quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Coragem Moral










Um dos requisitos exigidos por Jesus, como condição indispensável àqueles que pretendessem seguir-lhe as pegadas, é a coragem moral.


Eu vos envio, disse ele aos discípulos, como ovelhas no meio de lobos. Esta frase é bastante eloqüente e, por si só, define muito bem a posição dos cristãos na sociedade do século. "Sereis entregues aos tribunais por minha causa. Suportareis perseguições, açoites e prisão. Ha­verá delações entre os próprios irmãos. Atraireis o ódio de todos. A vossa vida correrá iminente risco a cada instante.


"Todavia, não temais, pois até os cabelos de vossas cabeças estão contados. Nenhum receio deveis ter dos homens, cujo poder não vai além do vosso corpo. Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seus domésticos. Portanto, nada de temores: o que vos digo à puridade proclamai-o dos eirados. Nada há encoberto que não seja descoberto; nada há oculto que se não venha a saber. Por isso, aquele que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai celestial; e o que me negar diante dos homens, eu o negarei perante meu Pai que está nos céus."


Tais expressões são de clareza meridiana. Para ser cristão, é preciso coragem, ânimo forte, atitude varonil. "Seja o teu falar: sim, sim; não, não". Não há lugar para composturas dúbias, indecisas, oscilantes. O crente em Cristo deve possuir convicção inabalável, têmpera rija, caráter positivo e franco.


Entre as virtudes, não há incompatibilidades. >. mansuetude, a cordura e a humildade são predicados que podem (e devem) coexistir com a energia, com a intrepidez, com a varonilidade. Deus é infinitamente misericordioso e, ao mesmo tempo, é infinitamente justo.


O caráter do cristão há de ser forjado de aço de Toledo e de ouro do Transvaal. Assim disse Amado Nervo: "Ouro sobre aço sejam a tua vontade e a tua conduta. Sobre o aço do teu pensamento há de luzir o arabesco de ouro das formas puras e gentis. Ouro e aço será tua vida, serão teus propósitos, serão teus atos."


Abulia indiferença e marasmo não são expressões de bondade. "Não és frio, nem quente; por isso, quero vomitar-te de minha boca." Passividade não é virtude. Entre o bem e o mal, a verdade e a impostura, a justiça e a iniqüidade não .há lugar para acomodações, nem para neutralidade. O cristão se define sempre em tais conjunturas, confessando o seu Mestre. "Ninguém pode servir a dois senhores." Que relação pode haver entre Jesus e Baal? Dobrar os joelhos diante de todos os tronos, só porque são tronos; curvar-se perante todos os Césares, só porque são Césares; afazer-se às tiranias e às opressões, anuir direta ou indiretamente às tranquibérnias e vilezas da época; pactuar, enfim, com a injustiça de qualquer maneira e por quaisquer motivos, é negar a Jesus-Cristo no cenáculo social. "Não sejais escravos dos homens, nem das paixões; não sejais, igualmente, nem parasitas, nem bajuladores, nem mendigos" — disse o grande educador Hilário Ribeiro em um dos seus excelentes livros didáticos. Não se triunfa na vida, sem ânimo viril. E' a covardia moral que faz o homem escravizar-se a outros homens; que o faz escravo de vícios repugnantes e de paixões vis e soezes. E' ainda por pusilanimidade e covardia que o homem bajula, mendiga e se torna parasita.


Sem boa dose de coragem (quase ia dizendo de audácia), o homem não cumpre o dever e menos ainda consegue sair-se airosamente das emergências difíceis da vida. O suicídio, seja por este ou por aquele motivo, é sempre um ato de covardia moral. A sentinela valorosa jamais abandona o posto que lhe foi confiado.


Os altos problemas da Vida, consubstanciados na sentença evangélica — Sede perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito — requerem ânimo forte e vontade irredutível para serem solucionados. Não é fugindo aos perigos e às dificuldades que o homem há de vencê-las; é enfrentando-as.


A coragem moral é a primeira virtude do homem de fé. Cumpre, porém, não confundir a verdadeira coragem com as caricaturas de coragem, que se ostentam por toda a parte. Estas são burlescas e vulgares, aquela é rara e cheia de nobreza. A coragem não consiste em atitudes violentas e belicosas. Nada tem de comum com a temeridade. E' serena e íntima. Não se ostenta em bracejos, ou gesticulações espetaculosas, nem em vozeios e frases ameaçadoras e ofensivas. Revela-se antes em suportar, do' que em repelir a ofensa recebida. Energia não significa agressividade. Ser franco não é ser ferino, nem, sequer, contundente.


Quanto maior é a coragem, tanto mais calmo age o indivíduo. A consciência do valor próprio, aliada à fé no Supremo Poder, fêz o homem tolerante e sofrido, paciente e tranqüilo. Tal foi a atitude invariável de Jesus diante das conjunturas mais embaraçosas de sua vida terrena. Suportou todas as injúrias, todas as humilhações e iniqüidades que lhe foram infligidas, conservando imaculada e intangível a pureza do alto ideal por que se bateu até ao extremo sacrifício.


Tal é a coragem de que precisam revestir-se os seus discípulos de hoje, como souberam fazer os discípulos do passado.


Saulo, antes de ser Paulo, não denotou coragem nenhuma perseguindo, aprisionando e consentindo no assassínio dos primeiros adeptos do Cristianismo nascente. Saulo tinha às suas ordens gendarmes municiados; as altas autoridades civis e eclesiásticas lhe conferiam poderes discricionários. Os perseguidos eram párias sociais, sem proteção, pobres e desarmados. A atitude de Saulo era daquelas que confirmam o velho brocardo: Quer conhecer o vilão? Ponha-lhe nas mãos o bastão.


Após o célebre dia de Damasco, em que Saulo se transformou em Paulo, a vilania daquele se converteu na coragem moral deste. De algoz, passou a ser vítima. A seu turno perseguido, tendo agora contra si as armas e o rancor das autoridades detentoras do poder; correndo os maiores riscos, suportando prisões e açoites, afrontando a morte a cada momento, Paulo caminha intrépido e destemido, na defesa da causa santa da justiça e da liberdade personificadas no credo de Jesus.


O extraordinário Apóstolo das gentes nos oferece, em si mesmo, exemplos da falsa e da legítima coragem, antes e depois da conversão.


Convertamo-nos, pois, nós os espíritas, os néo-cristãos, como se converteu Paulo. Provemos em nós mesmos, com a transformação radical de nosso caráter, a eficiência e o poder de Jesus-Cristo, como redentor da Humanidade, como libertador do homem, mediante o exemplo de coragem moral que nos legou como herança preciosíssima.



LIVRO: EM TORNO DO MESTRE

AUTOR: PEDRO DE CAMARGO (PSEUDÔNIMO DE VINICIUS)

EDITORA: FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA

LOCAL DE EDICAÇÃO: BRASÍLIA – DF – BRASIL / 1939

PÁGINAS: 59 ATÉ 62

O Cristão e o Enfrentamento do Mundo


O Cristão e o Enfrentamento do Mundo - Francisco de Paula Vítor


O CRISTÃO E O ENFRENTAMENTO DO MUNDO

Se o mundo nos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim.
Jesus (Jo. 15:18)

Mesmo entre os adeptos das inumeráveis crenças religiosas, são encontrados os irmãos que se lamentam em demasia.

Parece que se acostumaram a afivelar ao rosto máscaras de padecimentos e de infelicidades crônicos, sem as quais estariam muito deslocados no meio social de que fazem parte.

Lamentável é percebermos que, sendo a mensagem do Evangelho enunciada como de alegria e de esperança, haja um número tão expressivo de almas que fixaram em seus caracteres a morbidez que velhas e infelizes lideranças lhes impuseram ao apresentar os pontos e normas das respectivas crenças.

Muita gente guarda a ilusão de que o fato de estar inscrita em dada agremiação de fé religiosa seria o suficiente para se ver livre de enfermidades, das lutas da vida e dos infortúnios diversos que caracterizam a marcha planetária.

Em chegando ao mundo terrestre, todo e qualquer espírito, desde os mais simplórios aos mais bem aquinhoados de valores gerais, estará a braços com as condições do planeta. É como se um príncipe penetrasse uma choça para visitar um pestilento. Não obstante a sua hierarquia social, teria que suportar os maus odores do ambiente e pisar o mesmo chão pisado por todos.

Assim, então, não será complicado entender porque Sócrates,o grande Sócrates, foi obrigado a sorver uma taça de veneno embora só fizesse o bem, embora só ensinasse maravilhas; porque Ghandi, o Mahatma Gandhi, foi vilmente assassinado quando só pregava e vivia para o bem; porque, Jesus, o Cristo, foi morto numa cruz pelo crime de ensinar e viver o amor entre as criaturas.

Aqueles que se acham por demais desafortunados, infelizes ou desgraçados perante os obstáculos à boa saúde, diante dos apertos financeiros ou face às relações sociais tormentosas, devem observar com mais atenção a forma como viveu o nosso Modelo espiritual, o nosso Senhor.

Os que sonham com uma vida sem problemas, mesmo estando na Terra, com certeza se acham injustiçados por Deus, por tê-los internado nessa e não outra paragem cósmica.

Jesus afirmou que o discípulo não está acima do seu mestre, e nos propôs ter coragem e bom ânimo diante de tudo o que sofrêssemos provocado pelos desmandos e exorbitâncias dos nossos irmãos do mundo, o que podemos estender para toda e qualquer aflição ou carência que nos assalte na marcha comum. O desalento, o desânimo perante os episódios ou momentos críticos, já indicam grande inclinação à derrota, à falência completa.

Se na Terra nem Jesus foi poupado ao sofrimento imposto pelos homens, sem que Ele mesmo nada devesse, como é que nós, espíritos em regime de resgate para a harmonização própria com as leis do Criador, vamos pretender um tratamento melhor do mundo para conosco?

À frente de toda dificuldade que nos apareça, trabalhemos no sentido de superá-la com alegria. Diante de toda dor que nos alcance, realizemos o nosso esforço de modo a suplantá-la, mantendo a chama da esperança de tempos melhores mais adiante.

Atentos ao Apóstolo Paulo, que nos ensinou a dar graças por tudo, evitemos esse clima de tragédia ou de vitimação que, costumeiramente, muitos religiosos imprimem em suas vidas.

Se tivermos que sofrer e chorar, que o façamos confiantes de que Deus vela e que, mais dia, menos dia, nossos dramas serão resolvidos, se perseveramos na ação feliz do bem até o fim.

Sem duvida, Jesus é Aquele que nos veio ensinar a extrair o lado bom e útil de todo sofrimento que nos seja imposto, seja por almas em processo de desajustamento e perturbação, seja nas erupções do mundo íntimo, em virtude de guardarmos a certeza de que tudo tem a sua raiz, a sua razão de ser.

Nas experiências das relações humanas, caso venhamos a sofrer toda a carga do ódio daqueles que, ensandecidos, injustos ou cruéis invistam contra nós, enquanto tomamos as providências cabíveis, recomendadas pela nobreza e pela dignidade moral, mantenhamos a paz interior, reconhecendo que, antes de nós, também Ele, pulcro e bom, padeceu igualmente.

De "Quem é o Cristo?",
de J. Raul Teixeira,
pelo Espírito Francisco de Paula Vítor

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Demônios e diabos


José Reis Chaves

(de um conto meu)
Depois da prece inicial costumeira, o professor Giordano explicou que o assunto daquela noite: demônios, diabo, satanás, satã e lúcifer, era um dos mais importantes de todas as religiões, pois são comuns as interpretações erradas e supersticiosas sobre o assunto. Deus é visto como sendo, entre outras coisas, o princípio do bem. E já que no Universo tudo tem o seu pólo oposto, que não significa necessariamente inimigo, o ser humano logo imaginou que esse pólo oposto de Deus ou do bem tinha também que existir. Mas lhe deu o sentido de adversário ou de inimigo de Deus, denominando-o de mal. E como há espíritos maus, não deu outra. Foram eles identificados com o mal, o oposto de bem, de Deus. E, assim, surgiu a idéia de demônios, que de fato existem, mas não como a maioria das pessoas os vê.
O mal, em princípio, não existe como tal, pois, na verdade, é a ausência do bem, como o definiu Santo Agostinho. Por exemplo: a doença é um mal, ou seja, a ausência da saúde. Mas as pessoas deram tanto valor ao princípio do mal, que acabaram por endeusar os espíritos representantes do mal, chamando-os mesmo de deuses. E, se Deus propriamente dito é um só e único, criaram também em algumas culturas religiosas, como o Cristianismo, o chefe único dos espíritos do mal, ao qual foi dado o nome de Lúcifer e, às vezes, Belzebu (deus das moscas). Mas, na verdade, os espíritos maus nada mais são do que espíritos humanos atrasados, como os anjos, também, nada mais são do que espíritos humanos evoluídos. Destarte, aquela história de que uns anjos se rebelaram contra Deus é mitológica, pois um anjo é um espírito altamente iluminado, jamais, pois, se rebelaria contra Deus. Essa história é mais uma analogia que se criou com os espíritos do alegórico primeiro casal humano, representado por Adão e Eva, que se rebelaram também contra Deus. Segundo o grande sábio e biblista francês, padre François Brune, representante do Vaticano para Transcomunicação (contato com os mortos via eletrônica), no seu livro Os Mortos Nos Falam, Editora EDICEL, quando a Bíblia fala em anjos, ela está referindo-se a espíritos de luz de pessoas falecidas.
E é oportuno lembrarmo-nos aqui de que a própria Bíblia, ao referir-se aos espíritos humanos desencarnados, costuma chamá-los de deuses (1 Samuel 28,13). E os espíritos que se manifestavam fora da Bíblia eram chamados também por ela de deuses, ou mais precisamente, de deuses pagãos, por exemplo: Baal, que, na verdade, é também um espírito humano atrasado, como são, igualmente, espíritos humanos atrasados todos aqueles outros espíritos chamados de deuses pagãos. E é ainda oportuno lembrarmo-nos também do que disse santo Agostinho em seu livro De Cura Pro Mortuis (Tratado dos Mortos): Os espíritos iluminados de pessoas falecidas podem trazer conhecimentos para nós deles mesmos e de outros espíritos superiores a eles, e até de Deus. E, realmente, esse santo da Igreja deixou-nos um exemplo disso, pois, em seu livro Confissões, ele diz que se comunicou com santa Mônica, sua mãe, já desencarnada. Aliás, todos os santos da Igreja, com os quais os católicos se comunicam, implorando-lhes auxílio para a solução de seus problemas, são espíritos de pessoas falecidas, já que com os cadáveres dos santos é impossível qualquer tipo de comunicação.
Jussara, o pastor Barsanulfo e as cinco pessoas visitantes daquela noite estavam atentos a tudo o que dizia o professor Giordano. E o pastor, como sempre, parecia muito acabrunhado com tudo aquilo que ouvia. E quis fazer uma pergunta:
- Mas a Bíblia, professor, não explica isso do jeito que você está falando.
Ao que o professor Giordano respondeu:
- De fato, a Bíblia não explica isso. Mas ela não explica quase nada da cultura geral dos povos. E, inclusive, São João diz no fim de seu Evangelho que, se fosse falar tudo sobre as verdades da Doutrina de Cristo, nem os livros do mundo todo comportariam o que ele tinha para escrever.
E o professor Giordano voltou à sua fala afirmando que a palavra Lúcifer vinha do Grego eosforos (porta-luz) e do Latim lucis (luz) e ferre (transportar), portanto, significando também porta-luz, ou seja, figuradamente, a inteligência. Lúcifer significa, igualmente, de modo figurado, a aurora, que prenuncia o Sol nascente. E também serpente tem a conotação de inteligência. Daí a serpente que tentou Eva e Adão. E essa conotação de inteligência da palavra serpente está em todas as culturas, inclusive na Bíblia. Por isso Jesus disse: Sede vós prudentes como as serpentes e mansos como as pombas.
A psicóloga Jussara levantou a mão e disse:
- Muito interessante, professor, esse assunto. Confesso que estou adorando essa palestra de hoje, aliás, são muito interessantes todos os assuntos que você aborda aqui nesse nosso estudo.
Mas o professor Giordano ainda não terminara a sua explanação sobre demônios e diabos, e tomou novamente a palavra:
- O vocábulo demônio vem do Grego daimon e daimonion, com o plural daimones, cujo significado é alma (espírito). E a alma pode ser boa ou má. Mas, por influência do Zoroastrismo e do Maniqueísmo, a palavra demônio, usada mais no plural, demônios, passou a significar no Cristianismo somente espíritos maus ou impuros, como sendo o pólo oposto de Deus, o princípio único do bem. O texto bíblico em Grego, quando se refere a um espírito mau, usa a palavra akarthatos.
Já para designar um espírito bom ou santo, usa estas duas palavras: pneuma hagion (Espírito Santo). Observe-se que o princípio do mal é representado por espíritos, no plural, numa analogia com os espíritos pagãos, que eram considerados como sendo maus, mas que, como vimos, são também espíritos humanos. Isso nos leva a imaginar que eles pensavam que os espíritos humanos representassem o pólo oposto de Deus, o que é um absurdo. Diabo, satã, satanás, etc., têm origem no Grego diabolos, ou seja, adversário. Mas não são espíritos. São coisas internas de nós mesmos e que obstaculizam a nossa evolução espiritual. Exemplos: orgulho, avareza, inveja, ciúme, ressentimento, coisas que são contrárias ao nosso Eu Interior, ao nosso Cristo Interno ou Espírito Santo que habita em nós. Isso levou São Paulo a dizer que nós somos santuários (templos) do Espírito Santo. Na verdade, como está no original grego, nós devemos dizer "dum" e não "do" Espírito Santo, pois cada um de nós é um Espírito Santo encarnado. Vimos que diabo, satã, satanás, lúcifer (inteligência) e serpente (inteligência) são nossos adversários, mas reitero que não são espíritos, pois são coisas negativas de nós mesmos (adversárias) ou contrárias ao nosso crescimento espiritual e moral. Assim é que Jesus tirou demônios ou espíritos impuros das pessoas possessas. Mas nunca Jesus tirou de ninguém satanás, satã, diabo, lúcifer ou serpente.
Foi uma reunião muito especial essa, já que foi um verdadeiro banho do assunto sobre espíritos. Por isso todos retornaram muito felizes para as suas casas. E o professor Giordano estava mais feliz, ainda, pois se sentia muito gratificado com a alegria e a satisfação do pessoal do grupo de estudo.

O ESPIRITISMO COLOCA O HOMEM SOB A INFLUÊNCIA DOS DEMÔNIOS?


Só o preconceito pode justificar essa afirmativa. Afinal, como uma doutrina embasada no Evangelho de Jesus pode ligar alguém a demônios?

O Espiritismo não veio criar uma nova moral, mas sim facilitar aos homens a compreensão e a prática da moral do Cristo, ao dar uma fé sólida, racional e esclarecida aos que buscam a verdade. Prega que o homem de bem, o verdadeiro cristão, é aquele que pratica a lei de justiça, amor e caridade em sua plenitude. Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que faz em dominar suas más inclinações.
O Espiritismo nos ensina que Deus, na sua bondade e sabedoria infinitas, não criou seres voltados ao mal por toda a eternidade. Há Espíritos ignorantes e imperfeitos que nos inflamam más paixões e nos induzem ao mal, assim como os bons podem nos influenciar para o bem.
O diabo é a representação alegórica do mal, que resume em si todas as mazelas dos Espíritos imperfeitos. São os chamados demônios, que nada mais são que Espíritos ignorantes e imperfeitos, ainda distantes do bem, que diante de corações impuros e preconceituosos, se comprazem com eles e lhes induzem ao erro, promovendo-lhes más idéias e julgamentos. Esses Espíritos não são patrimônio do Espiritismo e, como os bons, também podem estar em todo lugar, podendo ser atraídos por todos os que se afinizam com seus propósitos.
Lembramos que o próprio Jesus foi citado por seus inimigos de ser possuído por demônios, por falar de uma doutrina contrária aos valores vigentes. Contudo suas obras evidenciaram sua grandeza. É dele mesmo a afirmação de que cada árvore é conhecida pelo seu fruto e o fruto da Doutrina Espírita é evidenciado pelas suas boas obras. A maior e mais importante obra do Espiritismo é transformação da criatura através do estímulo ao autoconhecimento, retirando o homem do estado de ignorância em que se encontra, instruindo-o ao nível da luz.
"Mas alguns deles diziam: Ele expulsa os demônios por Belzebu, príncipe dos demônios.
E outros, tentando-o, pediam-lhes um sinal do céu.
Mas, conhecendo Ele os seus pensamentos, disse-lhes: Todo o reino, dividido contra si mesmo, será assolado; e a casa, dividida contra si mesma, cairá.
E se também Satanás está dividido contra si mesmo, como subsistirá o seu reino? Pois dizeis que eu expulso os demônios por Belzebu.
E, se eu expulso os demônios por Belzebu, por quem os expulsam vossos filhos? Eles pois serão os vossos juizes.
Mas, se eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente a vós é chegado o reino de Deus" - (Lucas 11.15-20).
Veja também: Mateus 9.34 - Mateus 11.18 - Mateus 12.33 - Marcos 3.22.

NOS CAMINHOS DA FÉ



“Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai que está nos Céus”. – Jesus (Mateus, 10:32)
No mundo, de modo geral, habituamo-nos a julgar que os testemunhos de fé prevalecem tão só nos momentos de angústia superlativa, quando o sofrimento nos transforma em alvo de atenções públicas.
Evidentemente, na Terra, as crises de aflição alcançam a todos, cada qual no tempo devido, segundo as lutas regeneradoras que se nos façam necessárias, no curso das quais estamos impelidos a entregar todas as energias de nosso espírito nos atos de fé. Entretanto, é preciso ponderar que somos incessantemente chamados a prestar o depoimento de confiança em Jesus, através de reduzidas parcelas de bondade e tolerância, compreensão e paciência diante das ocorrências desagradáveis do cotidiano, tais quais sejam:
a referência desprimorosa;
o olhar de suspeição;
o pedido justo recusado;
o beliscão da crítica;
a desatenção e o desrespeito;
o desajuste orgânico;
o prejuízo inesperado;
a transação infeliz;
o desafio da discórdia.
Impõe-se-nos a obrigação de confessar-nos seguidores do Cristo, por intermédio de definições verbais claras e sinceras, mas somos igualmente convidados a fazê-lo, na superação dos aborrecimentos comuns, porquanto só atravessando as diminutas contrariedades do dia-a-dia, como grandes ocasiões de revelar confiança em Jesus, é que aprenderemos a suportar as grandes provações como se fossem pequenas.
(Francisco Cândido Xavier por Emmanuel. In: Segue-me)
(texto recebido de Cristiano de Almeida)

ESTIMA DO MUNDO




"Se chamarem Belzebu ao pai 
de  família,  quanto  mais  aos
seus domésticos?" 
Jesus - (Mateus, 10:25)
        Muitos discípulos do Evangelho existem, ciosos de suas predileções e pontos de vista, no campo individual.
        Falsas concepções ensombram-lhes o olhar.
        Quase sempre se inquietam pelo reconhecimento público das virtudesque lhes exornam o caráter, guardam o secreto propósito de obter admiração de todos e sentem-se prejudicados se as autoridades transitórias do mundo não lhes conferem apreço.
        Agem esuqecidos de que o Reino de Deus não vem com a aparência exterior; não percebem que, por enquanto, somente os vultos destacados, nas vanguardas finaceiras ou políticas, arvoram-se em detentores de prerrogativas terrestres, senhores quase absolutos das homenagens pessoais e dos necrológios brilhantes.
        Os filhos do Reino Divino sobressaem raramente e, de modo geral, enchem o mundo de benefícios sem que o homem os veja, à feição do que ocorre com o próprio Pai.
        Se Jesus foi chamafo feiticeiro, crucificado como malfeitos e arrebatado de sua amorosa missão para o madeiro afrontoso, que não devem esperar seus aprendizes sinceros, quando verdadeiramente devotados à sua causa?
        O discípulo não pode ignorar que a permanência na Terra decorre da necessidade de trabalho proveitoso e não do uso de vantagens efêmeras que, em muitos casos, lhe anulariam a capacidade de servir. Se a força humana torturou o Cristo, não deixará de torturá-lo também. É ilógico disputar a estima de um mundo que, mais tarde , será compelido a regenerar-se para obter a redenção.

Emmanuel
Mensagem extraída do livro "Caminho Verdade e Vida" 
pelo Espírito de Emmanuel

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O Evangelho Condena o Espiritismo?


Paulo da Silva Neto Sobrinho

Sempre acompanhamos a coluna de Carlos de Brito Imbassahy, Qual é a Dúvida?, no Jornal Espírita, editado pela FEESP, onde podemos esclarecer dúvidas que sempre temos. Na edição de nº 302, mês outubro de 2000, lemos sua resposta a um leitor que lhe questiona a propósito das provas que possam existir no Evangelho sobre a condenação de princípios da Doutrina Espírita.
O colunista apresenta uma relação que lhe foi oferecida por um pastor seu amigo. Nela constam as seguintes passagens:
Condenação do Espiritismo
Atos 16, 16 a 18 = Gál. 5: 19 a 21 = Rev. 21: 8 e 22:15.
Ressurreição e condenando a reencarnação
João 5: 28, 29 e 11:25 = I Co 15:40 e 20 a 25 = Fil 3:20, 21 = Atos 17:31 = Mat 12: 31, 32 = Rom 5:19 + Rev 20:4 e 5:13 e 21:34.
Salvação pela fé em Jesus
Atos 4:12 + Luc 13:24 = I Tim 4:10 = I João 4:9 e 14 = Tiag 20:14 e 26 = Rom 6, 23.
Completa: “Segundo este meu amigo, o Espiritismo não tem amparo nenhum no Novo Testamento e mais, a palavra de Jesus, segundo ele, contida nos textos acima citados, provam que o Espiritismo é condenado pelo Mestre”.
É interessante como tentam de todas as maneiras colocar o Espiritismo como sendo proibido ou condenado pela Bíblia. Nesse, em particular, chamou-nos a atenção por ser, até então, o único que encontramos que não busca a nossa condenação no Antigo Testamento. É louvável, pois parece, realmente, que o autor dessas citações compreendeu bem o que Jesus queria dizer, quando, na narrativa de Mateus 9, 16-17, disse: “Ninguém põe remendo de pano novo em vestido velho; porque o remendo tira parte do vestido, e fica maior a rotura. Nem se põe vinho novo em odres velhos; do contrário, rompem-se os odres, derrama-se o vinho, e os odres se perdem. Mas, põe-se vinho nove em odres novos, e ambos se conservam”.
Entretanto, não consegue ainda separar nos textos o que é verdadeiramente de Jesus e o que é apenas opinião dos diversos autores que constam do Novo Testamento. Dizemos isso, pois não podemos admitir como verdade nada que venha a ser contrário ao que Ele tenha dito, pouco nos importando qual seja a fonte. Até porque, devemos seguir o que disse: “O discípulo não está acima do seu mestre, nem o servo acima do seu senhor”, conforme citado em Mateus 10, 24.
Não podemos deixar de falar também como, em alguns casos, mudam completamente o sentido do texto sagrado, procurando, sempre, adaptá-los às suas convicções ou dogmas, apesar da advertência clara que encontramos em 2 Pedro 3, 16: “Ao falar acerca destes assuntos, como de fato costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas cousas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles”.
Assim, no decorrer deste estudo, vamos mostrar como certas citações são contraditórias ao que Jesus nos passou e como algumas interpretações que querem dar aos textos não condizem com o seu real sentido. Infelizmente notamos que são apegados demais à letra, outras vezes não buscam o contexto, agindo com o espírito preconcebido, arraigados aos dogmas que lhes são impostos.
Vamos fazer nossos contra-argumentos por partes, utilizando os textos citados.

Condenação do Espiritismo

Atos 16, 16-18: Aconteceu que, indo nós para o lugar de oração, nos saiu ao encontro uma jovem possessa de espírito de adivinhador, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores. Seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens são servos do Deus Altíssimo, e vos anunciam o caminho da salvação. Isto se repetia por muitos dias. Então Paulo, já indignado, voltando-se, disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo, te mando: Retire dela. E ele na mesma hora saiu.
Nessa passagem não existe nenhuma condenação feita por Jesus ao Espiritismo. O que vemos, e não há como negar, é que Paulo após ser importunado diversas vezes por uma jovem que estava possessa de espírito adivinhador fica indignado, por isso resolve, num determinado momento, livrar a jovem de tal possessão, para que também pudesse realizar sua tarefa sem ser amolado. Sabemos que nos casos de possessão o espírito exerce uma tal subjugação que, a grosso modo, impõe a sua vontade à daquele sobre o qual domina. Nesse caso, a pobre jovem não tinha nenhuma culpa nos atos que fazia, sua única culpa, conforme sabemos, é por ter ficado na mesma faixa vibracional que o espírito, assim lhe deu as condições necessárias para que a ligação entre dos dois se consumasse. Por outro lado, é uma situação que existe desde que o homem entrou no mundo, não sendo, portanto, a possessão algo que somente acontece na Doutrina Espírita, a vemos acontecer em todos os seguimentos religiosos, muito embora, revestida com outro nome, é a tal da possessão demoníaca. E não há, aqui na terra, quem possa proibir que isso aconteça, pois se encontra dentro das leis naturais. Temos é que fazer como Paulo fez, ou seja, promover a libertação daqueles que se encontram sob a influência desses espíritos inferiores, é o que também fazer, até mesmo por caridade ao nosso próximo.
Não podemos deixar de falar que a jovem, mesmo possessa, estava sendo usada por alguém que lhe explorava, fazendo que o espírito adivinhador fosse consultado proporcionando-lhe lucros. Mas, em qualquer caso isso não tem nada a ver com a Doutrina Espírita, são praticas que absolutamente não fazemos, embora vejamos muitas pessoas quererem, a todo custo, atribuir-nos tais coisas, é pura distorção dos fatos.
Por outro lado, se a comunicação com os mortos fosse mesmo condenada por Jesus, não teria sentido algum ele próprio fazer o que estava condenando. Como pode ser isto? Vejamos, então:
Mateus 17, 1-3: Seis dias depois, toma Jesus consigo a Pedro e aos irmãos Tiago e João, e os leva, em particular, a um alto monte. E foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandecia como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele.
Nessa passagem, é bem claro, que Jesus estava conversando com os espíritos Moisés e Elias, tendo como testemunhas Pedro, Tiago e João. Como vemos que Ele nunca se contradisse em nenhum dos seus ensinamentos, por que somente nesta questão estaria se contradizendo? Concluímos, então, que agora estava era justamente sancionando o intercambio com os ditos mortos, vivos em espírito, mostrando qual a maneira correta de se fazer.
Gálatas 5, 19-21Ora, as obras da carne são conhecidas, e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias, e cousas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já outrora vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais cousas praticam.
Apocalipse 21, 8: Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte.Apocalipse 22, 15: Fora ficam os cães, os feiticeiros, os impuros, os assassinos, os idólatras, e todo aquele que ama e pratica mentira.
Não falamos de que alguns textos são interpretados segundo a conveniência dogmática de determinadas pessoas, não tendo, portanto, nenhum fundamento. Os textos acima, por exemplo, não possuem nada com Jesus condenando o Espiritismo. Vemos é Paulo e João dizer que entre outras coisas condenáveis está a feitiçaria, que parece ser a única entre estas condenações que pode ser confundida com Espiritismo. Mas esta confusão é dos que nada conhecem de Espiritismo, muitas vezes, apenas, repetem o que outros lhe passaram por puro fanatismo religioso.
Por outro lado, se querem mesmo herdar o reino de Deus deveriam seguir a orientação de Paulo aos Gálatas deixando de fazer inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções contra qualquer outra corrente religiosa, principalmente contra a Doutrina Espírita, que tem um enorme respeito por todas elas.

Ressurreição e condenação à reencarnação

João 5, 28-29Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: e os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo.
João 11, 25: Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá;
Esses textos sim, são realmente palavras de Jesus entretanto, se aqui entendermos que Ele estava falando contra a reencarnação, temos que convir que estaria contradizendo a si mesmo e até contrário ao que pensava o povo, vejamos, então as passagens:
Mateus 11, 11-15: Em verdade vos digo: Entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista; mas o menor no reino dos céus é maior do que ele. Desde os dias de João Batista até agora o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele. Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João. E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é Elias, que estava para vir. Quem tem ouvidos (para ouvir) ouça.
Mateus 17, 9-12: E, descendo eles do monte, ordenou-lhes Jesus: A ninguém conteis a visão, até que o Filho do homem ressuscite dentre os mortos. Mas os discípulos o interrogaram: Por que dizem, pois, os escribas ser necessário que Elias venha primeiro? Então Jesus respondeu: De fato Elias virá e restaurará todas as cousas. Eu, porém, vos declaro que Elias já veio, e não o reconheceram, antes fizeram com ele tudo quanto quiseram. Assim também o Filho do homem há de padecer nas mãos deles.
Mateus 16, 13-14: Indo Jesus para as bandas de Cesaréia de Filipe, perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do homem? E eles responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias, ou algum dos profetas.
Não vemos claramente Jesus dizer que João Batista era o Elias que estava para vir, ou seja, João era o Elias reencarnado. Observamos que inclusive esse era o pensamento do povo, que acreditava que um morto pudesse voltar a vida em outro corpo, se assim não fosse Jesus, não poderia ser, como pensavam, ou João Batista, ou Elias, ou Jeremias ou algum dos profetas.
Assim devemos buscar outro sentido para os dois textos anteriores. É certo que todos nós seremos julgados pelos atos que tenhamos praticado, quando na carne, quer bons ou maus. Então figuradamente sairemos do túmulo para este julgamento. E “o ainda que morra, viverá” é porque não morreremos, pois somos, na verdade, espíritos eternos, somente existindo a morte para o nosso corpo físico.
1 Coríntios 15, 40: Também há corpos celestiais e corpos terrestres; e, sem dúvida, uma é a glória dos celestiais e outra a dos terrestres.
1 Coríntios 15, 20-25Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem. Visto que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos. Porque, assim como em Adão todos morreram, assim também todos serão vivificados em Cristo. Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois os que são de Cristo, na sua vinda. E então virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder. Porque convém que ele reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés.
Passagens onde Paulo dá orientações aos Coríntios, não sendo, portanto, um ensinamento de Jesus. Sabemos que nosso corpo espiritual é muito diferente do nosso corpo físico, é um fato, foi o que percebeu Paulo. Não devemos ter dúvida alguma que para cada situação que Deus nos coloca, receberemos um corpo apropriado àquele meio em que iremos viver. Observem aqui na Terra, como nossos corpos possuem diferenças conforme o meio em que vivemos, ou seja, na água, na terra e no ar. Quanto à questão de a morte ter vindo por um homem, não podemos concordar com este absurdo, pois estaríamos dizendo que também a morte dos animais entrou no mundo por causa do pecado de Adão. Não condiz com “a cada um segundo suas obras” conforme afirmativa de Jesus.
Uma coisa é certa: o que terá fim aqui na terra é a maldade do homem, depois disso o reino de Deus estará estabelecido. Não existem inimigos de Deus, somente aqueles que ainda não o compreenderam, o que não quer dizer necessariamente inimigos, apenas seriam aos olhos dos ignorantes.
Filipenses 3, 20-21Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as cousas.
Onde aqui está a condenação à reencarnação? “A nossa pátria está nos céus”, é interessante isso que Paulo diz, pois é exatamente o que a Doutrina Espírita vem confirmar, que na realidade todos nós viemos do mundo espiritual e para lá voltaremos depois da morte, que a nossa verdadeira pátria é o plano espiritual, simbolicamente “os céus”. Nela retomaremos o nosso corpo espiritual, esse corpo sem humilhação de que fala Paulo.
Atos 17, 31: Porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos.
Pelo que já expomos, não sentimos necessidade de falar sobre este item, pois estaríamos apenas repetindo argumentos já colocados.
Mateus 12, 31-32: Por isso vos declaro: Todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada. Se alguém proferir alguma palavra contra o Filho do homem ser-lhe-á isso perdoado; mas se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será isso perdoado, nem neste mundo nem no porvir.
Não sei de onde tiram que nessa passagem existe condenação à reencarnação, por mais que tenhamos nos esforçados, não vimos nada neste sentido.
Romanos 5, 19: Porque, como pela desobediência de um só homem muitos se tornaram pecadores, assim também por meio da obediência de um só muitos serão feitos justos.
Apocalipse 20, 4: Vi também tronos, e nestes sentaram-se aqueles aos quais foi dada autoridade de julgar. Vi ainda as almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus, bem como por causa da palavra de Deus, tantos quantos não adoraram a besta, nem tampouco a imagem, e não receberam a marca na fronte e na mão; e viveram e reinaram com Cristo por mil anos.
Apocalipse 5, 13: Então ouvi que toda a criatura que há no céu e sobre a terra, debaixo da terra e sobre o mar, tudo o que neles há, estava dizendo: Àquele que está sentado no trono, e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos.
Apocalipse 21,34: (???) Este capítulo só vai até versículo 27.
Na carta de Paulo aos romanos, de certa forma repete o que diz aos coríntios quanto ao pecado de Adão. Especificamente quanto ao Apocalipse, não temos nada a dizer, pois tais textos, são para nós tão confusos que qualquer coisa que fossemos dizer poderia parecer ridículo. Entretanto, achamos que somente o próprio autor poderia nos passar o que quis dizer com aquela linguagem mística e simbólica que nos trás em sua revelação.

Salvação pela fé em Jesus

Atos 4, 12: E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa ser sejamos salvos.
Lucas 13, 24: Respondeu-lhes: “Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão”.
Se aceitarmos que somente pela fé estamos salvos estaremos sendo contrários ao que Jesus ensinou, conforme as seguintes passagens, que também servem como argumento aos outros itens:
Mateus 16, 27: Porque o Filho do homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um conforme as suas obras.
Conforme já citamos várias vezes, a retribuição de cada um será conforme as obras que tenha praticado.
Mateus 25, 31-46: Quando vier o Filho do homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; e todas as nações serão reunidas em sua presença, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa dos cabritos as ovelhas; e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos à esquerda; então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era forasteiro e me hospedastes; estava nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; preso e fostes ver-me. Então perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te damos de comer? ou com sede e te demos de beber? E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? ou nu e te vestimos? E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. Então o Rei dirá também ao que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber; sendo forasteiro, não me hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me enfermo e preso, não fostes ver-me. E eles lhe perguntarão: Senhor quando foi que te vimos com fome, com sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso, e não te assistimos? Então lhes responderá: Em verdade vos digo que sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer. E irão estes para o castigo eterno, porém os justos para a vida eterna.
Os que foram para a direita foram os que tiveram fé, ou somente aqueles que ajudaram ao próximo? Não podemos distorcer os textos à nossa conveniência, temos dito. Os justos, ou seja, os que conquistaram sua evolução espiritual vivem na vida eterna, não mais necessitando de reencarnar.
Lucas 10, 25-37: E eis que certo homem, intérprete da lei, se levantou com o intuito de pôr Jesus em provas, e disse-lhe: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? Então Jesus lhe perguntou; Que está escrito na lei? Como interpretas? A isto ele respondeu: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e amarás o teu próximo como a ti mesmo. Então Jesus lhe disse: Respondeste corretamente; faze isto, e viverás. Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: Quem é o meu próximo? Jesus prosseguiu, dizendo: Certo homem descia de Jerusalém para Jericó, e veio a cair em mãos de salteadores, os quais, depois de tudo lhe roubarem e lhe causarem muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o semimorto. Casualmente descia um sacerdote por aquele mesmo caminho e, vendo-o, passou de largo. Semelhantemente um levita descia por aquele lugar e, vendo-o, também passou de largo. Certo samaritano, que seguia o seu caminho, passou-lhe perto e, vendo-o, compadeceu-se dele. E, chagando-se, pensou-lhe os ferimentos, aplicando-lhes óleo e vinho; e, colocando-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e tratou dele. No dia seguinte tirou dois denários e os entregou ao hospedeiro, dizendo: Cuida deste homem e, se alguma cousa gastares a mais, eu to indenizarei quando voltar. Qual destes três te parece ter sido o próximo do homem que caiu nas mãos dos salteadores? Respondeu-lhe o intérprete da lei: O que usou de misericórdia para com ele. Então lhe disse; Vai, e procede tu de igual modo.
O sacerdote e o levita representam todos os que se encontram à frente dos segmentos religiosos que mesmo conhecendo o que consta do Evangelho de Jesus não o coloca em prática, ou seja, não exercem o amor ao próximo através da caridade. Já o samaritano é o símbolo de todos aqueles que mesmo sem pertencerem a nenhuma das religiões organizadas pratica a caridade, seguindo, mesmo sem saber, os ensinos de Jesus. Qual deles Jesus nos oferece como exemplo a ser seguido? Foram os de fé ou o de ação? A conclusão é por demais óbvia, não foram os de fé.
Mateus 7, 21-29: Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! porventura não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi explicitamente: Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade. Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha. E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína. Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina; porque ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os escribas.
Novamente estamos diante da prática da caridade como aquilo que devemos fazer para merecer o reino dos céus.
Fica até incisivo a lição de Jesus acerca do que realmente nos salva. Em nenhuma das passagens acima fala que é a fé, muito antes, pelo contrário deixa taxativo ser as obras de caridade que tenhamos feito ao nosso semelhante. Qualquer ensinamento, venha de onde vier, fora disso é contrário ao que Jesus ensina.
1 Timóteo 4, 10: Ora, é para esse fim que labutamos e nos esforçamos sobremodo, porquanto temos posto a nossa esperança no Deus vivo, Salvador de todos os homens, especialmente dos fiéis.
Não vemos nesta passagem que é a fé que salva. Deus não pode ser o nosso Salvador, pois tiraria o nosso mérito. O que em realidade acontece é que ele fornece a todos nós os meios de nos salvarmos. Como é justo este meio, deverá ser um que todos nós indistintamente podemos fazer. Vejam que somente a caridade é algo que todos podem fazer, mesmo aqueles que são ateus – não é o caso do bom samaritano? A fé ao contrário, os que não conhecem o Deus verdadeiro, poderão estar adorando um deus qualquer, estariam assim desprovido de fé nEle.
1 João 4, 9Nisto se manifesta o amor de Deus em nós, em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele.
1 João 4, 14E nós temos visto e testemunhamos que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo.
A questão da salvação de maneira fácil, somente por crer, aceitar ou ter fé, é contrária, conforme já cansamos de dizer, ao: “a cada um segundo suas obras”, então porque ainda insistem nesse absurdo? Entretanto, este não parece ser o pensamento de Tiago, ele conforme veremos, dizia que a fé sem obras é morta. Vamos, então à sua narrativa:
Tiago 2, 14-18 e 26: Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa, e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos, e fartai-vos, sem, contudo, lhes dardes o necessário para o corpo, qual é o proveito disso? Assim também a fé, se não tiver obras, por si só esta morta. Mas alguém dirá: Tu tens fé e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé. Porque assim como o corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta.
Mas, ao lemos Paulo, notamos que ele ora fala que é a fé, ora que é o amor, esse se manifestando na ajuda que damos aos necessitados, vejamos:
Romanos 5, 1: Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.
Romanos 10, 9: Se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração credes que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.
1 Coríntios 13, 1-13: Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que eu tenha tamanha fé ao ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei. E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres, e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará. O amor é paciente, é benigno, o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará; porque em parte conhecemos, e em parte profetizamos. Quando, porém, vier o que é perfeito, então o que é em partes será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das cousas próprias de menino. Porque agora vemos como em espelho obscuramente, então veremos face a face; agora conheço em parte, então conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três: porém o maior destes é o amor.
Tiago 20, 14 e 26: (???)
Não existe este capítulo, pois esta carta vai somente até capítulo 5.
Romanos 6, 23: Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.
Não podemos censurar os que ainda acreditam que a morte veio ao mundo porque Adão pecou. Para nós é ilógico, pois vemos tudo, na natureza em nossa volta, passar pelo ciclo nascer-viver-morrer, nada mesmo escapa de tal lei. Assim a morte do homem nada mais é que aplicação desta lei, não sendo, portanto castigo de Deus. Tenhamos que convir que aos homens era necessário dar uma explicação para a morte, daí inventaram esta lenda do pecado de Adão e Eva para que ele aceitasse a morte mais naturalmente. Temos, por lógica, aceitar que é uma lenda, pois não poderemos acreditar que um simples ato de comer uma fruta tenha provocado tamanho disparate, até porque é de se estranhar que tenha existido alguma árvore que ao comermos de seu fruto passamos a ter conhecimento do bem e do mal.

Conclusão

Provamos que Jesus nunca condenou o Espiritismo, buscando para nossa sustentação os textos do Evangelho. Mas se a Doutrina Espírita ainda incomodar a alguém, usaremos em nossa defesa as palavras de Gamaliel, mestre da lei, quando no Sinédrio advogou a favor de Pedro e os demais apóstolos, dizendo: “Daí de mão a estes homens, deixai-os; porque se este conselho ou esta obra vem de homens, perecerá; mas, se é de Deus, não podereis destruí-los, para que não sejais, porventura, achados lutando contra Deus”, conforme Atos 5, 38-39.
Outubro/2000.

Bibliografia:

  • A Bíblia Anotada = The Ryrie Study Bible/Texto bíblico: Versão Almeida, revista e atualizada, com introdução, esboço, referências laterais e notas por Charles Caldwell Ryrie; Tradução de Carlos Oswaldo Cardoso Pinto, - São Paulo: Mundo Cristão, 1994.