicações, os latrocínios, os falsos testemunhos, as blasfêmias e as maledicências. Essas são as coisas que tornam impuro o homem” – (Mateus, 15: 1 a 20).

Em nova oportunidade, como completando a elucidação desse ponto, ao perceber que seus discípulos procuravam afastar algumas crianças que lhe eram trazidas para que Ele as abençoasse, falou-lhe severamente: “Deixai que venham a mim as criancinhas e não as impeçais, porquanto o Reino dos Céus é para os que se lhe assemelham. Digo-vos, em verdade, que aquele que não receber o reino de Deus como uma criança, nele não entrará. (Mateus, 19 13 a 15 )

Deduz-se, pois, dos ensinos de Jesus, que impurezas de coração não significa apenas malicia e abuso dos prazeres sexuais, mas também a fatuidade, o orgulho, o interesse egoísta e outras falhas morais, cujas manchas são bem mais difíceis de remover do que aquelas existentes na superfície das coisas.

Dizendo que o Reino dos Céus é para os que se assemelham às crianças, quer com isso dar a entender que, enquanto não alijarmos de nós os pensamentos vulgares, a linguagem descuidada e as ações desonestas (no sentido mais amplo do termo), adquirindo a candura, a humildade e a simpleza personificadas na infância, não estaremos em condições de comparecer à presença de Deus.

Cuidemos, então, do refinamento de nossas idéias e maneiras, para que, um dia, ainda que longínquo, possamos ter a ventura de ver a Deus face a face! ( Mateus, 5.8)

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Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. VIII – Bem-aventurados os que têm puro o coração

PECADO POR PENSAMENTOS. – ADULTÉRIO
5. Aprendestes que foi dito aos antigos: “Não cometereis adultério. Eu, porém, vos digo que aquele que houver olhado uma mulher, com mau desejo para com ela, já em seu coração cometeu adultério com ela.” (S. MATEUS, 5:27 e 28.)

6. A palavra adultério não deve absolutamente ser entendida aqui no sentido exclusivo da acepção que lhe é própria, porém, num sentido mais geral. Muitas vezes Jesus a empregou por extensão, para designar o mal, o pecado, todo e qualquer pensamento mau, como, por exemplo, nesta passagem: “Porquanto se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras, dentre esta raça adúltera e pecadora, o Filho do homem também se envergonhará dele, quando vier acompanhado dos santos anjos, na glória de seu Pai.” (S. MARCOS, 8:38.)

A verdadeira pureza não está somente nos atos; está também no pensamento, porquanto aquele que tem puro o coração, nem sequer pensa no mal. Foi o que Jesus quis dizer: ele condena o pecado, mesmo em pensamento, porque é sinal de impureza.

7. Esse princípio suscita naturalmente a seguinte questão:

Sofrem-se as conseqüências de um pensamento mau, embora nenhum efeito produza?

Cumpre se faça aqui uma importante distinção. À medida que avança na vida espiritual, a alma que enveredou pelo mau caminho se esclarece e despoja pouco a pouco de suas imperfeições, conforme a maior ou menor boa vontade que demonstre, em virtude do seu livre-arbítrio. Todo pensamento mau resulta, pois, da imperfeição da alma; mas, de acordo com o desejo que alimenta de depurar-se, mesmo esse mau pensamento se lhe torna uma ocasião de adiantar-se, porque ela o repele com energia. É indício de esforço por apagar uma mancha. Não cederá, se se apresentar oportunidade de satisfazer a um mau desejo. Depois que haja resistido, sentir-se-á mais forte e contente com a sua vitória.

Aquela que, ao contrário, não tomou boas resoluções, procura ocasião de praticar o mau ato e, se não o leva a efeito, não é por virtude da sua vontade, mas por falta de ensejo. É, pois, tão culpada quanto o seria se o cometesse.

Em resumo, naquele que nem sequer concebe a idéia do mal, já há progresso realizado; naquele a quem essa idéia acode, mas que a repele, há progresso em vias de realizar-se; naquele, finalmente, que pensa no mal e nesse pensamento se compraz, o mal ainda existe na plenitude da sua força. Num, o trabalho está feito; no outro, está por fazer-se. Deus, que é justo, leva em conta todas essas gradações na responsabilidade dos atos e dos pensamentos do homem.

Elucidações Evangélicas – Antonio Luiz Sayão – (FEB – 14ª Edição – Pagina 152)
Adultério no Coração – Extirpação de todos os maus pensamentos.
Mateus, V, 27 - 30

27 - Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério.

28 - Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela.

29 - Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno.

30 - E, se a tua mão direita te escandalizar, corta-a e atira-a para longe de ti, porque te é melhor que um dos teus membros se perca do que seja todo o teu corpo lançado no inferno.

São simbólicas as palavras de Jesus, constantes nestes versículos. Devemos, pois, procurar-lhes o verdadeiro sentido. Elas têm, primeiramente, uma acepção de ordem geral, porquanto visam fazer compreensível que os homens devem abster-se de toda má palavra, de toda ação má e de todos os maus pensamentos.

Quantos ao dizer que devem ser arrancado o olho e cortada a mão que se tornem causa de escândalos, bem se vê que também nesse ponto usou Ele de uma linguagem figurada, composta de imagens materiais, como convinha aos Espíritos daquela época. Falando a criatura materiais, só por meio de tais imagens podia impressioná-las fortemente.

O ensino moral, que delas decorre, é que não basta nos abstenhamos do mal; que precisamos praticar o bem e que, para isso, mister se faz destruamos em nós tudo o que possa ser causa de obrarmos mal, seja por atos, seja por palavras, seja por pensamentos, sem atendermos ao sacrifício que porventura nos custe a purificação dos nossos sentimentos.

Não se estranhe o dizermos que podemos obrar mal pelo pensamento. Embora ela não exista perante os homens, porque estes não percebem o que se passa no intimo do Espírito, incorre em falta, aos do Senhor, tanto quanto se praticasse uma ação má, aquele que formula um mau pensamento, porque o Senhor, que lê o intimo dos seres, vê a mácula que na alma produz um pensamento mau e toda a mácula significa que a criatura se afastou dos eu criador.

Daí vem o ser a concupiscência, no dizer de Jesus, equiparada ao adultério. Para Deus, o Espírito, em quem ela se manifestou, cometeu falta idêntica à em que teria caído, se houvera consumado o adultério, mesmo porque, as mais das vezes, só uma dificuldade material qualquer impede que o pensamento concupiscente se transforme em ato.

Concupiscência
1. Desejo imoderado de satisfazer a sensualidade.
2. Apetite sensual.
Concupiscente
 cobiçar, desejar ardentemente
Que tem concupiscência.

O Verbo é Criador - (Cap. 97 do livro: Vinha de Luz – Espírito Emmanuel – Médium: F.C. Xavier)

O VERBO É CRIADOR
"Mas o que sai da boca procede do coração, e isso contamina o homem." - Jesus.
(MATEUS, 15:18.)

O ensinamento do Mestre, sob o véu da letra, consubstancia profunda advertência.

Indispensável cuidar do coração, como fonte emissora do verbo, para que não percamos a harmonia necessária à própria felicidade.

O que sai do coração e da mente, pela boca, é força viva e palpitante, envolvendo a criatura para o bem ou para o mal, conforme a natureza da emissão.

Do íntimo dos tiranos, por esse processo, origina-se o movimento inicial da guerra, movimento destruidor que torna à fonte em que nasceu, lançando ruína e aniquilamento.

Da alma dos caluniadores, partem os venenos que atormentam espíritos generosos, mas que voltam a eles mesmos, escurecendo-lhes os horizontes mentais.

Do coração dos maus, dos perversos e dos inconscientes, surgem, através do poder verbalista, os primórdios das quedas, dos crimes e das injustiças; todavia, tais elementos perturbadores não se articulam debalde para os próprios autores, porque dia chegará em que colherão os frutos amargos da atividade infeliz a que deram impulso.

Assim também, a alegria semeada, por intermédio das palavras salutares e construtivas, cresce e dá os seus resultados.

O auxílio fraterno espalha benefícios infinitos, e o perfume do bem, ainda quando derramado sobre os ingratos, volta em ondas invisíveis a reconfortar a fronte que o emite.

O ato de bondade é invariável força benéfica, em derredor de quem o mobiliza. Há imponderáveis energias edificantes, em torno daqueles que mantêm viva a chama dos bons pensamentos a iluminar o caminho alheio, por intermédio da conversação estimulante e sadia.

Os elementos psíquicos que exteriorizamos pela boca são potências atuantes em nosso nome, fatores ativos que agem sob nossa responsabilidade, em plano próximo ou remoto, de acordo com as nossas intenções mais secretas.

É imprescindível vigiar a boca, porque o verbo cria, insinua, inclina, modifica, renova ou destrói, por dilatação viva de nossa personalidade.
Em todos os dias e acontecimentos da vida, recordemos com o Divino Mestre de que a palavra procede do coração e, por isso mesmo, contamina o homem.

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Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. VIII – Bem-aventurados os que têm puro o coração

VERDADEIRA PUREZA. – MÃOS NÃO LAVADAS

8. Então os escribas e os fariseus, que tinham vindo de Jerusalém, aproximaram-se de Jesus e lhe disseram: “Por que violam os teus discípulos a tradição dos antigos, uma vez que não lavam as mãos quando fazem suas refeições?”
Jesus lhes respondeu: “Por que violais vós outros o mandamento de Deus, para seguir a vossa tradição? Porque Deus pôs este mandamento:
Honrai a vosso pai e a vossa mãe; e este outro: Seja punido de morte aquele que disser a seu pai ou a sua mãe palavras ultrajantes; e vós outros, no entanto, dizeis: Aquele que haja dito a seu pai ou a sua mãe: – Toda oferenda que faço a Deus vos é proveitosa, satisfaz à lei – ainda que depois não honre, nem assista a seu pai ou a sua mãe. Tornam assim inútil o mandamento de Deus, pela vossa tradição.
“Hipócritas, bem profetizou de vós Isaías, quando disse: Este povo me honra de lábios, mas conserva longe de mim o coração; é em vão que me honram ensinando máximas e ordenações humanas.
Depois, tendo chamado o povo, disse: “Escutai e compreendei bem isto: – Não é o que entra na boca que macula o homem; o que sai da boca do homem é que o macula. – O que sai da boca procede do coração e é o que torna impuro o homem;
– porquanto do coração é que partem os maus pensamentos, os assassínios, os adultérios, as fornicações, os latrocínios, os falsos-testemunhos, as blasfêmias e as maledicências. – Essas são as coisas que tornam impuro o homem; o comer sem haver lavado as mãos não é o que o torna impuro.”
Então, aproximando-se dele, disseram-lhe seus discípulos: “Sabeis que, ouvindo o que acabais de dizer, os fariseus se escandalizaram?”
– Ele, porém, respondeu: “Arrancada será toda planta que meu Pai celestial não plantou. – Deixai-os, são cegos que conduzem cegos; se um cego conduz outro, caem ambos no fosso.” (S. MATEUS, 15:1 a 20.)

9. Enquanto ele falava, um fariseu lhe pediu que fosse jantar em sua companhia. Jesus foi e sentou-se à mesa. – O fariseu entrou então a dizer consigo mesmo: “Por que não lavou ele as mãos antes de jantar?” Disse-lhe, porém, o Senhor:
“Vós outros, fariseus, pondes grande cuidado em limpar o exterior do copo e do prato; entretanto, o interior dos vossos corações está cheio de rapinas e de iniqüidades. Insensatos que sois! Aquele que fez o exterior não é o que faz também o interior?” (S. LUCAS, 11:37 a 40.)

10. Os judeus haviam desprezado os verdadeiros mandamentos de Deus para se aferrarem à prática dos regulamentos que os homens tinham estatuído e da rígida observância desses regulamentos faziam casos de consciência. A substância, muito simples, acabara por desaparecer debaixo da complicação da forma. Como fosse muito mais fácil praticar atos exteriores, do que se reformar moralmente, lavar as mãos do que expurgar o coração iludiram-se a si próprios os homens, tendo-se como quites para com Deus, por se conformarem com aquelas práticas, conservando-se tais quais eram, visto se lhes ter ensinado que Deus não exigia mais do que isso. Daí o haver dito o profeta: É em vão que este povo me honra de lábios, ensinando máximas e ordenações humanas.
Verificou-se o mesmo com a doutrina moral do Cristo, que acabou por ser atirada para segundo plano, donde resulta que muitos cristãos, a exemplo dos antigos judeus, consideram mais garantida a salvação por meio das práticas exteriores, do que pelas da moral. É a essas adições, feitas pelos homens à lei de Deus, que Jesus alude, quando diz: Arrancada será toda planta que meu Pai celestial não plantou.
O objetivo da religião é conduzir a Deus o homem. Ora, este não chega a Deus senão quando se torna perfeito. Logo, toda religião que não torna melhor o homem, não alcança o seu objetivo. Toda aquela em que o homem julgue poder apoiar-se para fazer o mal, ou é falsa, ou está falseada em seu princípio. Tal o resultado que dão as em que a forma sobreleva ao fundo. Nula é a crença na eficácia dos sinais exteriores, se não obsta a que se cometam assassínios, adultérios, espoliações, que se levantem calúnias, que se causem danos ao próximo, seja no que for. Semelhantes religiões fazem supersticiosos, hipócritas, fanáticos; não, porém, homens de bem.
Não basta se tenham as aparências da pureza; acima de tudo, é preciso ter a do coração.

Reparemos Nossas Mãos - (Cap. 37 do livro: Palavras de Vida Eterna – Espírito Emmanuel – Médium: F.C. Xavier)

REPAREMOS NOSSAS MÃOS
“E Jesus, estendendo a mão, tocou-o dizendo: quero, sê limpo.”
(MATEUS, 8:3.)

Meditemos na grandeza e na sublimidade das mãos que se estendem para o bem...

Mãos que aram a terra, preparando a colheita...

Mãos que constroem lares e escolas, cidades e nações...

Mãos que escrevem, amando em louvor do conhecimento...

Mãos que curam na medicina, que plasmam a riqueza da ciência e da indústria, que asseguram o reconforto e o progresso...

Todas elas se abrem, generosas, na direção do Infinito, gerando aperfeiçoamento e tranqüilidade, reconhecimento e alegria, conjugando-se , abnegadas, para a extensão das bênçãos da Sabedoria e de Amor na Obra de Deus.

Mas pensemos também nas mãos que se estendem para as sombras do mal...

Mãos que recolhem o ouro devido ao trabalho em favor de todos, transformando-se em garras de usura...

Mãos que acionam apetrechos de morte, convertendo-se em conchas de sangue e lagrimas...

Mãos que se agitam na mímica estudada de quantos abusam da multidão para conduzi-la à indisciplina em proveito próprio...

Mãos que ferem, que coagulam o fel da calúnia em forma de letras, que amaldiçoam, que envenenam e que cultuam a inércia...

Todas elas se cerram sobre si mesmas em círculos de aflição e remorsos pelos quais se aprisionam às trevas do sofrimento.

Reparemos, assim, a que forças da vida estendemos as nossas mãos.

Jesus, o Mestre Divino, passou no mundo estendendo-as no auxilio de todos, ensinando e ajudando, cirando e afagando, aliviando corpos enfermos e levantando almas caídas, e, para mostrar-nos o supremo valor das mãos consagradas ao bem constante, preferiu morrer na cruz, de mãos estendidas, como que descerrando o coração pleno de amor à Humanidade inteira.

Mãos em Serviço - (Cap. 147 do livro: Palavras de Vida Eterna – Espírito Emmanuel – Médium: F.C. Xavier)

MÃOS EM SERVIÇO
“E Jesus, estendendo as mãos, tocou-o dizendo; “quero, sê limpo...”.
(Mateus, 8:3).
Mãos estendidas!...

Quando estiverdes meditando e orando, recorda que todas as grandes idéias se derramaram, através dos braços, para concretizarem as boas obras.

Cidades que honram a civilização, indústrias que sustentam o povo, casa que alberga a família, gleba que produz, são garantidas pelo esforço das mãos

Médicos despendem largo tempo em estudo para a conquista do título que lhes confere o direito de orientar o doente; no entanto, vivem estendendo as mãos no amparo aos enfermos.

Educadores mergulham vários lustros na corrente das letras, adquirindo a ciência de manejá-las; contudo, gastam longo trecho da existência, estendendo as mãos no trabalho da escrita.

Cada reencarnação de nosso espírito, exige braços abertos do regaço maternal que nos acolhe.

Toda refeição, para surgir, pede braços em movimento.

Cultivemos a reflexão para que se nos aclare o ideal, sem largar o trabalho que no-lo realiza.

Jesus, embora pudesse representar-se por milhões de mensageiros, escolheu vir ele próprio até nós, colocando mãos no serviço, de preferência em direção aos menos felizes.

Pensemos nele, o Senhor. E toda vez que nos sentirmos cansados, suspirando por repouso indébito, lembremo-nos de que as mãos do Cristo, após socorrer-nos e levantarnos, longe de encontrarem apoio repousante, foram cravadas no lenho do sacrifício, do qual, conquanto escarnecidas e espancadas, ainda se despediram de nós entre a palavra do perdão e a serenidade da bênção.


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