Perda de pessoas amadas; mortes prematuras Imprimir
“Disse o Cristo: Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados. Mas, como há de alguém sentir-se ditoso por sofrer, se não sabe por que sofre? O Espiritismo mostra a causa dos sofrimentos...”.
Não é tarefa fácil aliviar o coração de quem perdeu um ente querido, em consequência das emoções e sentimentos que se fazem presentes nessas ocasiões. O que é natural e compreensível, quando se trata da saudade; contudo, muitas vezes, além dela, brota o sentimento de perda, e, não raras vezes, há o choque, principalmente se tudo foi muito súbito, traumático, o que pode levar, por vezes, à revolta, por falta de compreensão dos desígnios de Deus.
Felizmente, o Espiritismo ajuda-nos a lidar, de uma forma racional, com tais acontecimentos, suavizando nossa dor e nos fortalecendo.
E este é o intento deste escrito: o de, através da Doutrina, amenizar a jornada daquele que passa por essa experiência, especialmente quando o ente querido se foi tão cedo...
Reflitamos sobre alguns pontos importantes desse tema.
Saudades
A saudade é uma realidade incontestável. Em decorrência dela, duas reações possíveis podem ocorrer: o desespero, quando acreditamos que a separação é irremediável, ou o alentador sentimento de quem aguarda o instante do reencontro.
Pensemos um pouco a respeito da primeira reação.
Frequentemente, a morte de alguém querido leva quem fica ao desespero. Já, em geral, isso não acontece, se o caso for o de uma mudança para longe, pois a possibilidade do reencontro dulcifica a saudade.
Se todos soubessem que a morte física se encaixa na segunda situação acima, e que a separação é temporária, poucos teriam motivo para se desesperar.
É o que nos ensina o Espiritismo. E vai mais longe, pois também demonstra que o Espírito é imortal e comprova a existência do mundo espiritual, nossa verdadeira casa, para onde todos retornam e se reencontram, mais cedo ou mais tarde, dependendo do comportamento que cada um deu vazão aqui na matéria densa.
Apego
Infelizmente, precisamos admitir o fato de que ainda somos possessivos. Apegamo-nos a coisas, pessoas, crenças, valores, etc., mesmo quando já conscientes de que nosso mundo, exterior e interior, é dinâmico, mutável e adaptável ao progresso a que todas as pessoas e coisas estão submetidas, por ordem natural dos fatos e por determinação de Deus.
Isso é atávico, pois é resultado dos instintos construídos nas primeiras épocas de nossa existência. No início de nossa jornada, os instintos de sobrevivência, da posse, etc. foram particularmente importantes e indispensáveis para que pudéssemos superar as dificuldades dos mundos em que vivíamos.
Por um lado, se eles são necessários para nossa sobrevivência e para garantir a satisfação de nossas necessidades básicas, por outro, tornam-nos possessivos e apegados às coisas e pessoas, principalmente quando fazem parte da esfera de nossos interesses.
Aqui também, o Espiritismo pode nos ajudar uma vez mais, pois nos instrui que, pelo princípio da pluralidade das existências, a nossa família não está circunscrita ao atual núcleo familiar; somos imortais e destinados a amar a tudo e a todos, indistintamente.
A separação é, na verdade, um exercício de desapego, uma ferramenta Divina, necessária à nossa evolução. No nascimento, somos obrigados a nos despegar da vida do mundo espiritual; com a morte física, aprendemos, gradativamente, a renunciar ao mundo material. E, assim, sucessivamente...
Egoísmo
Esse é um aspecto, de nossa individualidade, de que poucas vezes nos damos conta.
Diga-se, de passagem, que o apego, em essência, é fruto do egoísmo.
Preferimos ter por perto a quem se ama, mesmo que isso signifique sofrimento para a pessoa amada. Não fazemos isso com quem está no leito de morte? Emitimos pensamentos com o desejo de que não se vá. Mentalmente, mantemo-la, aqui na matéria, mesmo quando seu desencarne já está em andamento!
Inúmeras vezes, os Espíritos precisam “nos distrair”, para poderem desatar os últimos nós que ligam o perispírito do agonizante ao seu corpo físico.
Através das narrações de André Luiz, podemos tomar conhecimento de como é comum parentes sustentarem alguém, já em transe de morte, no seu corpo físico, bem como o de encarnados lutarem para se manterem em seus corpos físicos, embora esses já se encontrem em avançado estado de desequilíbrio, com seus processos de desagregação já em andamento.
Para quê? Só para que “fiquem conosco”, mesmo que sofram mais?
Na verdade, estamos pensando mais em nós do que neles...
Imagino que, neste ponto, você possa estar se perguntando: e se for uma morte prematura? Responderia a Doutrina Espírita que, com exceção do suicídio e da eutanásia, não existem mortes prematuras.
A Terra é apenas uma estação de trabalho...
Contrariamente ao que tanto desejaríamos, a Terra não é um parque de diversões, e nem estamos numa colônia de férias. Trata-se de um educandário, para alçarmos voos em direção a mundos melhores, e que tais lugares, para os que viveram no bem, são mais felizes do que o nosso insignificante planeta Terra, ainda de provas e expiações.
Justiça Divina
Para aqueles que desconhecem os atributos Divinos e Suas Leis, é até compreensível que se possa alimentar uma dúvida quanto à Justiça Divina, o que leva, não raro, ao desespero e, daí à revolta, é um passo.
Felizmente, mais uma vez, o Espiritismo vem ao nosso socorro...
Dele aprendemos que não pode haver injustiça Divina! Pois isso, é impossível, uma vez que Deus tem que ser perfeito em tudo; caso contrário não seria Deus...
Dele também aprendemos que tudo o que acontece decorre de uma causa e, como Deus é justo, justa há de ser essa causa.
Papel da reencarnação
Fomos criados simples e ignorantes, para, por esforço próprio, adquirirmos sabedoria e virtudes e, consequentemente, por merecimento, ascendermos ao Reino de Deus.
O objetivo principal das reencarnações é a evolução em direção à perfeição que precisamos realizar em nós. Elas visam, através do atrito e das dificuldades que a matéria nos impõe, a aquisição da sabedoria e o desenvolvimento das virtudes.
Diferentemente do mundo espiritual, aqui precisamos garantir a sobrevivência do nosso corpo biológico e somos compelidos a conviver com Espíritos em escala evolutiva distinta da nossa. A primeira, pelo esforço, traz-nos a expansão da inteligência; a segunda leva-nos à obtenção das virtudes.
Por isso, podemos concluir...
Não temos porque aqui ficar, quando não precisamos mais... Deus seria injusto se assim permitisse...
E, se compararmos a vida na Terra às descrições transmitidas pela espiritualidade, é óbvio que “o lado de lá” é muito melhor... Alegremo-nos, pois nosso ente querido foi realmente “daqui para melhor”!
Uma vez que se foram, temos que ajudá-los...
Isso mesmo, leitor amigo. Imaginem se eles tomarem conhecimento de quanto estamos sofrendo com a separação? Desejamos que sejam infelizes por nossa causa? Já não basta a dificuldade que, por vezes, enfrentam para se adaptar à nova vida...
O Espiritismo esclarece-nos que todo pensamento atinge seu alvo e muito mais efeito tem, quando se trata de desencarnados. Nossas tristezas são como que raios lançados em suas mentes. Nosso desespero transforma-se no desespero deles...
Ficam, por vezes, tão preocupados, tão desequilibrados que estagnam em suas atividades, deixando de percorrer seus caminhos pós-morte e deixando de evoluir...
Vemo-nos em desdobramento
E, além disso, quem disse que não nos vemos?
André Luiz narra que ¾ da população terrestre desprendem-se do corpo físico, pelo sono. Há os que dão prosseguimento aos seus afazeres mundanos e os que procuram satisfazer seus vícios, mas, também, os que visitam seus familiares, quando permitido por Deus. E, vice-versa, pois, quando possível, eles também nos visitam...
O Consolador prometido
Chegamos ao fim... Mas, espero que a mensagem tenha sido dada: se, por um lado, é difícil vencermos nossas dificuldades interiores, por outro, “o pensar a respeito”, à luz da Doutrina Espírita, ajuda-nos a “racionalizar” nossa dor, minorando-a, sublimando-a...
Força! Cara irmã, querido irmão, pois a vida continua...
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
Mortes prematuras
Citando o Dicionário Aurélio, prematuro significa que se manifesta ou sucede antes do tempo; precoce.
Uma criança, por exemplo, ao desencarnar, pode parecer morte prematura para os encarnados e não ser prematura do ponto de vista espiritual, por ser exatamente o período necessário para aquela etapa evolutiva. Já alguém que desencarna com mais idade, após uma enfermidade, como foi o caso de André Luiz, pode não ser considerada prematura do ponto de vista material, mas ser prematura do ponto de vista espiritual, pois foi abreviado o tempo de vida programado, neste caso, por mau uso das possibilidades orgânicas, ou seja, um suicídio indireto.
Desta forma, a morte pode ser considerada prematura sob dois pontos de vista:
Do plano material – quando há a desencarnação daqueles ainda em tenra idade ou de jovens e adultos com perspectiva de muitos anos ainda de vida;
Do plano espiritual – quando a desencarnação é prematura em relação ao tempo programado da encarnação. A abreviação do período encarnatório pode ocorrer:
• Por mau uso das possibilidades orgânicas, em suicídio direto ou indireto;
• Por uso excessivo das possibilidades orgânicas, para o bem dos outros – não é considerado suicídio;
• Por misericórdia divina, no caso de comportamento inadequado que levasse a maiores prejuízos.
André Luiz, no livro “Evolução em Dois Mundos”, respondendo à questão “Podemos considerar a desencarnação da alma, em plena infância, como sendo uma punição das Leis Divinas, na maioria das vezes?”, esclarece: “Muitas existências são frustradas no berço, não por simples punição externa da Lei Divina, mas porque a própria Lei Divina funciona em todos nós, desde que todos existimos no hausto do Criador. Frequentemente, através do suicídio, integralmente deliberado, ou do próprio desregramento, operamos em nossa alma desequilíbrios, quais tempestades ocultas, que desencadeamos, por teimosia, no campo da natureza íntima. (...) Segundo observamos, portanto, as existências interrompidas, no alvorecer do corpo denso, raramente constituem balizas terminais de prova indispensável na senda humana, porque, na maioria dos sucessos em que se evidenciam, representam cursos rápidos de socorro ou tratamento do corpo espiritual desequilibrado por nossos próprios excessos e inconsequências, compelindo-nos a reconhecer, com o Apóstolo Paulo (“Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo que habita em vós, o qual vos foi dado por Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço, portanto glorificai a Deus no vosso corpo.” [I Coríntios, 6:19-20]), que o nosso instrumento de manifestação, seja onde for, é templo da Força Divina, por intermédio do qual, associando corpo e alma, nos cabe a obrigação de aperfeiçoar-nos, aprimorando a vida, na exaltação constante a Deus.”
Na obra “Nosso Lar”, André Luiz, melindrado por ser tachado de suicida, recebe a seguinte orientação: “Os órgãos do corpo somático possuem incalculáveis reservas, segundo os desígnios do Senhor. O meu amigo, no entanto, iludiu excelentes oportunidades, esperdiçando patrimônios preciosos da experiência física. A longa tarefa, que lhe foi confiada pelos Maiores da Espiritualidade Superior, foi reduzida a meras tentativas de trabalho que não se consumou. Todo o aparelho gástrico foi destruído à custa de excessos de alimentação e bebidas alcoólicas, aparentemente sem importância. Devorou-lhe a sífilis energias essenciais. Como vê, o suicídio é incontestável.”
Encontramos, no livro “Obreiros da Vida Eterna”, um caso em que a personagem Dimas não chegou a aproveitar todo o tempo a ele destinado, por sobrecarga física e emocional em tarefas voltadas para o Bem. André Luiz é orientado, a respeito do tema, conforme segue: “Dimas não conseguiu preencher toda a cota de tempo que lhe era lícito utilizar, em virtude do ambiente de sacrifício que lhe dominou os dias, na existência a termo. Acostumado, desde a infância, à luta sem mimos, desenvolveu o corpo, entre deveres e abnegações incessantes. (...) É verdade que não podemos louvar o trabalhador que perde qualquer órgão fundamental da vida física em atrito com as perturbações que companheiros encarnados criam e incentivam para si mesmos; no entanto, faz-se preciso considerar as circunstâncias em jogo. Dimas poderia receber, com naturalidade, semelhantes emissões destrutivas, mantendo-se na serenidade intangível do legítimo apóstolo do Evangelho. Todavia, não se organiza de um dia para outro o anteparo psíquico contra o bombardeio dos raios perturbadores da mente alheia, como não é fácil improvisar cais seguro ante o oceano em ressaca. (...) Segundo observamos, há existências que perdem pela extensão, ganhando, porém, pela intensidade. A visão imperfeita dos homens encarnados reclama o exame acurado dos efeitos, mas a visão divina jamais despreza minuciosas investigações sobre as causas...”
Na obra “Trilhas da Libertação”, o Espírito Manoel Philomeno de Miranda conta o caso do médium Davi, que desencarnou por um fulminante ataque do coração quando intentava assassinar um oponente. “No momento da prece, em rogativa de socorro, o irmão Ernesto, sabendo da deficiência cardíaca de seu pupilo, exortou, sem palavras, a interferência do Pai para evitar uma tragédia mais grave, no que foi atendido.”
Em todos esses casos, não há injustiça de Deus e sim a Sua misericórdia e justiça. A vida verdadeira não é a vida física e sim a vida espiritual. O Espírito Sanson, na obra “O Evangelho Segundo o Espiritismo”; assevera: “Frequentemente, a morte prematura é um grande benefício que Deus concede àquele que se vai e que assim se preserva das misérias da vida, ou das seduções que talvez lhe acarretassem a perda. Não é vítima da fatalidade aquele que morre na flor dos anos; é que Deus julga não convir que ele permaneça por mais tempo na Terra.”
Leia também, neste blog, a postagem “Evolução Espiritual de Longo Prazo”.
Bons estudos!
Carla e Hendrio
XAVIER, Francisco Cândido e VIEIRA, Waldo. “Evolução em Dois Mundos”. Pelo Espírito André Luiz. 14ª ed. Rio de Janeiro: RJ, FEB, 1995. 2ª parte, item 17.
XAVIER, Francisco Cândido. “Nosso Lar”. Pelo Espírito André Luiz. 23ª ed. Rio de Janeiro: RJ, FEB, 1981. Capítulo 04.
XAVIER, Francisco Cândido. “Obreiros da Vida Eterna”. Pelo Espírito André Luiz. 23ª ed. Rio de Janeiro: RJ, FEB, 1998. Capítulo 13.
FRANCO, Divaldo P. “Trilhas da Libertação”. Pelo Espírito Manoel P. de Miranda. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1996. Capítulo “Novos Rumos”.
KARDEC, Allan. “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. 2ª ed. de bolso. Rio de Janeiro: RJ, FEB: 1999. Capítulo V, item 21.
Leia mais no endereço: http://licoesdosespiritos.blogspot.com/2009/08/mortes-prematuras.html#ixzz3RaDOsx2p
PERDA DE PESSOAS AMADAS E MORTES PREMATURAS
PERDA DE PESSOAS AMADAS E MORTES PREMATURAS - SANÇÃO SOC.ESP.PARIS 1863
Antes de entrarmos no estudo desse item, parece-me importante escrever algo sobre o autor, Sansão, antigo membro da Sociedade Espírita de Paris.
No livro O Céu e o Inferno, de Allan Kardec, iniciando o capítulo II da Segunda Parte, intitulado Espíritos Felizes, Kardec transcreve uma carta escrita por J. Sansão ao Presidente da referida sociedade, na qual pede seja evocado o mais breve possível, após seu desencarne ( seu último ano na Terra foi de "atrozes sofrimentos" ) " a fim de, como membro muito inútil da nossa sociedade, poder prestar-lhe para alguma coisa depois de morto..."
Lembremo-nos de que Kardec estava codificando uma doutrina, a partir das revelações dos Espíritos que se comunicavam, e, por isso evocava, pelo nome, Espíritos de pessoas conhecidas, para melhor conhecer o mundo espiritual e
seu relacionamento com o material.
Kardec publica também, em seqüência da carta, duas comunicações, sendo uma delas , obtida na câmara mortuária e uma terceira de outro Espírito, Georges sobre Sansão, intitulada A Morte do Justo, que, juntamente com a carta, considero de muito proveito sua leitura.
Nesta mensagem, objeto de nosso estudo, Sansão, apresenta argumentos humanos sobre a injustiça da morte prematura de pessoas amadas, porque se assim não fora, não seriam choradas, e apresenta outros argumentos que a justificam, pois, " não se pode medir a justiça de Deus pela justiça dos homens."
Deus é O Absoluto, A Perfeição, O Criador; o homem é o Espírito encarnado, criado simples e ignorante, com o determinismo de desenvolver-se para a perfeição relativa, possível de ser alcançada. É o filho que jamais alcança o Pai na Perfeição e Atributos.
Assim, tem o homem de procurar compreender as leis que regem o universo, leis físicas e morais, adequar-se a elas, no desenvolvimento da sua inteligência e moralidade, entendendo que seus raciocínios são sempre de um ser em evolução, portanto, sujeitos a serem modificados na medida de novos entendimentos e novos conhecimentos, enquanto as leis naturais ou divinas são imutáveis e eternas.
" A morte prematura é quase sempre um grande benefício, que Deus concede ao que se vai, sendo assim preservado das misérias da vida ou das seduções que poderiam arrastá-lo à perdição. Aquele que morre na flor da idade não é uma vítima da fatalidade, pois Deus julga que não lhe será útil permanecer maior tempo na Terra."
Viver na Terra, sempre corre-se o risco de cair de novo nos mesmos erros e equívocos do passado, e é por isso que é sempre grande a possibilidade de novos débitos. Aquele , pois, que parte mais cedo, já cumpriu o que deveria e poderia nessa existência, segundo as leis sábias do Pai. Parte para, no plano espiritual, continuar seu aprendizado para novas experiências existenciais, mais adequadas às suas necessidades.
Estamos todos sujeitos às leis perfeitas e sábias que nos dão, exatamente, o que precisamos e podemos receber para nosso progresso espiritual: uma longa ou curta existência, maiores ou menores desafios, mais ou menos dores, sempre de acordo com nossas necessidades e possibilidades de enfrentar e vencer.
O objetivo de cada existência é sempre o progresso do Espírito, que continuará sendo feito também no plano espiritual. Encarnar-se ou desencarnar-se é o mesmo fato que se repete infinitas vezes durante o desenvolvimento do Espírito. No primeiro, renasce-se no plano material, no segundo, renasce-se no plano espiritual.
Em ambos os planos, podemos nos encontrar com os que amamos.
Por que lamentar tanto a partida de entes queridos jovens, se eles já não têm a necessidade de aqui permanecer mais tempo nesta existência? Quem somos nós para julgarmos a lei divina? Que sabemos nós do que seja melhor para eles?
Sintamos saudade, esse sentimento doce, que nos faz ter sempre presente, na mente e no coração, o ser amado que partiu e nos espera em nova dimensão ; continuemos procurando fazer o melhor para os que convivem conosco, amando-os, servindo-os, auxiliando-os a aproveitarem o mais e melhor possível as experiências do viver na Terra, certos de que, um dia, estaremos libertos da dor da separação, porque, então, não haverá limitações físicas e espirituais entre os que se amam.
Aquele que não conseguiu ainda enxergar a vida após a morte do corpo físico, que não consegue ver Deus em si e ao seu redor, que vê somente a vida orgânica e material, esse pode ver a morte como uma separação eterna e sofrer com ela.
O espiritualista, principalmente o espírita, que sabe que a alma vive melhor, liberta do corpo físico, que a separação é apenas material, que pelo sentimento e pelo pensamento estamos ligados aos habitantes do plano espiritual, esse, não pode entregar-se ao sofrimento da morte e, se o faz, demonstra a si próprio, que sua fé em Deus e nas Suas leis é frágil e superficial, necessitando estudos e reflexões sobre a vida e os seres.
Assim, não lamentemos os que partem jovens, resignemo-nos às leis de Deus, que quer o melhor para seus filhos. Não pensemos no que eles poderiam fazer na Terra, visto que nossa visão ainda é muito estreita, geralmente ditada pelos sucessos materiais e entreguemo-los ao Pai, de onde vieram.
Pensemos nos jovens que partiram, com amor, com saudade saudável, desejando a eles tudo que necessitam para sentirem-se felizes onde estiverem, confiantes de que somos todos filhos de Deus e ninguém está jamais só e desamparado.
Leda de Almeida Rezende Ebner
Abril / 2005
Antes de entrarmos no estudo desse item, parece-me importante escrever algo sobre o autor, Sansão, antigo membro da Sociedade Espírita de Paris.
No livro O Céu e o Inferno, de Allan Kardec, iniciando o capítulo II da Segunda Parte, intitulado Espíritos Felizes, Kardec transcreve uma carta escrita por J. Sansão ao Presidente da referida sociedade, na qual pede seja evocado o mais breve possível, após seu desencarne ( seu último ano na Terra foi de "atrozes sofrimentos" ) " a fim de, como membro muito inútil da nossa sociedade, poder prestar-lhe para alguma coisa depois de morto..."
Lembremo-nos de que Kardec estava codificando uma doutrina, a partir das revelações dos Espíritos que se comunicavam, e, por isso evocava, pelo nome, Espíritos de pessoas conhecidas, para melhor conhecer o mundo espiritual e
seu relacionamento com o material.
Kardec publica também, em seqüência da carta, duas comunicações, sendo uma delas , obtida na câmara mortuária e uma terceira de outro Espírito, Georges sobre Sansão, intitulada A Morte do Justo, que, juntamente com a carta, considero de muito proveito sua leitura.
Nesta mensagem, objeto de nosso estudo, Sansão, apresenta argumentos humanos sobre a injustiça da morte prematura de pessoas amadas, porque se assim não fora, não seriam choradas, e apresenta outros argumentos que a justificam, pois, " não se pode medir a justiça de Deus pela justiça dos homens."
Deus é O Absoluto, A Perfeição, O Criador; o homem é o Espírito encarnado, criado simples e ignorante, com o determinismo de desenvolver-se para a perfeição relativa, possível de ser alcançada. É o filho que jamais alcança o Pai na Perfeição e Atributos.
Assim, tem o homem de procurar compreender as leis que regem o universo, leis físicas e morais, adequar-se a elas, no desenvolvimento da sua inteligência e moralidade, entendendo que seus raciocínios são sempre de um ser em evolução, portanto, sujeitos a serem modificados na medida de novos entendimentos e novos conhecimentos, enquanto as leis naturais ou divinas são imutáveis e eternas.
" A morte prematura é quase sempre um grande benefício, que Deus concede ao que se vai, sendo assim preservado das misérias da vida ou das seduções que poderiam arrastá-lo à perdição. Aquele que morre na flor da idade não é uma vítima da fatalidade, pois Deus julga que não lhe será útil permanecer maior tempo na Terra."
Viver na Terra, sempre corre-se o risco de cair de novo nos mesmos erros e equívocos do passado, e é por isso que é sempre grande a possibilidade de novos débitos. Aquele , pois, que parte mais cedo, já cumpriu o que deveria e poderia nessa existência, segundo as leis sábias do Pai. Parte para, no plano espiritual, continuar seu aprendizado para novas experiências existenciais, mais adequadas às suas necessidades.
Estamos todos sujeitos às leis perfeitas e sábias que nos dão, exatamente, o que precisamos e podemos receber para nosso progresso espiritual: uma longa ou curta existência, maiores ou menores desafios, mais ou menos dores, sempre de acordo com nossas necessidades e possibilidades de enfrentar e vencer.
O objetivo de cada existência é sempre o progresso do Espírito, que continuará sendo feito também no plano espiritual. Encarnar-se ou desencarnar-se é o mesmo fato que se repete infinitas vezes durante o desenvolvimento do Espírito. No primeiro, renasce-se no plano material, no segundo, renasce-se no plano espiritual.
Em ambos os planos, podemos nos encontrar com os que amamos.
Por que lamentar tanto a partida de entes queridos jovens, se eles já não têm a necessidade de aqui permanecer mais tempo nesta existência? Quem somos nós para julgarmos a lei divina? Que sabemos nós do que seja melhor para eles?
Sintamos saudade, esse sentimento doce, que nos faz ter sempre presente, na mente e no coração, o ser amado que partiu e nos espera em nova dimensão ; continuemos procurando fazer o melhor para os que convivem conosco, amando-os, servindo-os, auxiliando-os a aproveitarem o mais e melhor possível as experiências do viver na Terra, certos de que, um dia, estaremos libertos da dor da separação, porque, então, não haverá limitações físicas e espirituais entre os que se amam.
Aquele que não conseguiu ainda enxergar a vida após a morte do corpo físico, que não consegue ver Deus em si e ao seu redor, que vê somente a vida orgânica e material, esse pode ver a morte como uma separação eterna e sofrer com ela.
O espiritualista, principalmente o espírita, que sabe que a alma vive melhor, liberta do corpo físico, que a separação é apenas material, que pelo sentimento e pelo pensamento estamos ligados aos habitantes do plano espiritual, esse, não pode entregar-se ao sofrimento da morte e, se o faz, demonstra a si próprio, que sua fé em Deus e nas Suas leis é frágil e superficial, necessitando estudos e reflexões sobre a vida e os seres.
Assim, não lamentemos os que partem jovens, resignemo-nos às leis de Deus, que quer o melhor para seus filhos. Não pensemos no que eles poderiam fazer na Terra, visto que nossa visão ainda é muito estreita, geralmente ditada pelos sucessos materiais e entreguemo-los ao Pai, de onde vieram.
Pensemos nos jovens que partiram, com amor, com saudade saudável, desejando a eles tudo que necessitam para sentirem-se felizes onde estiverem, confiantes de que somos todos filhos de Deus e ninguém está jamais só e desamparado.
Leda de Almeida Rezende Ebner
Abril / 2005
Mortes Prematuras
Liz Bittar
O Que Os Espiritos Dizem.com.br_
Mortes Prematuras
Por que uns vivem tao pouco tempo e outros muito tempo e tem oportunidade para construir uma família, etc e serem minimamente felizes?
Pergunta enviada por Ana sobre mortes prematuras
RESPOSTA:
Prezada Ana,
Essas indagações são compreensíveis, se olharmos nossa existência do ponto de vista terreno. E nos parece bastante injusto, se considerarmos apenas uma encarnação. Do ponto de vista terreno, uma pessoa se realiza e “cumpre o seu papel” na existência terrena se tiver êxito pessoal, familiar e profissional. Para muitos significa casar e ter filhos, formar uma família feliz. Para outros, obter sucesso e ser famoso, para outros acumular bens materiais e viver uma vida confortável.
O desejo de progresso, de sucesso, de realizações pessoais no campo amoroso e profissional, não é condenável. Mas considerar a vida somente do ponto de vida terreno e imediatista, é um entrave para o nosso progresso.
O espiritismo nos ensina que vivemos várias encarnações, e que a finalidade deste processo de encarne e desencarne nada mais é do que o progresso do ser – através das vidas sucessivas, e das inúmeras experiências que a diversidade de existências corpóreas nos proporciona. Assim, a riqueza e a pobreza, a saúde e a doença, as facilidades e as dificuldades, são aprendizados necessários, para a purificação de nossos espíritos.
A nossa finalidade maior na Terra não é acumular bens que possam ser deixados para trás, quando partirmos, mas acumular bens espirituais, que levamos conosco. Os Espíritos nos ensinam que todas as nossas aquisições morais e intelectuais, não se perdem de existência a existência. Ou seja, o progresso do espírito, as aquisições do espírito, são perenes. Portanto, passar por provas que impliquem em dores momentâneas, pode significar a construção de alicerces morais para o espírito – e, se observadas do ponto de vista espiritual, são mais fáceis de serem suportadas.
O processo reencarnatório explica, assim, todas as diferenças que vemos na vida terrestre, e passamos a compreender melhor a justiça de Deus, que é sempre acompanhada de misericórdia.
Uma existência de provas, de dificuldades materiais, pode ser muito benéfica para um espírito que abusou do poder, em outras épocas. Ele aprende através da vivência – e assim esse aprendizado se solidifica dentro dele. Da mesma forma, pessoas que foram maus pais, podem sofrer a perda de seus filhos.
Assim, grandes injustiças cometidas na terra, aparentemente sem punição aos olhos dos homens, não passarão incólumes aos olhos de Deus. Mas o importante é ressaltar que Deus não pune, mas ENSINA. O aprendizado vem de dentro pra fora – é VIVENCIANDO o que causamos de mal aos outros, que aprendemos a não repetir o mesmo mal.
E é nisto que está a Misericórdia Divina, que – se Deus por um lado, é justo – não permitindo que nenhuma má ação passe em brancas núvens – ele é misericordioso, fazendo que cada erro nosso se transforme em aprendizado, em nosso próprio benefício.
Através do processo reencarnatório as diferenças se transformam em compreensão, os ódios em amor, as disputas em fraternidade. É assim que vemos inimigos reencarnados em uma mesma família, para se acertarem. É assim que vemos antigos déspotas em corpos frágeis e debilitados, passando por encarnações onde necessitam da misericórdia e da piedade dos outros para sobreviverem, aprendendo assim a cultivarem e a valorarem esses sentimentos dentro de si mesmo.
A encarnação em corpos debilitados, com sérias deficiências, tem ainda outra finalidade: além de impedir que este espírito continue a fazer o mal, ele inspira nos outros piedade, e não ódio e revolta, como inspirava antes, na condição de déspota.
Portanto, a justiça de Deus tem sempre por finalidade o progresso, a concórdia, o aprendizado e o amor. Vendo do ponto de vista terreno, muitas coisas nos parecem “castigo”. Vendo do ponto de vista espiritual, abrangendo não apenas uma existência, mas a história milenar que trazemos conosco, como espíritos eternos que somos, compreendemos a bondade e misericórdia do Pai que nos confere infinitas oportunidades de progresso e de reacerto.
As coisas não começam aqui e também não acabam aqui. Nos reencontraremos com os que nos são caros, mas também nos reencontraremos com os que prejudicamos… Se erramos, entretanto, não há porque desesperar-se: podemos consertar!
Vejamos o que nos dizem os Espíritos, no LIVRO DOS ESPÍRITOS, CAPÍTULO IV, PLURALIDADE DAS EXISTÊNCIAS, ITEM V, SORTE DAS CRIANÇAS APÓS A MORTE, questão 199:
Pergunta de Kardec: Por que a vida se interrompe com frequência na infância?
Resposta dos Espíritos: A duração da vida da criança pode ser, para o seu Espírito, o complemento de uma vida interrompida antes do termo devido, e sua morte é frequentemente uma prova ou expiação para os pais.
Pergunta de Kardec na questão 199-a: Em que se transforma o Espírito de uma criança morta em tenra idade?
Morte Prematura - Como aceitar???
. Quando o assunto é o desencarne de crianças, adolescentes e adultos jovens que se dirigem ao plano espiritual antes dos pais, nem sempre a racionalidade que o espirtismo traz pode ser suficiente para acalentar a alma dos que ficam.Como aceitar a morte prematura, como não sofrer,difícil,mas podemos tentar entender o processo.
O termo "morte prematura", talvez não seja adequado, pois não podemos pensar em uma espiritualidade superior onde as coisas são feitas de improviso. Evidentemente nos referimos aqui a prematuridade do ponto de vista físico, ou seja, desencarnar jovem e não desencarnar antes do tempo programado.
Jesus foi um exemplo de morte prematura, desencarnando antes de sua mãe. Mas durante todo o seu apostolado, ele deu mostras de sobra, que sabia antecipadamente o que aconteceria.Mateus 26, João 2:19, Alias esse fato foi narrado várias vezes no velho testamento, em especial por Isaias. Saber por antecipação não o impediu de levar a cabo sua missão, pois várias vezes ele afirmou que o que lhe interessava acima de tudo era realizar a vontade do Pai.
Para os pais que enxergam na morte do filho o fim de tudo, o sofrimento parece mesmo não ter fim, porém um outro caminho, de mais amor e paz interior pode existir. Entender o mecanismo pelo qual as doenças ocorrem é fundamental para se libertar da tristeza imensa que invade a vida dos familiares.
Enquanto houver a crença de que Deus levou, que Deus quis, como se houvesse um Senhor de barbas brancas sentado em uma mesa apertando botões coloridos escolhendo quem vai e quem fica, distribuindo benesses e concessões, castigos e punições, não vamos conseguir sair do lugar. A mesmice atávica do benefício para quem é bonzinho e castigo pra quem é do mal, não aplaca mais as nossas dúvidas e incertezas. Até porque, se olharmos com cuidado, quem de nós pode ser classificado como evoluído ou inferior? Todos sem exceção temos qualidades e defeitos. Como escolheria então Deus?
Como explicar que uma criança de dois anos de idade, que nem teve tempo de fazer coisas boas ou ruins tenha um câncer com metástases e desencarne após 6 meses de tratamento? Punição para os pais? Resgate de um carma familiar? Acreditar nessa hipóteses é diminuir Deus a um tirano despótico sem sentimento, que castiga um inocente para punir os pais. Que tipo de amor é esse? Pois João evangelista nos define Deus da única forma que podemos compreender. "Deus é amor!"
A resposta é uma só. Cada um responde por atos praticados em outras vidas, resgatando pelo amor, as dívidas do passado e caminhando com passos cada vez mais sólidos em direção ao Pai. Não há punição, mas oportunidade. Não há fim, mas continuidade da vida, e vida plena, vida espiritual. É muito mais lógico pensar que se em outra vida, eu lesei tanto meu corpo espiritual por atitudes e vícios, nessa vida eu limpo meu corpo espiritual, drenando para a carne, para o corpo físico aquilo que me faz mal.
Se você vicenciou essa situação, a primeira coisa a fazer é parar de se questionar o que você fez de errado. Não há nada de errado. Está tudo certo. Jesus nos dizia que quem quisesse seguí-lo deveria pegar sua cruz e ir. Bom, chegou o momento. É a sua chance de mostrar a ele(Jesus) que você entendeu a lição. Creia que seu filho, seu familair, seu amigo que desencarnou continua mais vivo do que nunca, e com certeza mais feliz, porque drenou para o corpo físico algo que o impedia de crescer. Veja, a lição é clara, Deus não puniu ninguém, foi uma cobrança automática imposta por compromissos do passado. Não houve castigo, houve libertação.
No processo de aceitação e entendimento que ocorre após a morte prematura, o primeiro item é não remar contra a maré. Não lute contra a correnteza. Não se desespere, não aja como se a vida tivesse acabado. Aceite suas limitações, chore, mas sem desespero. Procure ajuda. Abra seu coração com pessoas que estão ao seu redor, consulte um psicólogo, reuniões de terapia de grupo, e deixe a ferida ir cicatrizando aos poucos. E acima de tudo, não faça disso uma desculpa para deixar de viver. Você não precisa se matar aos poucos como se dissesse para a pessoa querida que desencarnou "olhe, gosto tanto de você que eu também vou morrer". A isso chamamos de suicídio e não amor.
Confie e se entregue nas mãos desse Pai amoroso, que nos acolhe e alivia. E lembre-se, o melhor remédio para as nossas dores é aliviar a dor do próximo. Converta esse sentimento de dor em algo sublime como a ajuda aos necessitados. Em prol daquele que desencarnou primeiro e da sua própria evolução espiritual, transmute o sentimento e passe a ser um seareiro do Cristo. Dia virá que você será capaz de olhar pra trás e entender tudo que a vida queria lhe ensinar com esse fato.
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