terça-feira, 4 de setembro de 2012
O Pão do Céu
Livro selecionado: "A Gênese"
ÍNDICE
50. No dia seguinte, o povo, que permaneceu no outro lado do mar, notou que daquele lado não havia barca, e que Jesus não entrara na que seus discípulos haviam tomado, que os seus discípulos haviam partido sós, _ e como tinham chegado depois outras barcas de Tiberíades, perto do lugar onde o Senhor, depois de render graças, os alimentara com cinco pães; _ e como verificassem, depois, que Jesus ali não se encontrava, nem tampouco seus discípulos, entraram nessas barcas, e vieram a Cafarnaum buscar a Jesus. _ E tendo-o encontrado além do mar, lhe disseram: Mestre, quando vieste para cá?
Jesus lhes respondeu: Em verdade, em verdade vos digo, vós me procurais, não por causa dos milagres que tendes visto, mas porque eu vos dei pão para comer, e ficastes saciados. _ Trabalhai a fim de ter, não a comida que perece, mas aquela que permanece para a vida eterna, e que o Filho do homem vos dará, porque é nele que o Deus Pai imprimiu seu selo e seu caráter.
Ao que lhe disseram: Que faremos nós para fazer as obras de Deus? _ Jesus lhes retrucou: A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou.
Perguntaram-lhe então. Que milagre operarás que nos faça crer, vendo-o? Que farás de extraordinário? _ Nossos pais comeram o maná no deserto, conforme está escrito: Ele lhes deu de comer o pão do céu.
Jesus lhes respondeu: em verdade, em verdade vos digo que Moisés não vos deu o pão do céu; meu Pai é quem dá o verdadeiro pão do céu, _ porquanto o pão de Deus é aquele que desceu do céu e que dá vida ao mundo.
Disseram, eles então: Senhor, dá-nos sempre desse pão.
Jesus lhes respondeu: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim não terá jamais sede. _ Porém eu já vos disse: vós me tendes visto e não credes.
Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê em mim tem a vida eterna. _ Eu sou o pão da vida. _ Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram. _ Aqui está o pão que desceu do céu, a fim de que quem dele comer não morra. (S. João, cap. VI, vers. 22-36 e 47-50).
51. Na primeira passagem, Jesus, lembrando o fato produzido anteriormente, de modo claro dá a entender que não se tratava de pães materiais; de outro lado, a comparação que estabeleceu com o fermento dos fariseus teria sido sem objetivo. "Não compreendeis ainda, diz ele, e não vos recordais que cinco pães bastaram para cinco mil homens, e que sete pães bastaram para quatro mil homens? Como é que não compreendeis que não vos falo do pão, quando vos disse que deveis tomar cuidado com o fermento dos fariseus?" Este confronto não teria nenhuma razão de ser na hipótese de uma multiplicação material. O fato deveria ter sido bastante extraordinário em si mesmo para ter atingido a imaginação de tais discípulos, os quais, todavia, não pareciam recordar-se.
É também o que não menos ressalta, do discurso de Jesus acerca do pão do céu, no qual ele se esforça para fazer compreender o sentido verdadeiro da nutrição espiritual: "Trabalhai, diz ele, não para ter a comida que perece, mas aquela que dura por toda a vida eterna, e que o Filho do homem vos dará." Essa alimentação é a sua palavra, que é o pão vindo do céu e que dá vida ao mundo. "Eu sou, diz ele, o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim não terá sede."
Porém, tais distinções eram demasiado sutis para as naturezas brutas dos que o ouviam, e que só compreendiam as coisas tangíveis. O maná que nutria o corpo de seus ancestrais era para eles o verdadeiro pão do céu; ali estava o milagre. Se, pois, a multiplicação dos pães tivesse se realizado materialmente, como é que esses mesmos homens, em cujo proveito ele se havia realizado apenas há poucos dias, teriam sido tão pouco impressionados com ele, para dizer a Jesus: "Qual milagre, pois, fizestes, a fim de que vendo-o, nós vos acreditemos? Que fizeste vós de extraordinário?" É que eles entendiam por milagres, os prodígios que os fariseus exigiam, isto é, sinais no céu, realizados sob ordem, como sob a varinha de um mágico. Aquilo que Jesus fazia era demasiado simples, e não se afastava das leis da Natureza; mesmo as curas não tinham um caráter demais estranho, bastante extraordinário; os milagres espirituais não tinham suficiente substância para eles.
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O PÃO DO ESPÍRITO
E o doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas.”(Atos, 6:2)”.
Consumada a crucificação de Jesus, os apóstolos fundaram uma instituição assistencial denominada "Casa do Caminho", onde abrigavam e socorriam necessitados de todos os matizes.
Esse resfriamento na difusão da Boa Nova levou o grupo de apóstolos a urna reflexão mais profunda, com base naquilo que um dos evangelistas havia registrado: "Eu sou o pão da vida. Vossos pais comeram o maná no deserto, e morreram." (João 6:48/49). Em face de essa situação os apóstolos se reuniram em conselho e deliberaram pedir aos discípulos que escolhessem sete homens íntegros e capazes, a fim de atenderem à tarefa assistencial, liberando-os para a propaganda dos ideais cristãos.
Estevão foi um dos escolhidos para essa espinhosa missão, desempenhando-a até o dia quando foi violentamente retirado da "Casa do Caminho" e apedrejado, com a aquiescência de Paulo de Tarso.
É de relevante importância esta passagem contida nos Atos dos Apóstolos, mostrando
que não se deve procurar socorrer apenas com o pão material, uma vez que é o pão espiritual que sacia toda a fome de conhecimento, levando a criatura à reforma íntima que o Cristo definiu como sendo a conquista do Reino dos Céus.
É inegável que, se os apóstolos tivessem circunscrito suas atividades apenas à "Casa do Caminho" teriam equacionado os problemas de alguns poucos homens, porém, como decorrência a Humanidade teria ficado privada de uma série de ensinamentos, principalmente aqueles contidos nas Epístolas de João, de Pedra e de Tiago. '
O mesmo fenômeno ocorreu com relação a Jesus Cristo. Sendo o médico das almas é óbvio que a finalidade precípua da sua missão na Terra, foi dirigida no sentido de operar nos homens a cura espiritual, a cura de efeito permanente. Curando alguns poucos enfermos do corpo, o seu objetivo era atrair a atenção das massas, para que a semente generosa da sua Doutrina germinasse nos corações de uma quantidade muito maior de homens. O Mestre suspirava pelas curas de conseqüências morais, como o foram aquelas operadas em Maria Madalena, Maria de Betânia e em Zaqueu.
É indubitável que a assistência social dispensada pela "Casa do Caminho" constituía um aspecto importante no quadro da divulgação do Cristianismo, entretanto, o efeito nesse setor era bastante circunscrito e 'dificilmente passaria dos limites da região que lhe servia de sede.
A verdadeira propaganda somente poderia ser exercida através da palavra levada a todos os centros, e isso foi feito graças à inspirada deliberação dos apóstolos, que acharam "que não era razoável servir as mesas, em detrimento da divulgação da palavra de Deus."
A pregação dos apóstolos teve como cenário principal à cidade de Jerusalém, onde eles tiveram residência ordinária até o ano 60, entretanto, também fizeram visitas a outras cidades circunvizinhas, no mister de divulgar o Cristianismo. A tarefa de levar a palavra de Jesus a todo o mundo conhecido coube ao apóstolo Paulo, cuja missão transcendental se destaca mais e mais a nossos olhos, à medida que os séculos se esvaem.
Paulo de Tarso compreendeu a extensão das palavras de Jesus em torno do Pão Espiritual, e levou asa centenas de comunidades, não esquecendo Atenas e Roma, que eram as cidades mais importantes do mundo, naquela época.
O povo israelita vivia empolgado pela ocorrência registrada em Êxodo, Cap. 16, onde se lê que Deus fez cair pão do Céu para aqueles que estavam famintos no deserto, alimentando-os desta forma durante muitos anos. Apesar da produção desse fenômeno, os judeus nada haviam melhorado e após a solução do problema do pão, passaram a exigir de Moisés a solução do problema da água: "Por que nos fizeste subir do Egito, para nos matares de sede, a nós e aos nossos filhos e ao nosso gado?" (Êxodo 17:3).
Quando do advento de Jesus Cristo o mesmo povo ainda estava em pleno endure
cimento, procurando-o para dizer-lhe: "Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito. Deu-lhes a comer o pão do céu" (João, 6:31), o que levou o Mestre a esclarecer: "Na verdade, na verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dará o verdadeiro pão. Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. Eu sou o pão da vida, aquele que vem a mim não terá fome."
O pão verdadeiro, representado pelos ensinamentos evangélicos, é o pão do qual a Humanidade não' pode prescindir - o único que alimenta espiritualmente o homem, propiciando-lhe meios de sentir e viver aquilo que o Evangelho preceitua, apressando deste modo a sua evolução espiritual rumo a uma superior destinação e, equacionando os problemas de todos os matizes que o acometem.
Revista O Semeador – Abril de 1981
Postado por SERGIO RIBEIRO
O Pão da Vida
Livro: A Constituição Divina
Richard Simonetti
“Porque provê a Natureza, por si mesma, a todas as necessidades dos animais”?
“Tudo em a Natureza trabalha. Como tu, trabalham os animais, mas o trabalho deles, de acordo com a inteligência de que dispõem, se limita a cuidarem da própria conservação. Daí vem que do trabalho não lhes resulta progresso, ao passo que o do homem visa duplo fim: a conservação do corpo e o desenvolvimento da faculdade de pensar, o que também é uma necessidade e o eleva acima de si mesmo...” O Livro dos Espíritos – Questão nº 677 (Da Lei do Trabalho)
É elementar que não podemos analisar a Bíblia em seu sentido literal, sob pena de cairmos em infantilidades como a de supor que Deus tenha criado o Universo em seis dias, descansando no sétimo, como se fora um operário cósmico.
Ao longo do Velho Testamento está sempre presente a concepção antropomórfica de um criador à imagem e semelhança do Homem, com os mesmos impulsos passionais, os mesmos desejos e contradições e até a necessidade de descansar.
O Universo, segundo está definido pela Ciência, tem no mínimo quinze bilhões de anos; a Terra, perto de quatro bilhões e meio. São eternidades diante dos acanhados quatro ou cinco mil anos que nos fazem supor os textos bíblicos para o início de tudo.
Da mesma fora, é ridículo, em face do conhecimento atual, conceber que Deus tenha moldado Adão de argila, soprando-lhe a vida, e que uma de suas costelas foi a matéria-prima para o nascimento de Eva. Sabemos hoje que a presença do Homem na Terra representa a culminância de uma evolução que começou há bilhões de anos, com manifestações primitivas de vitalidade, em organismos unicelulares que se desenvolveram lentamente, até atingir a complexidade necessária para a manifestação da inteligência.
A Bíblia revela que Adão e Eva perderam o paraíso por terem cometido o “pecado” de comer o fruto da árvore da ciência do bem e do mal. Um incrível absurdo, se tomado ao pé-da-letra. Imaginemos um pai ameaçando o filho: “Dar-lhe-ei proteção, alimento, moradia e atenção, mas com uma condição: que você permaneça na ignorância. A partir do momento em que se atrever a qualquer empenho de aprendizado eu o expulsarei!” E como Adão e Eva poderiam incorrer em desobediência se, antes de cometerem o “crime” de discernir entre o bem e o mal, não tinham noção do que é certo ou errado, justo ou injusto, obedecer ou desobedecer? Erich Fromm, famoso psicanalista alemão, escreve que o pecado original simboliza a conquista da razão. A partir do momento em que algumas espécies animais, parentes dos símios antropóides, começaram a ensaiar o raciocínio, saíram da Natureza, isto é, deixaram de ser conduzidas e se viram na contingência de caminhar com seus próprios pés. Surgia, assim, o Homem, o ser pensante, que perdia o paraíso ou, mais exatamente, a plena identificação com a vida natural.
O castigo divino, “ganhar o pão de cada dia com o suor do rosto”, registrado na Bíblia, apenas exprime uma contingência imposta pelas necessidades evolutivas do Homem, não mais um simples animal irracional, controlado pelo instinto, mas um ser inteligente chamado a exercitar o livre-arbítrio.
O trabalho configura-se, assim, como uma lei de observância indispensável, não apenas em favor de sua sobrevivência, mas também para que desenvolva a inteligência e supere em definitivo os resquícios da irracionalidade.
No irracional, guiado pelo instinto, o esforço pela subsistência é mínimo. A mãe natureza o atende. No homem, orientado pela razão, que deixou o berço e começa a andar, há uma solicitação bem maior de trabalho que tanto mais complexo se torna quanto maior o seu desenvolvimento intelectual, sofisticando suas necessidades de conforto e bem estar.
O aprimoramento da inteligência é uma bênção, mas lhe impõe dúvidas e incertezas que não existiam no “paraíso”.
A principal delas é saber sobre si mesmo, decifrar os porquês da existência e, sobretudo, descobrir o que há além da dimensão física, já que algo lhe diz, nas profundezas da Alma, que a Vida sobrepõe-se à morte do corpo físico.
Para tanto é preciso trabalhar por um outro tipo de alimento, que muito mais que o mero suor do rosto, exige o desenvolvimento da sensibilidade, a disciplina das emoções e muita humildade, para que, habilitado a enxergar além das limitações físicas, encontre os sinais de sua gloriosa destinação.
Algo desse “pão da vida” foi oferecido ao Homem num instante glorioso da história humana, por um mensageiro divino que se chamou Jesus.
Livro: A Constituição Divina
Richard Simonetti
Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/meditacao-diaria/o-pao-da-vida-16-07-2009/?PHPSESSID=6625d24a82b4d71497d48031d99cf886#ixzz25X5WBwLU
domingo, 2 de setembro de 2012
PODERES OCULTOS
CAMINHO, VERDADE E VIDA- CAP 70-
“E onde quer que ele entrava, fosse nas cidades, nas aldeias ou nos
campos, depunham os enfermos nas praças e lhe rogavam que os deixasse
tocar ao menos na orla de seu vestido; e todos os que nele tocavam,
saravam.” — (MARCOS, capítulo 6, versículo 56.)
Não raro, surgem nas fileiras espiritualistas estudiosos afoitos a
procurarem, de qualquer modo, a aquisição de poderes ocultos que lhes confira
posição de evidência. Comumente, em tais circunstâncias, enchem-se das
afirmativas de grande alcance.
O anseio de melhorar-se, o desejo de equilíbrio, a intenção de manter a
paz, constituem belos propósitos; no entanto, é recomendável que o aprendiz
não se entregue a preocupações de notoriedade, devendo palmilhar o terreno
dessas cogitações com a cautela possível.
Ainda aqui, o Mestre Divino oferece a melho exemplificação.
Ninguém reuniu sobre a Terra tão elevadas expressões de recursos
desconhecidos quanto Jesus. Aos doentes, bastava tocar-lhe as vestiduras
para que se curassem de enfermidades dolorosas; suas mãos devolviam o
movimento aos paralíticos, a visão aos cegos. Entretanto, no dia do Calvário,
vemos o Mestre ferido e ultrajado, sem recorrer aos poderes que lhe
constituíam apanágio divino, em benefício da própria situação. Havendo
cumprido a lei sublime do amor, no serviço do Pai, entregou-se à sua vontade,
em se tratando dos interesses de si mesmo. A lição do Senhor é bastante
significativa.
É compreensível que o discípulo estude e se enriqueça de energias
espirituais, recordando-se, porém, de que, antes do nosso, permanece o bem
dos outros e que esse bem, distribuído no caminho da vida, é a voz que falará
por nós a Deus e aos homens, hoje ou amanhã.
CAMINHO, VERDADE E VIDA (pelo Espírito Emmanuel)
Francisco Cândido Xavier
Multidão e Jesus
Autor:Divaldo Franco (médium)
Amélia Rodrigues (espírito)
Amélia Rodrigues (espírito)
Fonte:Livro: Quando Voltar a Primavera
A multidão! Sempre o Senhor esteve visitado pela multidão.
A multidão, porém, são as chagas sociais, as dores superlativas, as agonias e decepções, as lutas e angústias, as dificuldades.
Em toda parte o Mestre esteve sempre cercado pela multidão.
Por Suas Mãos perpassavam as misericórdias, as blandícias, manifestava-se o amor...
O seu dúlcido e suave olhar penetrava a massa amorfa sob a dor repleta de aflitos e ansiosos, lenindo as desesperações e angústias que penetram as almas como punhais afiados e doridos.
A multidão é o imenso vale de mil nonadas e muitas necessidades humanas mesquinhas, onde fermentam os ódios, e os miasmas da morte semeiam luto e disseminam a peste em avalanche desesperadora num contágio de longo porte...
Ele viera para a multidão, que somos todos nós, os sedentos de paz, os esfaimados de justiça, os atormentados pelo pão do corpo e da alma...
Todos os grandes Missionários desceram das altas planuras para as multidões que são o nadir da Humanidade.
Por isto, sempre encontraremos Jesus cercado pela multidão.
Ele é paz.
Sua presença acalma, diminuindo o fragor da batalha, amainando as guerras de fora quanto os conflitos de dentro.
Ele é amor.
O penetrar do Seu magnetismo dulcifica, fazendo que os valores negativos se convertam em posições refletidas, em aquisições de bênçãos.
Quando Ele passa, asserenam-se as ansiedades.
Rei Solar, onde esteja, haverá sempre a claridade de um perene amanhecer.
*
Ele tomara a barca com os amigos do ministério e vencera o mar na serenidade do dia.
As águas tépidas, aos ósculos do Astro-Rei, refletem o céu azul de nuvens brancas e garças...
Há salmodias que cantam no ar, expectativas que dormem e despertam nos Espíritos...
Chegando às praias de Genesaré, a notícia voa nos pés alígeros da ansiedade e a multidão se adensa...
As informações se alargam pelas aldeias vizinhas, pelos povoados ribeirinhos...
Todos trazem os seus... os seus pacientes, familiares e conhecidos, problemas e querelas...
Exibem chagas purulentas, paralisias, dificuldades morais, misérias e tormentos de toda espécie.
Obsessos ululam, e leprosos choram, cegos clamam, e surdos-mudos atordoam-se.
O estrondo dos atropelos que o egoísmo desatrelado produz, a inquietação individual, o medo de perder-se a oportunidade tumultuam todos; os semblantes se angustiam, os ruídos se fazem perturbadores, enquanto Ele, impávido, sereno, acerca-se e toca, deixando-se to0car... Transfiguram-se as faces, sorriem os rostos antes deformados, movimentam-se os membros hirtos, e os sorrisos, em lírios brancos engastados nas molduras dos lábios arroxeados, abrem-se, exaltam o Rabi, cantam aleluias.
A música da saúde substitui a patética da enfermidade, a paz adorna a fronte fatigada dos guerreiros inglórios.
Partem os que louvam, chegam os que rogam...
Há silêncios que se quebram em ribombar de solicitações contínuas. Há vozes que emudecem na asfixia das lágrimas.
Das fímbrias das Suas vestes, que brilham em claridade desconhecida, desprendem-se as virtudes e estas curam, libertam, asserenam, felicitam...
Genesaré encontra o seu apogeu, encanta-se com o Profeta...
O Rabi, o Aguardado, reveste-se de misericórdia e todos exultam.
*
Narram os evangelistas que naquela visita à cidade formosa e humilde ocorreram todos os milagres que o amor produz.
No entanto, por cima de tais expectativas e conquistas transitórias, Jesus alonga o olhar para o futuro e descortina, além dos painéis porvindouros, a Nova Humanidade destituída das cangas atribulatórias, constringentes e justiçadoras com que o homem se libera, marchando na direção do Pai.
Até este momento, o Senhor sabe que os homens ainda são as suas necessidades imediatas e tormentosas em cantochões de agonia lenta...
Por muitos séculos soarão as vozes das multidões necessitadas e torpes, no festival demorado das lágrimas.
*
Mesmo hoje, evocando os acontecimentos de Genesaré, defrontam-se as multidões, buscando as soluções imediatas para o corpo, no pressuposto de que estão tentando atender o espírito, exculpando-se das paixões, aparentando manter os compromissos com Jesus mediante um comércio infeliz para com as informações e conquistas imperecíveis...
Cristianismo, todavia, é Jesus em nós, insculpido no santuário dos sentimentos, esflorando esperança e fé.
Atendamos à enfermidade, à viuvez, ao abandono, à solidão e à fome sem nos esquecermos de que, revivendo o Mestre Insuperável, os Imortais que ora retornam, buscam, essencialmente, libertar o homem de si mesmo, arrebentando os elos escravocratas que o fixam às mansardas soezes do primitivismo espiritual de cada um, a fim de alçá-lo à luz perene e conduzi-lo às praias da nova Genesaré do amor, onde Ele, até hoje, espera por todos nós, a aturdida multidão de todos os tempos.
O TRIBUTO DO TEMPLO - Pastorino
(abril do ano 30)
Mat. 17:24-27
24. Tendo chegado a Cafarnaum, dirigiram-se a Pedro os que cobravam as duas dracmas
e perguntaram: “Vosso Mestre não paga as duas dracmas"?
25. Respondeu-lhes ele: "Paga". E quando Pedro entrou em casa, antecipou-se Jesus, dizendo;
"Que te parece, Simão: de quem recebem os reis da Terra tributo ou imposto?
de seus filhos ou dos estranhos"?
26. Respondeu Pedro; "Dos estranhos". Jesus disse: "Então os filhos estão isentos ...
27. Mas para que os não escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, e o primeiro peixe
que subir, tira-o; e abrindo-lhe a boca, encontrarás um "státer"; apanha-o e entregalhes
por mim e por ti".
Depois de percorrer a planície de Genesaré, proveniente de Betsaida-Júlias, chega finalmente a comitiva
a Cafarnaum, recolhendo-se cada um a seu lar.
Pouco após a chegada, batem à porta os “cobradores do imposto do Templo”. Jesus residia com Pedro
e é a este, o dono-da-casa, a quem se dirigem os cobradores, perguntando-lhe “se o Mestre não pagava
o imposto de dracmas".
A origem do “imposto do Templo” se prende a Moisés (Êx.30:11-13), quando YHWH ordena que, ao
serem contados os israelitas, de cada um fosse cobrado um tributo de “meio siclo", que correspondia a
vinte gueras. Na época da restauração, Neemias (10:33) baixou a tarifa para um terço de siclo, especificando
ao mesmo tempo a finalidade do imposto: a manutenção do Templo e dos serviços religiosos.
Na época de Jesus, já voltara a ser meio-siclo. O siclo de prata tinha o valor de quatro dólares atuais.
Sua equivalência nas moedas contemporâneas era de quatro denários (moeda romana) e de quatro dracma
(moeda grega). Então, o imposto de meio-siclo correspondia a duas dracmas (a que chamavam
didracma). Para duas pessoas, havia necessidade de quatro dracmas, que perfaziam um "státer".
Mateus chama aos coletores desse imposto hoi tò dícrachma lambánontes, isto é, os recebedores de
didracmas.
A coleta começava: em Jerusalém no dia 25 de adar e fora da capital a 15 de adar, que era o nome do
mês que precedia o de nisan, no qual era celebrada a Páscoa. Deveria terminar a coleta e ser recolhido
o resultado até o dia l.º de nisan, na Sala do Tesouro do Templo, para ser usado com as despesas da
Páscoa. Nas regiões mais distantes o resultado da coleta devia ser enviada a Jerusalém até 15 dias antes
de Pentecostes; e as do exterior deviam chegar até 15 dias antes da Festa dos Tabernáculos, quando
afluíam a Jerusalém os israe1itas da Diáspora. O montante era levado pelos próprios peregrinos de
confiança.
Estavam obrigados ao imposto os israelitas maiores de 20 anos, inclusive os levitas, os prosélitos e os
libertos; eram isentos os menores daquela idade, os escravos, as mulheres e os sacerdotes (sobre o que
muito se discutia). Em vista da crescente fama de Jesus como Messias, os cobradores ficam na dúvida
se Ele não pretendia valer-se da isenção, e interrogam Pedro. Observe-se que a casa é apresentada
como moradia de Jesus (tal como em 13:1 e 36), e não mais essencialmente como casa de Pedro,
(como em 9:14).
Por esse pormenor verificamos que estávamos a um mês da Páscoa, o que confirma o afirmado em
João 6:4.
Pedro responde aos cobradores, sem hesitar: “Paga”! E ao entrar em casa, Jesus “se antecipa" a Ele,
perguntando de quem recebem imposto os reis, se dos filhos ou dos estranhos. A resposta é óbvia. E
lógica a conclusão de Jesus que conscientemente, se sabia filho de Deus, porque Nele já agia o Cristo
Interno em sua plenitude, e não a personalidade filha da carne.
Não obstante, julga dever ser evitado qualquer mal-entendido, ou, como se diz, “escândalo". E resolve,
para satisfazer ao pagamento, dizer que Pedro chegue até a praia e lance o anzol, avisando-lhe que na
boca do primeiro peixe encontrará um "státer”. Com esse "státer", diz Jesus, seria pago seu tributo e,
num gesto de delicada cortesia para com o amigo, acrescenta: "e o teu".
Pergunta-se: 1.º) como teria sido obtido que essa moeda estivesse na boca de um peixe; 2.º) como teria
Jesus tido conhecimento de que lá havia uma moeda; e 3.º) como sabia que esse seria o primeiro peixe
a morder a isca lançada por Pedro.
Logicamente, não estamos em condições de dar resposta certa e definitiva, com cabal garantia do que
houve realmente. Apenas poderemos formular hipóteses. E a única que nos parece viáve1 e aceitável, é
a de que não havia lá nenhuma moeda: mas Jesus, por meio dos espíritos que o rodeavam "e o serviam”
(Mat. 4:11), providenciou para que, na boca do primeiro peixe que mordesse a isca lançada por
Pedro, fosse materializada (ou para lá "transportada") a moeda. O "transporte" é coisa que pode ser
realizada, desde que haja capacidade por parte do agente.
Outra lição para todos os espiritualistas. De modo geral, ao atingir certo grau evolutivo que julgam
ter, os espiritualistas começam a sentir desapego das coisas materiais e procuram evitar quaisquer
pagamentos. Acham que tudo merecem "de graça", pois estão isentos das obrigações terrenas. Realmente
a sensação é justa. Mas para que e por que, ensina o Mestre, escandalizar e suscitar aborrecimentos?
Quem está na Terra, utilizando o corpo físico-denso cujas células todas são tiradas do material
do planeta, e servindo-se diariamente das coisas que o cercam, deve também contribuir para o
aprimoramento e a melhoria física do ambiente em que vivem eles mesmos e os outros irmãos seus.
Seres evoluídos não são apenas os Santos e Místicos, nem somente os Gênios e Artistas: também os
inventores, os construtores, os industriais, os comerciantes, todos enfim que colaboram no progresso
do planeta para conforto e beleza da casa que o Pai fornece gratuitamente para nossa habitação tempor
ária, todos esses são colaboradores valiosos da Obra do Pai, missionários do Alto. Como seria
triste e difícil a Terra sem eles! Que desequilíbrio terrível se verificaria, se os Espíritos atualmente
muito evoluídos, tivessem que habitar um planeta ainda caótico e selvagem, como era este na era
quaternária! O conforto material e o progresso físico também ajudam a evoluir, proporcionando satisfa
ção espiritual e ambiente mental para aquisição de cultura.
Por isso devemos sujeitar-nos aos impostos que nos são solicitados pelas autoridades, a fim de, por
esse meio, compensar a hospedagem que recebem nossos corpos durante nossa estada gratuita neste
imenso e belíssimo albergue que o Pai colocou à nossa disposição.
Mas há outro ponto de vista. É a relação existente entre a individualidade e os corpos físicos. Muitas
vezes a personalidade pede "pagamento" de tributos ao Espírito. São horas de sono para refazimento
das energias dos órgãos; são distrações para repouso dos neurônios cerebrais; são passeios nas
montanhas e no mar para revigorar o sangue com oxigênio novo e puro; é a alimentação para sustentar
as células; são períodos de lassidão para contrabalançar as distensões musculares; são enfim
tantas pequenas exigências de nossos veículos, que PRECISAM ser atendidas. Tudo isso pode ser
comparado ao "imposto do Templo", já que, na realidade, "nosso corpo é o templo de Deus vivo" (2
Cor.6:16) e como tal tem que ser bem cuidado. É o veículo que tomamos ao nascer e que terá que levar-
nos ao termo da viagem sem acidentes provocados por nosso descuido. Muito viríamos a sofrer se
perdêssemos o veículo no meio da viagem por culpa nossa: o que faltasse da estrada teria que ser
feito a pé!
EM GENESARÉ - Pastorino
Mat. 14:34-36
34. Tendo passado para o outro lado, chegaram
à terra de Genesaré.
35. E conhecendo-o os homens daquele lugar,
enviaram a todos os arredores e trouxeramlhe
todos os que tinham enfermidades,
36. e lhe rogavam que os deixasse tocar somente
na borla de seu manto; e todos os que tocaram,
se curaram.
Marc. 6:53-56
53. E tendo atravessado além, chegaram à terra
de Genesaré e atracaram.
54. E saindo do barco, imediatamente a conheceram,
55. e correndo por toda aquela circunvizinhança,
começaram a levar nas macas os que se
achavam doentes, para onde ouviam dizer
que ele estava.
56. E onde quer que ele entrasse, nas aldeias,
ou nas cidades, ou nos campos, punham os
enfermos nas praças e lhe rogavam que os
deixasse tocar ao menos a borla de seu manto;
e todos os que o tocaram, se salvaram.
Pelos dois evangelistas sabemos então que Jesus desembarcou na planície de Genesaré, logo ao sul de
Cafarnaum. Já falamos desse local que, segundo Josefo (Bell Jud. 3, 10, 8) era de suma fertilidade,
produzindo flores e frutos o ano inteiro.
Tocando em terra, Jesus toma a estrada que vai a Cafarnaum, e pelo caminho atravessará diversas aldeias
e vilarejos, pequenas cidades e campos cultivados. Anota Marcos que, ao chegar à terra, "logo o
reconheceram". Por essas palavras percebemos que Jesus ainda não estivera nessa região; mas sendo
ela tão próxima a Cafarnaum, muitos de seus moradores já deviam tê-Lo conhecido, ao vê-Lo na cidade.
Dessa forma, a notícia espalhou-se, e todos os que tinham enfermos os levaram em macas para as localidades
que, se sabia, Ele atravessaria, e os colocavam quer nas praças, quer em locais amplos, para
que ao passar, os doentes tocassem as borlas de seu manto esvoaçante (Núm. 15:38). E pediam que Ele
lhes permitisse tocar nelas, para conseguir a cura. E obtinham-na. E todos "se salvaram" das enfermidades,
dizem as duas testemunhas. Interessante observar, aqui, o sentido do verbo "salvar-se".
Enquanto isso, Jesus continuava o trajeto para seu objetivo, ao mesmo tempo que se afastava de Tiberíades,
onde então estava residindo Herodes Antipas. E "por onde Ele passava, ia beneficiando e curando"
(Cfr. Atos, 10:38).
Aqui temos um exemplo da bondade dos seres evoluídos. Jesus podia ter desembarcado diretamente
em Cafarnaum. Mas preferiu aproveitar a oportunidade e descer à terra mais ao sul, a fim de percorrer
uma região que não visitara antes e, na viagem, distribuir benefícios a todos os enfermos. É um
modo de agir que pode e deve ser imitado por todos os que atingiram o quinto plano evolutivo, do
Serviço. Por onde quer que perambulemos, há sempre numerosas criaturas que necessitam de auxílio,
seja moral ou material, para sua saúde, seu trabalho, seu conforto, sua compreensão das verdades; e
iremos enxugando as lágrimas dos que choram, reajustando os desequilíbrios emocionais, iluminando
as inteligências, numa palavra: beneficiando.
Também em relação a seus próprios veículos, há necessidade, vez por outra, de a individualidade
ocupar-se com eles, "percorrendo-os" a fim de verificar suas deficiências e atendê-las. Essa "viagem
de inspeção" é feita com o que costuma chamar-se "exame de consciência", em que passamos em revista
nossos atos, nossos pensamentos, nossos desejos, nossas emoções, verificando os pontos fracos a
serem fortificados e os excessos a serem controlados. Reequilibrando o nervosismo, acertando rumos,
firmando resoluções, estaremos beneficiando nossos veículos, para que melhormente cumpram suas
obrigações.
Comum é que vivamos tão absorventemente preocupados com as coisas exteriores, que esquecemos
nossas próprias necessidades íntimas. Aprendamos, pois, a permanecer vigilantes, observando tudo o
que se passa em nós mesmos, a fim de prevenir ou remediar a tempo qualquer dificuldade que surja.
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