domingo, 2 de setembro de 2012
PODERES OCULTOS
CAMINHO, VERDADE E VIDA- CAP 70-
“E onde quer que ele entrava, fosse nas cidades, nas aldeias ou nos
campos, depunham os enfermos nas praças e lhe rogavam que os deixasse
tocar ao menos na orla de seu vestido; e todos os que nele tocavam,
saravam.” — (MARCOS, capítulo 6, versículo 56.)
Não raro, surgem nas fileiras espiritualistas estudiosos afoitos a
procurarem, de qualquer modo, a aquisição de poderes ocultos que lhes confira
posição de evidência. Comumente, em tais circunstâncias, enchem-se das
afirmativas de grande alcance.
O anseio de melhorar-se, o desejo de equilíbrio, a intenção de manter a
paz, constituem belos propósitos; no entanto, é recomendável que o aprendiz
não se entregue a preocupações de notoriedade, devendo palmilhar o terreno
dessas cogitações com a cautela possível.
Ainda aqui, o Mestre Divino oferece a melho exemplificação.
Ninguém reuniu sobre a Terra tão elevadas expressões de recursos
desconhecidos quanto Jesus. Aos doentes, bastava tocar-lhe as vestiduras
para que se curassem de enfermidades dolorosas; suas mãos devolviam o
movimento aos paralíticos, a visão aos cegos. Entretanto, no dia do Calvário,
vemos o Mestre ferido e ultrajado, sem recorrer aos poderes que lhe
constituíam apanágio divino, em benefício da própria situação. Havendo
cumprido a lei sublime do amor, no serviço do Pai, entregou-se à sua vontade,
em se tratando dos interesses de si mesmo. A lição do Senhor é bastante
significativa.
É compreensível que o discípulo estude e se enriqueça de energias
espirituais, recordando-se, porém, de que, antes do nosso, permanece o bem
dos outros e que esse bem, distribuído no caminho da vida, é a voz que falará
por nós a Deus e aos homens, hoje ou amanhã.
CAMINHO, VERDADE E VIDA (pelo Espírito Emmanuel)
Francisco Cândido Xavier
Multidão e Jesus
Autor:Divaldo Franco (médium)
Amélia Rodrigues (espírito)
Amélia Rodrigues (espírito)
Fonte:Livro: Quando Voltar a Primavera
A multidão! Sempre o Senhor esteve visitado pela multidão.
A multidão, porém, são as chagas sociais, as dores superlativas, as agonias e decepções, as lutas e angústias, as dificuldades.
Em toda parte o Mestre esteve sempre cercado pela multidão.
Por Suas Mãos perpassavam as misericórdias, as blandícias, manifestava-se o amor...
O seu dúlcido e suave olhar penetrava a massa amorfa sob a dor repleta de aflitos e ansiosos, lenindo as desesperações e angústias que penetram as almas como punhais afiados e doridos.
A multidão é o imenso vale de mil nonadas e muitas necessidades humanas mesquinhas, onde fermentam os ódios, e os miasmas da morte semeiam luto e disseminam a peste em avalanche desesperadora num contágio de longo porte...
Ele viera para a multidão, que somos todos nós, os sedentos de paz, os esfaimados de justiça, os atormentados pelo pão do corpo e da alma...
Todos os grandes Missionários desceram das altas planuras para as multidões que são o nadir da Humanidade.
Por isto, sempre encontraremos Jesus cercado pela multidão.
Ele é paz.
Sua presença acalma, diminuindo o fragor da batalha, amainando as guerras de fora quanto os conflitos de dentro.
Ele é amor.
O penetrar do Seu magnetismo dulcifica, fazendo que os valores negativos se convertam em posições refletidas, em aquisições de bênçãos.
Quando Ele passa, asserenam-se as ansiedades.
Rei Solar, onde esteja, haverá sempre a claridade de um perene amanhecer.
*
Ele tomara a barca com os amigos do ministério e vencera o mar na serenidade do dia.
As águas tépidas, aos ósculos do Astro-Rei, refletem o céu azul de nuvens brancas e garças...
Há salmodias que cantam no ar, expectativas que dormem e despertam nos Espíritos...
Chegando às praias de Genesaré, a notícia voa nos pés alígeros da ansiedade e a multidão se adensa...
As informações se alargam pelas aldeias vizinhas, pelos povoados ribeirinhos...
Todos trazem os seus... os seus pacientes, familiares e conhecidos, problemas e querelas...
Exibem chagas purulentas, paralisias, dificuldades morais, misérias e tormentos de toda espécie.
Obsessos ululam, e leprosos choram, cegos clamam, e surdos-mudos atordoam-se.
O estrondo dos atropelos que o egoísmo desatrelado produz, a inquietação individual, o medo de perder-se a oportunidade tumultuam todos; os semblantes se angustiam, os ruídos se fazem perturbadores, enquanto Ele, impávido, sereno, acerca-se e toca, deixando-se to0car... Transfiguram-se as faces, sorriem os rostos antes deformados, movimentam-se os membros hirtos, e os sorrisos, em lírios brancos engastados nas molduras dos lábios arroxeados, abrem-se, exaltam o Rabi, cantam aleluias.
A música da saúde substitui a patética da enfermidade, a paz adorna a fronte fatigada dos guerreiros inglórios.
Partem os que louvam, chegam os que rogam...
Há silêncios que se quebram em ribombar de solicitações contínuas. Há vozes que emudecem na asfixia das lágrimas.
Das fímbrias das Suas vestes, que brilham em claridade desconhecida, desprendem-se as virtudes e estas curam, libertam, asserenam, felicitam...
Genesaré encontra o seu apogeu, encanta-se com o Profeta...
O Rabi, o Aguardado, reveste-se de misericórdia e todos exultam.
*
Narram os evangelistas que naquela visita à cidade formosa e humilde ocorreram todos os milagres que o amor produz.
No entanto, por cima de tais expectativas e conquistas transitórias, Jesus alonga o olhar para o futuro e descortina, além dos painéis porvindouros, a Nova Humanidade destituída das cangas atribulatórias, constringentes e justiçadoras com que o homem se libera, marchando na direção do Pai.
Até este momento, o Senhor sabe que os homens ainda são as suas necessidades imediatas e tormentosas em cantochões de agonia lenta...
Por muitos séculos soarão as vozes das multidões necessitadas e torpes, no festival demorado das lágrimas.
*
Mesmo hoje, evocando os acontecimentos de Genesaré, defrontam-se as multidões, buscando as soluções imediatas para o corpo, no pressuposto de que estão tentando atender o espírito, exculpando-se das paixões, aparentando manter os compromissos com Jesus mediante um comércio infeliz para com as informações e conquistas imperecíveis...
Cristianismo, todavia, é Jesus em nós, insculpido no santuário dos sentimentos, esflorando esperança e fé.
Atendamos à enfermidade, à viuvez, ao abandono, à solidão e à fome sem nos esquecermos de que, revivendo o Mestre Insuperável, os Imortais que ora retornam, buscam, essencialmente, libertar o homem de si mesmo, arrebentando os elos escravocratas que o fixam às mansardas soezes do primitivismo espiritual de cada um, a fim de alçá-lo à luz perene e conduzi-lo às praias da nova Genesaré do amor, onde Ele, até hoje, espera por todos nós, a aturdida multidão de todos os tempos.
O TRIBUTO DO TEMPLO - Pastorino
(abril do ano 30)
Mat. 17:24-27
24. Tendo chegado a Cafarnaum, dirigiram-se a Pedro os que cobravam as duas dracmas
e perguntaram: “Vosso Mestre não paga as duas dracmas"?
25. Respondeu-lhes ele: "Paga". E quando Pedro entrou em casa, antecipou-se Jesus, dizendo;
"Que te parece, Simão: de quem recebem os reis da Terra tributo ou imposto?
de seus filhos ou dos estranhos"?
26. Respondeu Pedro; "Dos estranhos". Jesus disse: "Então os filhos estão isentos ...
27. Mas para que os não escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, e o primeiro peixe
que subir, tira-o; e abrindo-lhe a boca, encontrarás um "státer"; apanha-o e entregalhes
por mim e por ti".
Depois de percorrer a planície de Genesaré, proveniente de Betsaida-Júlias, chega finalmente a comitiva
a Cafarnaum, recolhendo-se cada um a seu lar.
Pouco após a chegada, batem à porta os “cobradores do imposto do Templo”. Jesus residia com Pedro
e é a este, o dono-da-casa, a quem se dirigem os cobradores, perguntando-lhe “se o Mestre não pagava
o imposto de dracmas".
A origem do “imposto do Templo” se prende a Moisés (Êx.30:11-13), quando YHWH ordena que, ao
serem contados os israelitas, de cada um fosse cobrado um tributo de “meio siclo", que correspondia a
vinte gueras. Na época da restauração, Neemias (10:33) baixou a tarifa para um terço de siclo, especificando
ao mesmo tempo a finalidade do imposto: a manutenção do Templo e dos serviços religiosos.
Na época de Jesus, já voltara a ser meio-siclo. O siclo de prata tinha o valor de quatro dólares atuais.
Sua equivalência nas moedas contemporâneas era de quatro denários (moeda romana) e de quatro dracma
(moeda grega). Então, o imposto de meio-siclo correspondia a duas dracmas (a que chamavam
didracma). Para duas pessoas, havia necessidade de quatro dracmas, que perfaziam um "státer".
Mateus chama aos coletores desse imposto hoi tò dícrachma lambánontes, isto é, os recebedores de
didracmas.
A coleta começava: em Jerusalém no dia 25 de adar e fora da capital a 15 de adar, que era o nome do
mês que precedia o de nisan, no qual era celebrada a Páscoa. Deveria terminar a coleta e ser recolhido
o resultado até o dia l.º de nisan, na Sala do Tesouro do Templo, para ser usado com as despesas da
Páscoa. Nas regiões mais distantes o resultado da coleta devia ser enviada a Jerusalém até 15 dias antes
de Pentecostes; e as do exterior deviam chegar até 15 dias antes da Festa dos Tabernáculos, quando
afluíam a Jerusalém os israe1itas da Diáspora. O montante era levado pelos próprios peregrinos de
confiança.
Estavam obrigados ao imposto os israelitas maiores de 20 anos, inclusive os levitas, os prosélitos e os
libertos; eram isentos os menores daquela idade, os escravos, as mulheres e os sacerdotes (sobre o que
muito se discutia). Em vista da crescente fama de Jesus como Messias, os cobradores ficam na dúvida
se Ele não pretendia valer-se da isenção, e interrogam Pedro. Observe-se que a casa é apresentada
como moradia de Jesus (tal como em 13:1 e 36), e não mais essencialmente como casa de Pedro,
(como em 9:14).
Por esse pormenor verificamos que estávamos a um mês da Páscoa, o que confirma o afirmado em
João 6:4.
Pedro responde aos cobradores, sem hesitar: “Paga”! E ao entrar em casa, Jesus “se antecipa" a Ele,
perguntando de quem recebem imposto os reis, se dos filhos ou dos estranhos. A resposta é óbvia. E
lógica a conclusão de Jesus que conscientemente, se sabia filho de Deus, porque Nele já agia o Cristo
Interno em sua plenitude, e não a personalidade filha da carne.
Não obstante, julga dever ser evitado qualquer mal-entendido, ou, como se diz, “escândalo". E resolve,
para satisfazer ao pagamento, dizer que Pedro chegue até a praia e lance o anzol, avisando-lhe que na
boca do primeiro peixe encontrará um "státer”. Com esse "státer", diz Jesus, seria pago seu tributo e,
num gesto de delicada cortesia para com o amigo, acrescenta: "e o teu".
Pergunta-se: 1.º) como teria sido obtido que essa moeda estivesse na boca de um peixe; 2.º) como teria
Jesus tido conhecimento de que lá havia uma moeda; e 3.º) como sabia que esse seria o primeiro peixe
a morder a isca lançada por Pedro.
Logicamente, não estamos em condições de dar resposta certa e definitiva, com cabal garantia do que
houve realmente. Apenas poderemos formular hipóteses. E a única que nos parece viáve1 e aceitável, é
a de que não havia lá nenhuma moeda: mas Jesus, por meio dos espíritos que o rodeavam "e o serviam”
(Mat. 4:11), providenciou para que, na boca do primeiro peixe que mordesse a isca lançada por
Pedro, fosse materializada (ou para lá "transportada") a moeda. O "transporte" é coisa que pode ser
realizada, desde que haja capacidade por parte do agente.
Outra lição para todos os espiritualistas. De modo geral, ao atingir certo grau evolutivo que julgam
ter, os espiritualistas começam a sentir desapego das coisas materiais e procuram evitar quaisquer
pagamentos. Acham que tudo merecem "de graça", pois estão isentos das obrigações terrenas. Realmente
a sensação é justa. Mas para que e por que, ensina o Mestre, escandalizar e suscitar aborrecimentos?
Quem está na Terra, utilizando o corpo físico-denso cujas células todas são tiradas do material
do planeta, e servindo-se diariamente das coisas que o cercam, deve também contribuir para o
aprimoramento e a melhoria física do ambiente em que vivem eles mesmos e os outros irmãos seus.
Seres evoluídos não são apenas os Santos e Místicos, nem somente os Gênios e Artistas: também os
inventores, os construtores, os industriais, os comerciantes, todos enfim que colaboram no progresso
do planeta para conforto e beleza da casa que o Pai fornece gratuitamente para nossa habitação tempor
ária, todos esses são colaboradores valiosos da Obra do Pai, missionários do Alto. Como seria
triste e difícil a Terra sem eles! Que desequilíbrio terrível se verificaria, se os Espíritos atualmente
muito evoluídos, tivessem que habitar um planeta ainda caótico e selvagem, como era este na era
quaternária! O conforto material e o progresso físico também ajudam a evoluir, proporcionando satisfa
ção espiritual e ambiente mental para aquisição de cultura.
Por isso devemos sujeitar-nos aos impostos que nos são solicitados pelas autoridades, a fim de, por
esse meio, compensar a hospedagem que recebem nossos corpos durante nossa estada gratuita neste
imenso e belíssimo albergue que o Pai colocou à nossa disposição.
Mas há outro ponto de vista. É a relação existente entre a individualidade e os corpos físicos. Muitas
vezes a personalidade pede "pagamento" de tributos ao Espírito. São horas de sono para refazimento
das energias dos órgãos; são distrações para repouso dos neurônios cerebrais; são passeios nas
montanhas e no mar para revigorar o sangue com oxigênio novo e puro; é a alimentação para sustentar
as células; são períodos de lassidão para contrabalançar as distensões musculares; são enfim
tantas pequenas exigências de nossos veículos, que PRECISAM ser atendidas. Tudo isso pode ser
comparado ao "imposto do Templo", já que, na realidade, "nosso corpo é o templo de Deus vivo" (2
Cor.6:16) e como tal tem que ser bem cuidado. É o veículo que tomamos ao nascer e que terá que levar-
nos ao termo da viagem sem acidentes provocados por nosso descuido. Muito viríamos a sofrer se
perdêssemos o veículo no meio da viagem por culpa nossa: o que faltasse da estrada teria que ser
feito a pé!
EM GENESARÉ - Pastorino
Mat. 14:34-36
34. Tendo passado para o outro lado, chegaram
à terra de Genesaré.
35. E conhecendo-o os homens daquele lugar,
enviaram a todos os arredores e trouxeramlhe
todos os que tinham enfermidades,
36. e lhe rogavam que os deixasse tocar somente
na borla de seu manto; e todos os que tocaram,
se curaram.
Marc. 6:53-56
53. E tendo atravessado além, chegaram à terra
de Genesaré e atracaram.
54. E saindo do barco, imediatamente a conheceram,
55. e correndo por toda aquela circunvizinhança,
começaram a levar nas macas os que se
achavam doentes, para onde ouviam dizer
que ele estava.
56. E onde quer que ele entrasse, nas aldeias,
ou nas cidades, ou nos campos, punham os
enfermos nas praças e lhe rogavam que os
deixasse tocar ao menos a borla de seu manto;
e todos os que o tocaram, se salvaram.
Pelos dois evangelistas sabemos então que Jesus desembarcou na planície de Genesaré, logo ao sul de
Cafarnaum. Já falamos desse local que, segundo Josefo (Bell Jud. 3, 10, 8) era de suma fertilidade,
produzindo flores e frutos o ano inteiro.
Tocando em terra, Jesus toma a estrada que vai a Cafarnaum, e pelo caminho atravessará diversas aldeias
e vilarejos, pequenas cidades e campos cultivados. Anota Marcos que, ao chegar à terra, "logo o
reconheceram". Por essas palavras percebemos que Jesus ainda não estivera nessa região; mas sendo
ela tão próxima a Cafarnaum, muitos de seus moradores já deviam tê-Lo conhecido, ao vê-Lo na cidade.
Dessa forma, a notícia espalhou-se, e todos os que tinham enfermos os levaram em macas para as localidades
que, se sabia, Ele atravessaria, e os colocavam quer nas praças, quer em locais amplos, para
que ao passar, os doentes tocassem as borlas de seu manto esvoaçante (Núm. 15:38). E pediam que Ele
lhes permitisse tocar nelas, para conseguir a cura. E obtinham-na. E todos "se salvaram" das enfermidades,
dizem as duas testemunhas. Interessante observar, aqui, o sentido do verbo "salvar-se".
Enquanto isso, Jesus continuava o trajeto para seu objetivo, ao mesmo tempo que se afastava de Tiberíades,
onde então estava residindo Herodes Antipas. E "por onde Ele passava, ia beneficiando e curando"
(Cfr. Atos, 10:38).
Aqui temos um exemplo da bondade dos seres evoluídos. Jesus podia ter desembarcado diretamente
em Cafarnaum. Mas preferiu aproveitar a oportunidade e descer à terra mais ao sul, a fim de percorrer
uma região que não visitara antes e, na viagem, distribuir benefícios a todos os enfermos. É um
modo de agir que pode e deve ser imitado por todos os que atingiram o quinto plano evolutivo, do
Serviço. Por onde quer que perambulemos, há sempre numerosas criaturas que necessitam de auxílio,
seja moral ou material, para sua saúde, seu trabalho, seu conforto, sua compreensão das verdades; e
iremos enxugando as lágrimas dos que choram, reajustando os desequilíbrios emocionais, iluminando
as inteligências, numa palavra: beneficiando.
Também em relação a seus próprios veículos, há necessidade, vez por outra, de a individualidade
ocupar-se com eles, "percorrendo-os" a fim de verificar suas deficiências e atendê-las. Essa "viagem
de inspeção" é feita com o que costuma chamar-se "exame de consciência", em que passamos em revista
nossos atos, nossos pensamentos, nossos desejos, nossas emoções, verificando os pontos fracos a
serem fortificados e os excessos a serem controlados. Reequilibrando o nervosismo, acertando rumos,
firmando resoluções, estaremos beneficiando nossos veículos, para que melhormente cumpram suas
obrigações.
Comum é que vivamos tão absorventemente preocupados com as coisas exteriores, que esquecemos
nossas próprias necessidades íntimas. Aprendamos, pois, a permanecer vigilantes, observando tudo o
que se passa em nós mesmos, a fim de prevenir ou remediar a tempo qualquer dificuldade que surja.
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
JESUS CAMINHA SOBRE AS ÁGUAS
(site : “searadomestre.com.br”)
Lembrando o episódio em que Jesus caminha sobre as águas e socorre o discípulo Pedro.
Desesperado... afundando nas ondas agitadas! O que aconteceu com Pedro? Ele e os outros discípulos estavam numa barca atravessando para outra margem. Jesus os vê na barca agitada pelo vento forte e vai ao encontro deles, caminhando sobre o mar. Pedro, vendo Jesus, pede-lhe para ir até Ele. ”Vem”, Jesus diz. Pedro sai do barco e vai andando... Enquanto confia em Jesus, ele fica de pé sobre as águas! Mas... a “violência do vento redobrou”. Pedro teve medo e afunda gritando: “Senhor, salva-me!” “No mesmo instante, Jesus estendeu-lhe a mão, segurou-o e lhe disse”: "Homem de pouca fé, por que duvidaste?"
Ao gritar “Senhor”, Pedro afirma que está diante Daquele que tudo pode sobre terra, céu e mar. Ao gritar - “salva-me” - está diante Daquele que se faz Misericórdia, socorrendo a todos que Lhe pedem. Pedro via acontecer isso... Mesmo assim, Pedro tem medo...
Na pergunta que faz a Pedro, o Senhor está ensinando que não basta ter confiança quando tudo está tranquilo, mas manter a fé mesmo na tempestade! Como nos identificamos com Pedro, não é mesmo?
Mas ele também nos ensina! Ele mostra que o discípulo de Jesus não é aquele que nunca afunda, mas o que sempre volta a confiar. Quantas vezes acontecem coisas semelhantes conosco!... Quando as ondas do mar da vida se agitam e parece que nosso barco vai virar. Sim... Clamamos por Jesus. Ele diz “vem”, e até damos passos na sua direção. Mas de repente o vento sopra mais forte, as ondas dos problemas se agigantam... E temos medo... O medo nos paralisa. Impede de percebermos as mãos fortes de Jesus segurando a nossa para não afundarmos. Mas as mãos de Jesus estarão sempre lá, quando necessitamos delas.
Quando estivermos com medo, basta nos lembrar de confiar em Jesus, Ele há de segurar nossa mão com a firmeza com que segurou a de Pedro.
PRECIOSAS LIÇÕES: JESUS ANDA SOBRE AS ÁGUAS !
(site : fruto do espírito)
"Tende bom ânimo! Sou eu. Não temais"
Mateus 14. 27
O episódio de Jesus andando sobre as águas nos traz grandes e preciosas lições e mensagens :
1 * Em meio a suas lutas, clame a Deus e obtenha preciosos resultados. Pedro fez isso. Se Jesus andava por sobre as águas, por que ele também não poderia fazer ?
. Sua atitude certamente maravilhou o Mestre, que o atendeu prontamente. Se Jesus venceu a gravidade, Pedro também poderia vencer. Essa é a correta atitude do cristão: se Jesus pôde fazer uma coisa, então você pode fazer também. Se ele venceu as enfermidades, nós também temos vitórias sobre elas. Se Ele tinha poder sobre os demônios, nós também o temos.
2 * Mesmo que você não saiba onde Jesus está pode ter a certeza de que Ele sabe onde você está. Jesus sabia onde estava Pedro e o chamou a caminhar em Sua direção. Também lhe estendeu a mão quando estava afundando. Deus sabe exatamente onde você se encontra. Mesmo que sua visão espiritual seja tão pequena a ponto de não poder vê-Lo, ouça Sua Palavra e caminhe em Sua direção.
3 * Deus sempre aparece nas águas turbulentas de sua luta. Não pense que está só. Jamais imagine-se abandonado. Mesmo que parentes e amigos o abandonem, Deus está com você. Se tão-somente olhar para Ele na hora da tribulação e da angústia, Ele lhe estenderá a mão.
4 * Sua pequena fé é importante para Deus. A fé de Pedro não foi suficiente para fazê-lo andar tranqüilamente sobre as águas, mas certamente o fez dar boa caminhada até ser alcançado pelo Mestre. Sua pequena fé fê-lo sair do barco e dar os primeiros passos, e isso é muito importante para Deus. É o começo...
Ainda que sua fé seja muito pequena hoje, use-a e verá os resultados amanhã... Pedro tornou-se um dos maiores apóstolos na Igreja Primitiva, graças a lições como esta.
5 * O amor a Deus ajuda nas falhas e lutas. Pedro obedeceu imediatamente à voz de Jesus quando chamou-o a ir ter com Ele. Essa obediência operou o milagre. Muitas vezes queremos que Deus opere um milagre sem que estejamos em condições de obedecer a Ele.
6 * Olhando para Jesus ficamos sempre por cima. Enquanto Pedro olhava para o Mestre, caminhava sobre as águas; mas, quando olhou para a força do vento, começou a afundar. Não podemos dar atenção ou valor às coisas deste mundo, desde que não estejam sendo usadas para edificação do Reino de Deus. Jesus é o nosso modelo, a nossa meta final. Olhando para Ele, estamos seguros.
7 * Jesus é real. Quando Jesus apareceu perto do barco andando sobre as águas, os discípulos ficaram apavorados e gritaram, pensando estar vendo um fantasma. Ainda hoje, por mais que o Evangelho seja pregado e ensinado no mundo, ainda existem muitas pessoas para quem Jesus não passa de uma "alma do outro mundo", de um "espírito desencarnado" ou de um deus distante da realidade humana. Saiba, querido leitor, que Jesus foi um personagem histórico real e que após sua ressurreição apareceu de forma real a seus discípulos. Hoje também Ele é real para nós.
Parábolas e Ensinos de Jesus
( Cairbar Schutel )
A vida de Jesus e seus feitos são verdadeiramente maravilhosos. O seu poder dominavatodos os elementos; a sua sabedoria conhecia todos os mistérios; por isso a sua ação era prodigiosa.Médium Divino que resumiu todos os
dons
e conversava com todos os grandes Profetas do Alémque o seguiam em sua Missão e o auxiliavam, Ele caminha por sobre o mar a pés enxutos, deacordo com a
lei da levitação dos corpos
que o Espiritismo ensina e explica atualmente.Seus discípulos, vendo-o caminhar sobre as águas, e como era noite, não o conheceramdistintamente, julgando tratar-se da aparição de algum Espírito, fato que parece, tinham jáobservado várias vezes, dado o temor que lhes sobreveio e sua exclamação: “É um fantasma!”Depois de o Mestre se haver dado a conhecer, foram tomados de confiança e Pedrosuplicou-lhe permissão para ir ao seu encontro “por cima das águas”Acedendo Jesus, Pedro sai da barca envolto nos fluidos de seu Mestre, e também auxiliadona levitação pelos Espíritos que acompanhavam a Jesus, até que, vacilando, isto é, perdendo a fé,perdeu o auxílio superior e se foi submergindo!Reconhecendo, cheio de temor, o desamparo divino, apela novamente para Jesus, sendo poreste amparado; ao contacto com o Nazareno, volta-lhe a fé, e foi transportado para a barca emcompanhia do Mestre.Este fato maravilhou tanto aos que estavam na barca, que adoraram a Jesus, dizendo:“Verdadeiramente és Filho de Deus!”
Jesus Anda Sobre o Mar - Pedro Sobre o Mar
(site: rudecruz.com)
Na quarta vigília (entre 3h e 6h da madrugada), no pior momento, vem Jesus caminhando sobre as àguas. Eles se apavoram com aquela visão. Tinha jeito de ser Jesus, parecia coisa de Jesus, era algo que só Jesus podia fazer, mas eles não o reconhecem: É um fantasma!
Isso porque não esperavam o mestre caminhando sobre o mar. Eles haviam deixado um barco para o senhor. Estavam na expectativa de avistar Jesus no barco que deixaram pra ele. Esperavam que ele os alcançasse dentro dos preceitos, formato e meios humanos. Mas o mestre veio de uma forma própria de Deus.
Isso acontece com a religião que muitas vezes tenta ajudar a Deus. E dão um formato a ele. Estabelecem a forma como ele tem que agir. O vestem com um tipo cultural. Traçam dele um esteriótipo. Calculam até "um modus operandi", de forma a não reconhecê-lo.
O barco em que estavam os discípulos, representava os recursos materiais desta vida. Pedro porém desce do barco para andar sobre o mar. Ou seja, ele deixa os recursos humanos e materiais, e passa a confiar somente na palavra de Jesus que o chamou a caminhar também sobre as águas.
Entretanto, no meio do caminho, Pedro deixa de dar a sua atenção à Jesus e passa a se preocupar com o vento (que soprava forte) e com as altas ondas do mar. Pedro então enche-se de medo e começa a afundar. Ainda assim, ele clama por Jesus que prontamente o socorre.
E é assim mesmo que acontece. Temos que deixar de confiar nos recursos materiais e passar a confiar na palavra de Jesus. Ele mesmo nos convida a passear sobre um mar de tempestades, um mar de problemas que possam nos atingir.
Muitas vezes ficamos presos à materialidade. Temos medo de nos arriscar no mundo da fé. Os discípulos que ficaram naquele barco, não puderam experimentar do poder de Jesus. Pedro porém, caminhou sobre o mar.
O mestre os mostrou que com barco ou sem barco, ele é senhor de tudo e pode nos fazer andar com ele sobre as águas. Ele pode te fazer caminhar sobre as dificuldades e problemas que você tem enfrentado.
Mas você precisa sair do barco, precisa confiar na palavra de Jesus. E não olhe o vento. Não olhe as ondas. Veja somente Jesus.
Lembre-se de que mesmo que submerjas, as mãos do mestre te trarão à tona pra andar e caminhar com ele em segurança.
Jesus e a FÉ
(Momento Espírita - www.momento.com.br )
No cair da tarde, foi que tudo aconteceu. A barca se encontrava em meio ao mar da Galiléia, trazendo no seu bojo a esperança daqueles homens habituados ao trato rude das redes, dos remos, da labuta incansável.
Enquanto se detinham envolvidos na tarefa, um deles ergueu os olhos e deu o alarme: “Olhem!”
Seu dedo apontava na direção da margem de onde, naquele crepúsculo quase noite um vulto de vestes brancas se aproximava. O vento fazia com que o que vestia se enrolasse em seu corpo, mostrando uma silhueta alta e magra recortada contra o céu de cores que morriam.
O primeiro momento foi de susto e inquietação. O que seria? Ou quem seria? Eram as indagações que passavam pelas mentes dos pescadores assustados.
Acostumados a tudo, enfrentaram com destemor, firmaram a vista no intuito de descobrir se seria uma miragem, um fantasma, uma assombração.
Então, um dos apóstolos gritou: “É o Senhor!”
Um misto de temor e emoção invadiu os corações. Pedro, de imediato, foi ao fundo da barca e tratou de cobrir a nudez com a túnica, demonstrando o respeito que tinha pelo seu Rabi.
Tornou ao posto anterior e observando que o vulto prosseguia na direção da embarcação, andando sobre as águas, falou:
- “Senhor, se és mesmo o nosso Rabi, ordena que eu vá ao Teu encontro”.
O que poderia parecer um desafio ou uma desconfiança não chegou aos ouvidos de Jesus desta forma. Entendendo o arroubo do apóstolo devotado, que desejava partilhar daquele fenômeno inusitado, estendeu a mão e ordenou: “Vem.”
Pedro saiu da barca e começou a andar na direção do Cristo. Os seus olhos se cravaram no imenso azul dos olhos de Jesus, que pareciam brilhar de forma estranha, naquela tarde-noite.
Contudo, antes que seus dedos tocassem as mãos do divino Amigo, sentindo-lhe as forças que o sustentariam, os ventos se fizeram mais fortes e o apóstolo teve medo.
Por um rápido instante, seu olhar buscou a água por sobre a qual caminhava e, dando-se conta que nenhum apoio físico o sustentava, encheu-se de pavor.
“- Salva-me, Senhor.”
E seu corpo mergulhou pesado no seio das águas, acudido de pronto pelas mãos de Jesus.
- “Homem de pouca fé, por que duvidaste?”
Homem de pouca fé somos muitos de nós. Jesus vem ao nosso encontro, no crepúsculo das nossas dores, demonstrando pela serenidade que tudo está bem. Logo mais, traduz a Sua paz, haverão de cessar as tormentas.
Estendendo-se as mãos, dispomo-nos a ir ter com Ele. Mas, se a meio caminho, sopram os ventos da adversidade, vacilamos. Exatamente como Pedro, mergulhamos nas águas profundas da tristeza e da melancolia, de onde, nem sempre somos retirados de pronto.
Falta-nos fé. Essa fé que é a certeza da Presença Divina e do apoio constante do Amor não amado.
* * *
Jesus é esse norte que nos assiste. Mesmo que as tempestades rujam e balancem as estruturas ao nosso redor, Ele permanece firme, no leme das nossas vidas.
Não permitiremos que a chama da fé apague na candeia das nossas almas. Ao contrário, ante a sua claridade, andemos com passos seguros, buscando o porto da esperança e a margem da paz.
Colaboração de Rodrigo Guerra
domingo, 5 de agosto de 2012
JESUS ANDA SOBRE A ÁGUA - Pastorino
Mat. 14:24.33
24. E o barco estava agora no
meio do mar (a muitos está-
dios da terra) açoitado pelas
ondas, porque o vento era
contrário.
25. À quarta vigília da noite ele
veio ter com eles, caminhando sobre o mar.
26. Os discípulos ao vê-lo a andar sobre o mar ficaram
aterrorizados e exclamaram:
"é um fantasma', e gritaram
de medo.
27. Mas Jesus imediatamente
lhes falou: "Tende coragem,
sou eu, não temais"!
28. Respondendo-lhe, disse Pedro: "Se és tu, senhor, ordena que eu vá a ti por cima
das águas".
29. E ele disse: "Vem". E saindo
Pedro do barco, andou sobre
as águas para ir ter com
Jesus.
30. Quando porém sentiu o vento forte, teve medo e, come-
çando a submergir, gritou:
"salva-me, Senhor"!
31. No mesmo instante, estendendo a mão, segurou-o e
disse-lhe: "ó pequena fé, por
que duvidaste"?
32. E entrando ambos no barco,
cessou o vento.
33. Então os que estavam no
barco prostraram-se ante
ele, dizendo: "verdadeiramente és um Filho de Deus".
Marc. 6:47-52
47. À tardinha achava-se o barco no meio do mar, e ele sozinho em terra.
48. E viu-os embaraçados em
remar, porque o vento lhes
era contrário; e pela quarta
vigília da noite foi ter com
eles, andando sobre o mar, e
queria passar-lhes adiante.
49. Vendo-o eles, porém, a andar sobre o mar, pensaram
que era um fantasma e gritaram,
50. porque todos o viram e ficaram aterrorizados. Mas no
mesmo instante falando
com eles, disse: "Tende coragem, sou eu, não temais"!
51. E veio a eles no barco e cessou o vento; e eles se encheram de grande pasmo.
52. Pois não haviam compreendido a demonstração dos
pães; ao contrário, o cora-
ção deles estava endurecido.
João, 6; 16-21
16. Chegada a tarde, desceram seus discípulos ao
mar,
17. e, entrando num barco,
atravessaram o mar para
ir a Cafarmaum. E já se
tornara escuro, e Jesus
ainda não tinha vindo ter
com eles.
18. E o mar, ao sofrer grande
vento, se agitava.
19. Tendo remado uns vinte e
cinco a trinta estádios, viram a Jesus andando sobre o mar e aproximando-se do barco, e ficaram
com medo.
20. Mas ele lhes disse: "sou
eu, não temais"!
21. Desejavam então recebê-
lo no barco, e imediatamente o barco chegou à
terra para onde iam.
Pelo texto de João, compreendemos que os discípulos desceram à praia e permaneceram perto do barco, onde ficaram esperançosos de que Jesus viesse alcançá-los. Entretanto, "já se tornara escuro e Ele
não viera". Resolveram, então, partir.
Uma vez embarcados, os discípulos encontram vento contrário bastante forte, o que era comum no
lago (cfr. visto antes) , tanto que não haviam chegado à outra margem "na quarta vigília da noite", isto
é, entre 3 e 6 h da manhã. Após o domínio romano na Palestina, os israelitas passaram a dividir a noite
(de 18 às 6 h) em quatro vigílias (em vez de três como era tradicional entre eles), vigílias essas iguais
no comprimento, sendo mais longas no inverno quando as noites eram maiores, e bem menores no
verão. A primeira (das 18 às 21 h.), a noite; a segunda (das 21 às 24 h), a noite fechada; a terceira (das
24 às 3 h) o cantar do galo; e a quarta ( das 3 às 6 h) a alvorada ou manh„.
Ora, à "noitinha" (opsÌas), do montículo onde se achava, Jesus já vira os discípulos a lutar contra o
vento; e a travessia, mesmo na parte mais larga do lago (12 km) era feita, no máximo, em 2 a 3 horas.
E ali eles não estavam na parte mais larga. Mas, às 3 ou 4 horas da manhã eles só haviam avançado
"25 a 30 estádios" (segundo João), anotação que parece ter sido introduzida em Mateus posteriormente, pois só aparece em alguns manuscritos ("a muitos estádios da terra"). O estádio media cerca de 185
metros; portanto, eles só se haviam adiantada cerca de 5 km da margem.
Continuava a luta contra o vento, e os discípulos remavam esforçadamente, para alcançarem rápido a
outra margem, talvez imaginando que o Mestre seguiria a pé e lá chegaria antes deles, para esperá-los.
Repentinamente percebem, assustadíssimos, um vulto branco a caminhar calmamente sobre o mar encapelado pelo vento ... O que seria? Quem seria? Olham melhor: é uma forma humana ... aproxima-se
... só pode ser um fantasma! E os fantasmas eram considerados de mau agouro (cfr. Sab. 17:4, 14-15;
Josefo, Ant. Jud. 13, 12, 1 e 17, 13, 3-5). O medo foi crescendo, eriçando os cabelos, arrepiando a pele,
e aqueles pescadores rudes, homens fortes e barbados, não tiveram outro remédio senão ... gritar "valentemente"'! ...
Penalizado, mas bem provavelmente a sorrir do susto que pregou em seus discípulos, Jesus os acalma,
recomendando-lhes "coragem" que eles demonstraram evidentemente não possuir ...
João, cujo Evangelho (e Epístolas) foram escritos com a finalidade senão primordial, pelo menos bastante clara, de combater os "docetas" (que afirmavam ser "fluídico" o corpo físico de Jesus que, segundo eles não era homem, mas um agÍnere), não acena à impressão que os discípulos tiveram de que se
tratava de um fantasma, já que o fantasma é, exatamente, um agÍnere.
Os "docetas", assim cognominados primeiramente por Teodoreto (Epist. 82) e por HipÛlio (Philosophúmena, 8, 8-11), que criaram o nome "docetas" do verbo grego dokéo, que significa "parecer",
afirmavam que Jesus n„o possuÌa corpo fÌsico de carne, mas sim "corpo fluÌdico", um "corpo de fantasma". Diziam que tudo o que fizera fora apenas "aparÍncia" e n„o realidade. N„o nascera, nem
crescera, nem comera, nem morrera na cruz. "Pareceu" que houve tudo isso, mas "n„o houve", era
tudo MENTIRA e FINGIMENTO. A raz„o em que se baseavam era a crenÁa de que tudo o que È material È imperfeito e impuro, pois È obra do "PrincÌpio do Mal", que eles identificavam com o Deus Criador do Velho Testamento, YHWH, que para eles era Satan·s. Como Jesus apresentara o "PrincÌpio
do Bem", o PAI, n„o podia ter-se submetido ao PrincÌpio do Mal, e portanto, n„o poderia ter tido corpo fÌsico carnal.
O docetismo foi combatido desde o inÌcio de seu aparecimento por uma testemunha ocular da vida de
Jesus, por seu "discÌpulo amado", Jo„o Evangelista, que protesta ardentemente contra essas inven-
Áıes absurdas; vemos a refutaÁ„o do docÌlimo em muitos passos do Evangelho de Jo„o, mas sobretudo em 1:14, e nas EpÌstolas (Primeira, 2:22; 4:2; 5:6,2.0; e Segunda, vers. 7). Combateram-no ainda
no 1.º sÈculo In·cio, nas EpÌstolas ad Trai., 9 f; ad Smyrn. 2:4; ad Ephes. 7; e Policarpo, ad Phil. 7; e
logo apÛs por Clemente, de Alexandria, Strom., 7 e Teodoreto, Haeret. Fab., 5. Modernamente volta a
pretender insinuar-se entre espiritualistas essa teoria esdr˙xulo, que contraria os pontos b·sicos do
prÛprio Espiritualismo que sÛ admite um PrincÌpio Criador, o do Bem, e que sabe que a matÈria (a
carne) È t„o nobre, pura e santa quanto o espÌrito, pois È apenas a condensaÁ„o do espÌrito; e sabe
que todas as criaÁıes divinas s„o perfeitas, inclusive a matÈria.
O velho pescador saltou do barco, sob o olhar horrorizado dos companheiros, sem pesar as consequências, e lá foi cambaleante, a equilibrar-se sobre os vagalhões ferozes; mas quando, ao chegar já perto
do Mestre Querido, se dá conta do vento violento, fica com medo. Ora, o medo é justamente a falta de
fé, a perda da confiança.. E sem fé, nada é possível construir nem realizar: ele começa a afundar e grita
apavorado por "socorro"! Jesus repreende-o suavemente (mais uma vez O entrevemos a sorrir ...): "ó
pequena fé, por que duvidaste"? E segurou-o pela mão.
Voltaram os dois a caminhar sobre as águas, e os demais discípulos quiseram que Jesus entrasse no
barco, em vez de continuar a caminhar pelo lago até a margem.
Entraram ambos, e o vento cessou. Os discípulos estavam atônitos, sem poder explicar tantas coisas
estranhas que haviam acontecido naquele dia, pois nem sequer tinham compreendido a "multiplicação
dos pães" ali, entre as mãos deles ... Então chegam a uma conclusão irrefutável: "verdadeiramente és
um filho de Deus"!
O texto grego está sem artigo. Não é, pois, uma confissão da Divindade de Jesus, como pretendem
alguns. Temos que compreender a mentalidade e a psicologia dos israelitas, sobretudo naquela época:
rigidamente monoteístas, não podiam jamais cogitar de outro Deus além do único Deus, a quem Jesus
chamava "O PAI", repetindo exaustivamente que era "o único Deus”. Entretanto, eles sabiam que havia os "filhos de mulher" (homens sujeitos ao "kyklos an·nke" ou ciclo fatal das encarnações por meio
da mulher) e os "filhos do homem” (criaturas que já se haviam libertado da evolução na etapa humana), mas havia também os "filhos de Deus" (seres excepcionais acima de qualquer classificação que
não fosse a comparação de "ligados à Divindade", os seres (que hoje chamaríamos "avatares") em que
Se manifesta a Divindade, os Cristos ou Buddhas.
Como já se achavam perto da praia, chegaram "logo" à planície de Genesaré (hoje denominada elGhoueir) que mede 6 km de comprimento por 3 de largura, na margem ocidental, exatamente entre
Ain-Tabgha e el-Medjdel (onde devia estar situada a aldeia de Betsaida da Galiléia, bem perto de
Cafarnaum. Daí a aparente contradição dos textos: Betsaida (Marc. 6:45) Genesaré (Mat. 14:34 e
Marc. 6:53) e Cafarnaum (João, 6:17). Referem-se todos eles à mesma região, uma área reduzida, com
pequenas aldeolas e cidades. Uns falam genericamente (Cafarnaum), outros dão maior precisão (Genesaré, para dizer que não desembarcaram na cidade de Cafarnaum) mas Jesus quando lhes antecipa o
local de desembarque, dá ainda maior exatidão (Betsaida).
Ocorre, muitas vezes, que a individualidade percebe a luta tit‚nica e inglÛria dos veÌculos, no oceano
do mundo, aÁoitados pelo vento borrascoso das emoÁıes descontroladas. Mas n„o atende logo, porque sabe que È necess·rio aprender a domin·-las por si mesmos. No momento oportuno, vai aproximando-se levemente, por cima das vagas altas e violentas, inatingido pelas ondas e pelo furac„o,
tranquilo em sua serenidade infinita.
Todos os grandes mÌsticos que obtiveram o Encontro Sublime, a IluminaÁ„o da alma, experimentaram
antes a terrÌvel "Noite Escura da Alma" os momentos cruciais das "Trevas Espessas" (cfr. Kempis,
Henrique de Suso, Mestre Eckhart, Jo„o da Cruz, Teresa de £vila, Ruysbroeck, Catarina de Siena,
¬ngela de Foligno, Francisco de Sales, Madame Guyon, etc. Ver o excelente estudo de Evelyn Undershill, "Mysticism", The Noonday Press, N.Y., 1955, 2.™ parte, cap. 9: "The Dark Night of the Soul",
p·gs. 380 a 412).
Quando, apÛs esse perÌodo de secura espiritual, vemos aproximar-se a figura imaterial do Cristo Interno, assustamo-nos horrorizados, temendo seja mais uma ilus„o (fantasma) de nossa mente, alguma
criaÁ„o mental nossa que n„o venha desviar da meta t„o arduamente perseguida. E gritamos apavorados, encolhendo-nos no mais recÙndito desv„o de nÛs mesmos.
A felicidade sÛ comeÁa a fazer-se sentir, quando identificamos a voz suave e inconfundÌvel do Amado
de nossa alma.
E quantas vezes atiramo-nos afoitamente aos vagalhıes enfurecidos, para mais depressa abraÁarmos
o Ser Inef·vel que È nosso Cristo Interno! Mas, no meio da viagem, quase a alcanÁar o porto seguro,
frequentemente assalta-nos a d˙vida, e sentimo-nos submergir mais uma vez, derrubados pela ventania infrene que ulula em torno de nÛs, apanhados e rodopiados pelas ondas revoltas que nos turbilhonam, arrastando-nos ao abismo ...
… quando gritamos novamente por socorro. E a m„o, sempre terna, do Amigo Incondicional, se estende, sustentando-nos acima das vagas enraivecidas.
Uma vez firmes e seguros de nossos passos, tendo em nossa m„o a m„o firme do Cristo, vemos que os
veÌculos reclamam para si a honra de carregar a Individualidade. Logo que esta penetra em nÛs mesmos, isto È, logo que conseguimos unir-nos a ela que j· reside em nÛs, cessa o vento, o mar se abranda, e imediatamente chegamos ao porto de destino aliviados e consolados (Cafarnaum = cidade do
Consolador).
Quantas vezes se repetem essas cenas, e depois de cada uma acreditamo-nos definitivamente imunes
de outros vendavais ... Mas eles voltam, e cada vez com, parece-nos, uma violÍncia maior, mais assustadora ...
Nos momentos do Encontro, ao sentirmo-nos envolvidos pela suavidade da Paz do Cristo, reconhecemos que verdadeiramente "Ele È um filho de Deus", ou seja, uma partÌcula da Divindade que vive em
nÛs e nos sustenta, sempre Amoroso e Terno, sempre Compassivo e Benevolente.
EM ORAÇÃO - Pastorino
Mat. 14:22-23
22. Em seguida obrigou os discípulos a embarcar e passar
primeiro do que ele para o
outro lado, enquanto ele
despedia o povo.
23. Tendo despedido o povo,
subiu sozinho ao monte
para orar. E à noitinha
achava-se ali só.
Marc. 6:45-46
45. imediatamente obrigou
seus discípulos a embarcar
e passar adiante, para o outro lado, para Betsaida, enquanto ele despedia a multidão.
46. E tendo-se separado dela,
foi ao monte para orar.
João, 6:14-15
14. E vendo os homens a demonstração que Jesus fizera, disseram: "Este é verdadeiramente o profeta que
vem ao mundo".
15. Percebendo Jesus que eles
estavam para vir apanhá-
lo, a fim de fazê-lo rei, retirou-se novamente para o
monte, ele só.
Aqui encontramos uma expressão estranha, repetida nos dois sinópticos: Jesus obrigou (Èn·gkase) os
discípulos" ... Por que haveria necessidade de obrigá-los, a eles que parecem ter sido sempre dóceis e
obedíentes? Parece que a causa é revelada por João. Vejamos:
Com a maravilhosa demonstração de poder (tÚ sÈmeion) que foi a multipilcação dos pães e peixes, a
massa popular composta exatamente de agricultores e pescadores entreviu um paraíso na Terra: não
haveria mais necessidade do duro labor nos campos na plantação e na colheita sempre duvidosa! Não
mais as noites frias e chuvosas no lago à procura de peixe! Ali estava quem poderia fornecer para sempre ao povo pão e peixe sem trabalho! era só fazê-Lo “rei"! Moisés não alimentara os israelitas no deserto, anos a fio, com pão caído do céu todas as manhãs (cfr. Êx. 16:4. 8, 12-15)? Ora, o próprio Moisés predissera (Deut. 18:15) que surgiria em Israel um profeta com os mesmos poderes que ele. Não
seria um simples profeta (cfr. João, 6:16 e 9:17), mas “o" profeta, “semelhante a Moisés", o qual, segundo os fariseus (cfr. João 1:21) não coincidiria com a pessoa do Messias. Mas, para o povo, essas
distinções eram supérfluas. Então, ali estava "o" profeta, igual a Moisés, e que daria pão e peixes em
abundância. Por que não fazê-Lo imediatamente "rei"?
Ora, isso constituiria uma subversão total da missão puramente espiritual de Jesus ("o meu reino n„o È
deste mundo", João, 18:36). Mas, além disso, seria precipitar a perseguição de Herodes, que não suportaria um concorrente. E Jesus terminaria, mais cedo do que devia, como os outros galileus indóceis
em suas pretensões messiânicas (cfr. Josefo, Ant. Jud. 17. 9, 3) e que foram massacrados por ordem de
Pilatos (cfr. Luc. 13:2).
Era indispensável obviar a essa dificuldade com rapidez e energia. Talvez os próprios discípulos, atô-
nitos com a multiplicação de pães e peixes (tanto que mais tarde não na haviam ainda compreendido
(cfr. Marc. 6:52), talvez eles também se tivessem entusiasmado com a idéia de fazê-Lo "rei" ... pois
ainda não haviam penetrado profundamente no sentido espiritual da missão de Jesus.
Dai Jesus dizer-lhes que “fossem para a outra margem", a cuja sugestão quiçá tivessem reagido, já influenciados pelo desejo de colocá-Lo no “lugar merecido"; e isso forçou Jesus a constrangê-los com
uma ordem taxativa e firme, que os evangelistas traduziram pelo verbo "obrigar": eles foram contra a
vontade.
Foram, para onde? Estavam no território de Betsaida- Júlias, na margem oriental. Diz Mateus: "para a
outra margem", que Marcos repete, acrescentando: "para Betsaida”. Haveria outra Betsaida na margemC. TORRES PASTORINO
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ocidental do lago? Essa questão é ardorosamente discutida pelos comentadores, dividindo-se em dois
campos:
1) os que negam a existência, interpretam prÛs Bethsaidan como “na região fronteiriça a Betsaida",
sentido possível da preposição grega prós (cfr Tucídides, História, 2,55: hÍ prÛs PelopponÈson, "a
qual é fronteira ao Peloponeso). Assim traduzem Lagrange João Marta, Abel, Pirot, etc. E perguntam eles: se os discípulos iam para Betsaida, por que diz João "que se dirigiam para Cafarnaum
(João, 6:17) onde desembarcaram (João, 6:21)? E por que Mateus (14:34) e Marcos (6:53) dizem
que desembarcaram em Genesaré?
2) os que afirmam a existência de outra Betsaida (van Kasteren, Patrizzi, Knabenbauer, Fillion.
Meistermann. Rose, Buzy e outros), trazem os seguintes argumentos:
a) a existência de Bethsaida-Júlias (hoje el-Tell) a dois km ao norte de el-Aradj, é coisa certa: a cidade foi reconstruída pelo tetrarca Filipe, que lhe acrescentou o cognome Júlias em homenagem à filha de Augusto;
b) João, no início de seu Evangelho (1:44) diz que o discípulo Filipe “era de Betsaida”; mais tarde
(12:21) especifica melhor, que "era de Bétsaida da Galiléia". Ora. Betsaida-Julias ficava na província de Gaulanítida, e não na Galiléia. E João devia conhecer bem a região ... não iria confundir duas províncias.
c) Neubauer ("La Géographie du Talmud", pág. 225) e Strack-Biller-beck, o. c. pág. 605) citam a
existência de uma localidade, não longe de Cafarnaum, em Ain-Tabgha ou Khan Minyeh (ao norte
do Tell Oreimeh) denominada Saydethah, que eles supõem ser a Beth-Saida do Evangelho, e que
ficava exatamente na Galiléia.
Depois que os discípulos partiram, Jesus convenceu o povo a ir para casa, e Ele mesmo subiu ao monte
para orar sozinho, segundo seu hábito.
Acontece com freq¸Íncia que o p˙blico que cerca os "pregadores" se entusiasma e quer "homenage·-
los" com posiÁıes destacadas, com tÌtulos honrosos, ou convencÍ-los a arriscar-se em cargos eletivos
na polÌtica. Jesus exemplificou que se deve fugir dessas situaÁıes com energia e rapidez, "obrigandoos" a retirar-se "para a outra margem".
No outro sentido mais profundo, verificamos algo mais sÈrio. Quando a individualidade consegue
manifestar-se por intermÈdio de nossa personalidade, realizando algo mais fora do comum, a personalidade quase sempre se envaidece e comeÁa a acreditar-se "mission·rio", um "enviado divino",
certo de que È superior ‡s demais criaturas "vulgares", que È um "privilegiado" com direitos adquiridos e merecimento garantido. Os veÌculos fÌsicos se exaltam: o intelecto raciocina sobre tudo isso
para cada vez mais convencer-se de sua superioridade, e complacentemente ouve e acredita nas mais
mirabolantes histÛrias de encarnaÁıes passadas grandiosas; as emoÁıes e sensaÁıes se comovem e
incham,. e para combater isso, sÛ h· um remÈdio: mand·-los "afastar-se para a outra margem", e
retirar-se para uma regi„o mais elevada (monte) a fim de entrar em contato com a Divindade, por
meio da oraÁ„o e da meditaÁ„o.
… mister separar-se de tudo o que È material, para compreender as proporÁıes reais da perspectiva;
entrar no plano das realidades espirituais, para perceber as ilusıes terrenas.
Assim em cada fato, em cada episÛdio do Evangelho, h· uma liÁ„o preciosa, oportuna e profunda,
exemplifÌcada pelo Mestre Inolvid·vel, o Cristo Divino que vive em nossos coraÁıes e que se manifestou plenamente em Jesus, que soube aniquilar sua personalidade para deixar o Cristo Divino exteriorizar-se.
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