domingo, 10 de julho de 2016

Indulgência e nós - Maria Dolores

Quando ofensas te visitem
Não revides, alma boa,
Ama, trabalha, perdoa,
Não penses mal de ninguém;
A pessoa humilha e fere
Quando não sabe o que custa
Fugir à lei nobre e justa
Com que Deus preserva o bem.

Aversão, cólera, insulto,
Inveja, impulso violento
Discórdia, ressentimento
Desespero e orgulho vão.
No fundo, somente expressam
Enfermidades da mente
Que esperam de toda gente
O amparo da compaixão.

Quando a injúria te ameace,
Age e constrói, serve e lida,
A gente guarda na vida
Somente aquilo que fez.
Todos estamos na escola,
Hoje, há quem erre e se gabe,
Amanhã, talvez... Quem sabe?
Chegue também nossa vez.

Na luz da indulgência - Emmanuel

 "E se ao que quiser pleitear contigo tirar-te o vestido, larga-lhe também a capa." JESUS, MATEUS,5: 40.


“Sede indulgentes com as faltas alheias, quaisquer que elas sejam; não julgueis com severidade senão as vossas próprias ações e o Senhor usará da Indulgência convosco, como de indulgência houverdes usado para com os outros.” - Cap.10, 17.

Anseias pela vitória do bem, contudo, acende a luz da indulgência para faze-lo com segurança.

Todos nós, espíritos imperfeitos, ainda arraigados ‘`a evolução da Terra, reclamamos concurso e compaixãouns dos outros, mas nem sempre sabemos por nos mesmos, quando surgimos necessitados de semelhantes recursos.

Em muitas circunstâncias, estamos cegos da reflexão, surdos do entendimento, paralíticos da: sensibilidade e anestesiados na memória sem perceber.

0 irmão da luta de ontem mostra-se hoje em plena abastança material, delirando na ambição desenfreada.

Certo, aspiras a vê-lo recambiado ao próprio equilíbrio, a fim de que o dinheiro lhe sirva de instrumento à, felicidade, no entanto, para isso, não comeces por censurar-lhe o procedimento- Usa a indulgência e renova-lhe o modo, de pensar e de ser.

0 amigo escalou a evidência pública, fazendo-se verdugo em nome da autoridade.

Queres garantir-lhe o reajuste para que o poder se lhe erija, em caminho de paz, entretanto, não te dês a isso, exibindo atitude condenatória.

Usa a clareando-lhe o raciocínio.

A jovem do teu convívio embriagou-se na ilusão, caindo em sucessivos abusos, a pretexto de mocidade.

Justo suspires por reintegrá-la no harmonioso desenvolvimento das próprias faculdades situando-a no rumo das experiências ,de natureza superior, todavia, por ajudá-la, não lhe reproves os sonhos.

Usa a indulgência e ampara-lhe. a meninice.

0 companheiro em provas amargas escorregou no desânimo e tombou em desespero.

Claro que anelas para ele o retorno A tranqüilidade, no entanto, não te entregues às criticas que lhe agravariam a irritação.

Usa a indulgência e oferece-lhe apoio.

0 Próprio Criador espera as criaturas, no transcurso do tempo tolerando-lhes as faltas, e encorajando-lhes as esperanças, embora lhes corrija todos os erros, através de leis eficientes e claras Indiscutivelmente, ninguém constrói nada de bom, sem responsabilidade e disciplina, advertência e firmeza, mas é imperioso considerar que toda boa obra roga auxílio a fim de aperfeiçoar-se.

Pensa no bem e faze o bem, contudo, é preciso recordar que o bem exigido pela força da violência gera males inúmeros em torno e desaparece da área luminosa do bem para converter-se no mal maior.

Indulgência - André Luiz

A luz da alegria deve ser o facho continuamente aceso na atmosfera das nossas experiências.
Circunstâncias diversas e principalmente as de indisciplina podem alterar o clima de paz, em redor de nós, e dentre elas se destaca a palavra impensada como forja de incompreensão, a instalar entrechoques.
Daí o nosso dever básico de vigiar a nós mesmos na conversação, ampliando os recursos de entendimento nos ouvidos alheios.
Sejamos indulgentes.
Se erramos, roguemos perdão.
Se outros erraram, perdoemos.
O mal que desejarmos para alguém, hoje, suscitará o mal para nós, amanhã.
A mágoa não tem razão justa e o perdão anula os problemas, diminuindo complicações e perdas de tempo.
É assim que a espontaneidade no bem estabelece a caridade real.
Quem não reconhece as próprias imperfeições demonstra incoerência. Quem perdoa desconhece o remorso.
Ódio é fogo invisível na consciência.
O erro, por isso, não pede aversão, mas, entendimento.
O erro, nosso, requer a bondade alheia; erro de outrem, reclama a clemência nossa.
A Humanidade dispensa quem a censure, mas necessita de quem a estime.
E ante o erro, debalde se multiplicam justificações e razões. Antes de tudo, é preciso refazer, porque o retorno à tarefa é a conseqüência inevitável de toda fuga ao dever.
Quanto mais conhecemos a nós mesmos, mais amplo em nós o imperativo de perdoar.
Aprendamos com o Evangelho, a fonte inexaurível da Verdade.
Você, amostra da Grande Prole de Deus, carece do amparo de todos e todos solicitam-lhe amparo.
Saiba, pois, refletir o mundo em torno, recordando que o espelho, inerte e frio, retrata todos os aspectos dignos e indignos à sua volta, o pintor, consciente, buscando criar atividade superior, somente exterioriza na pureza da tela os ângulos nobres e construtivos da vida.

Indulgência permanente - Joanna

Escasseia, cada vez mais, no comportamento humano, a indulgência.

Relevante para o êxito da criatura em si mesma e em relação ao próximo, o pragmatismo negativo dos interesses imediatos vem, a pouco e pouco, desacreditando-a, deixando-a à margem.

Sem a indulgência no lar, diante das atitudes infelizes dos familiares ou em referência aos seus equívocos, instala-se a malquerença; na oficina de atividades comerciais, produz a desconfiança; no trato social propicia o desconforto moral e responde pelo competição destrutiva.. .

Tentando substituí-la, as criaturas imprevidentes colocam nos lábios a mordacidade no trato com o semelhante, a falsa superioridade, a ofensa freqüente, a hipocrisia em arremedos de tolerância.

A indulgência para com as faltas alheias é perfeita compreensão da própria fragilidade, a refletir-se no erro de outrem, entendendo que todos necessitam de oportunidade para recuperar-se, e facultando-a sem assumir rígido comportamento de censor ou injustificável postura de benfeitor.

A indulgência é um sentimento de humanidade que vige em todas as pessoas, aguardando desdobramento e vitalidade que somente o esforço de cada qual logra realizar.

É calma e natural, fraterna e gentil, brotando como linfa cristalina alcance do sedento.

Generosa, não guarda qualquer ressentimento, olvidando as ofensas a benefício do próprio agressor.

A indulgência é um ato de amor que se expande e de caridade que se realiza.

Mede-se a conquista moral de um homem pelo grau de indulgência que possui em relação aos limites e erros alheios.

Ninguém que jornadeie, no mundo, sem errar e que, por sua vez, não necessite da indulgência daqueles a quem magoa ou contra os quais se levanta.

A indulgência pacifica o infrator, auxiliando-o a crescer em espírito e abre áreas de simpatia naquele que a proporciona.
Virtude do sentimento, a indulgência revela sabedoria da razão Agredido pela ignorância do poviléu, ou pela astúcia farisaica, ou pela covardia dos amigos, ou pela pusilanimidade de Pilatos, Jesus foi indulgente para com todos, não obstante jamais houvesse recebido ou necessitasse da indulgência de quem quer que fosse.

Lecionando o amor, toda a Sua vida é um hino à indulgência e uma oportunidade de redenção ao equivocado.

Sê, pois, tu também, indulgente em relação ao teu próximo, quão necessitado te encontras da indulgência dos outros assim como da Vida.

O SÁBIO E O ESCORPIÃO (A INDULGÊNCIA)

O SÁBIO E O ESCORPIÃO (A INDULGÊNCIA)

“Certa vez, na Índia, um sábio passava, com seu discípulo, à margem do Rio Ganges, quando viu um escorpião que se afogava. Ele então correu e, com a mão, retirou o bichinho e o trouxe à terra firme.
Naquele instante, o escorpião o picou... Dizem que é uma dor terrível... Inchou a mão do sábio.
Assim que ele o colocou no chão, pacientemente, o escorpião voltou para a água. E ele, com a mão já inchada, debaixo daquelas dores violentas, vai e o retira novamente.

E o discípulo a observar...
Numa terceira vez em que ele traz o escorpião, já com a mão bastante inchada e as dores violentas, ele o põe mais distante, em terra. Aí, o discípulo já não suporta mais aquilo e diz:
- Mestre, eu não estou entendendo... Este bicho... É a terceira vez que o senhor vai retirá-lo da água e ele pica sua mão dessa maneira. O senhor deve estar sofrendo dores terríveis!...
E ele, com a fisionomia plácida das almas que conhecem o segredo do bem, daqueles que já realmente conquistaram um território de amor e renúncia no coração, que têm a visão das verdades celestes, vira-se para o discípulo e diz:



Livro:  Um Minuto Com Chico Xavier
            José Antônio Vieira de Paula

INDULGÊNCIA

INDULGÊNCIA



De acordo com alguns dicionários a palavra indulgência significa:
Facilidade em perdoar os erros dos outros, clemência, tolerância,
indulto, perdão, bondade, misericórdia.

O Espiritismo adota a divisa “Fora da caridade não há salvação”.
Há nessa máxima, dois conceitos principais:
Salvação: Emmanuel (o consolador, nº 225): Temos de traduzir
o conceito de salvação por iluminação de si mesmo, a caminho
das mais elevadas aquisições e realizações no infinito.

O aprimoramento é tarefa individual de cada Espírito, tendo como
objetivo final a condição de Espírito perfeito. A evolução
é pessoal e intransferível – a cada um segundo suas obras.
Caridade: é composta por três virtudes: benevolência, indulgência
e perdão.

Objetivando obter o melhor conceito de caridade, na questão nº 886
de O livro dos Espíritos, Kardec indaga à espiritualidade superior
qual o verdadeiro sentido dessa palavra, segundo a entendia Jesus.
Obtém a seguinte resposta: “Benevolência para com todos, indulgência
para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas”.

Assim, quando Jesus aconselha que não se julgue, o conselho não
parece ser em sentido absoluto, mas apenas a que não se
julgue com severidade.

A indulgência implica fazer um juízo suave das imperfeições
morais alheias.

É uma questão de valorizar o bem, em vez do mal.

Quando se fala em julgamento, logo vem à mente a famosa
frase de Jesus: “Não julgueis, para que não sejais julgados.”
(Mateus: 7:1).

Trata-se de uma medida prudente, tendo em mira a afirmação
de Jesus de que cada um será medido com a medida que
aplicar aos outros (Mateus: 7:2).

A respeito, o seguinte trecho de O Evangelho segundo o
Espiritismo: “Sede indulgentes com as faltas alheias,
quaisquer que elas sejam; não julgueis com severidade
senão as vossas próprias ações e o Senhor usará
de indulgência para convosco, como de indulgência
houverdes usado para com os outros”
(Capítulo X, item 17, primeira parte).

Nesse mesmo capítulo do Evangelho segundo o Espiritismo,
no item 16, há uma interessante dissertação de José,
Espírito Protetor, a respeito da indulgência. Ele afirma que
a indulgência não vê os defeitos de outrem, mas, se os vê,
evita falar deles. Ao contrário, oculta-os.

Ninguém gosta de ficar perto de uma pessoa severa, que só
percebe e valoriza os defeitos alheios. É desagradável sentir-se
criticado, não apreciado, sem falar que ter as próprias dificuldades
ressaltadas desanima, a ponto de muitas vezes surgir o raciocínio
de que nada mais há para fazer: é-se um caso perdido!

A indulgência, como componente da caridade, não é só a meta
(a libertação final, fruto da vivência perfeita), mas também o
caminho, ao viabilizar a fraternidade entre seres ainda imperfeitos,
mas que sonham com a perfeição e precisam se auxiliar em sua
caminhada.

Por que ser indulgente?


por Fabiola

in.dul.gên.cia

sf (lat indulgentia) 1 Qualidade de indulgente. 2 Clemência. 3Condescendência, tolerância. 4 Teol Remissão total ou parcial das penas relativas aos pecados. 5 Perdão. I. plenária:absolvição plena das penas temporais. (Michaelis – Moderno Dicionário da Língua Portuguesa)

Não devemos combater fogo com fogo. Jesus nos aconselhou a perdoar sempre. Este fato não se dá sem propósito plausível. Existe uma justificativa muito maior por trás deste ensinamento de desprendimento e de condescendência para as atitudes alheias.

Em primeiro lugar, não devemos fazer aos outros aquilo que não gostaríamos que nos fosse feito. Se não gostamos de ser agredidos ou prejudicados, aqueles que cometem esses atos para conosco também não gostarão de receber uma retribuição no mesmo nível. Portanto, sendo agredido e agredindo, nos tornamos parte de um mecanismo vicioso de dor e sofrimento. O ódio instalado no coração é o amargo veneno que nos sufoca as aspirações mais nobres e nos nivela àqueles que nos agrediram. Haverá sempre, neste ciclo vicioso, alguém querendo se vingar da agressão recebida, sem pensar se fora justa ou não. O ódio faz cegar a razão e o instinto surge como que a proteger-nos das atitudes externas. Faz-se então uma união entre instinto e pensamento direcionado, aliando-se a agressividade aos planos de revide, geradores estes de sofrimentos dos mais atrozes não somente aos agressores e “vítimas”, como também à todos indivíduos indiretamente envolvidos.

A indulgência é uma característica das almas enobrecidas, daqueles indivíduos que já adquiriram conhecimentos intelecto-morais suficientes para discernir e concluir que qualquer ação de revide às ofensas ou às críticas se tornará o fermento que fará crescer o mal que fora gerado. Ela possui o mesmo efeito da água atirada ao fogo. Tem o dom de suavizar e de anular as atitudes e ações maléficas, não dando campo para que elas se propaguem.

Ser indulgente é demonstrar conhecimento das leis morais e de sua aplicabilidade. Ser indulgente é ser portador da compreensão das limitações do próximo e não estimular o seu lado negativo. Muito pelo contrário, a indulgência se torna o exemplo da reta e digna conduta que devemos ter nas mais variadas circunstâncias em que estivermos envolvidos.

Indulgência e perdão é a mesma coisa?

Só perdoa aquele que um dia se achou prejudicado ou se ofendeu com as atitudes alheias. Quando somos indulgentes, não chegamos a guardar nenhum rancor ou mágoa, consequentemente, não teremos nada a perdoar, pois nosso coração não registrou nenhuma “queixa” contra nosso semelhante.

Quais os benefícios de ser indulgente?

Primeiramente, ser indulgente é demonstrar superioridade moral e exercitar a caridade. Aquele que é indulgente compreende as limitações do semelhante e não se revolta, muito pelo contrário. Com suas atitudes, serve de exemplo de comportamento a todos que o testemunham.

O maior benefício que a indulgência fornece é a paz de espírito e a manutenção da harmonia.

Se eu tenho “estopim curto”, como posso praticar a indulgência?

Primeiramente fazendo a caridade para si mesmo. Somos ainda seres “doentes” e necessitamos de tratamento constante. As agressões externas servem para estimular nosso sistema de defesa, que vai se aperfeiçoando gradativamente, criando “anti-corpos” que nos imunizarão de futuras enfermidades psíquicas. Melhor explicando, nos atritos que sofremos no dia-a-dia, aprendemos como nos comportar e a reagir condignamente a cada ação externa. Se reagirmos mal, iremos agravar o quadro, mas se reagirmos corretamente, aprenderemos na prática o comportamento correto a ser adotado em determinada circunstância, que será colocado em prática toda vez que tal situação se repetir. Aqueles que ainda têm o “estopim curto” sofrerão com o retorno de suas ações prematuras até o ponto que certificarão a necessidade de retificar seu procedimento e melhorar-se intimamente. Quando isso ocorrer será sinal que a lição fora assimilada.

Tecer comentários sobre a vida alheia é falta de indulgência?

Completamente. Ainda somos muito orgulhosos para analisarmos primeiramente nossas ações e pensamentos antes de nos mirarmos nas atitudes alheias. Se voltássemos o olhar para dentro de nós, veríamos que existe material “deteriorado” suficiente para nos ocuparmos por longo tempo e não o teríamos para olhar os procedimentos de nossos semelhantes.

O que a falta de indulgência pode ocasionar?

Inimizades, dores e sofrimentos. Ao criticarmos o semelhante ou revidarmos, movemos as energias mais pesadas que existam dentro de nós e a despejamos. Toda ação contrária a bondade e ao amor gera sofrimento. Ser indulgente é ser sábio e benevolente. A sua falta ocasiona conflitos que poderiam ser facilmente evitados e gera desajustes que somente o “remédio homeopático” do tempo e da dor poderá curar.

Sendo indulgentes teremos a paz de consciência tão sonhada?

Em partes sim. Mas não basta apenas esse exercício. É necessário também o exercício do amor através da caridade, da benevolência, da fraternidade e do trabalho. Devemos ser perfeitos em nossas atitudes e produtivos em nossas ações para que a nossa consciência esteja afinada com os desígnios maiores com que fomos criados.

(Colaboração: Valdenir).