quarta-feira, 15 de junho de 2016

A Afabilidade e a Doçura

 A Afabilidade e a Doçura
LÁZARO
Paris, 1861
6 – A benevolência para com os semelhantes, fruto do amor ao próximo, produz a afabilidade e a doçura, que são a sua manifestação. Entretanto, nem sempre se deve fiar nas aparências, pois a educação e o traquejo do mundo podem dar o verniz dessas qualidades. Quantos há, cuja fingida bonomia é apenas uma máscara para uso externo, uma roupagem cujo corte bem calculado disfarça as deformidades ocultas! O mundo está cheio de pessoas que trazem o sorriso nos lábios e o veneno no coração; que são doces, contanto que ninguém as moleste, mas que mordem à menor contrariedade; cuja língua, doirada quando falam face a face, se transforma em dardo venenoso, quando falam por trás.
A essa classe pertencem ainda esses homens que são benignos fora de casa, mas tiranos domésticos, que fazem a família e os subordinados suportarem o peso do seu orgulho e do seu despotismo, como para compensar o constrangimento a que se submetem lá fora. Não ousando impor sua autoridade aos estranhos, que os colocariam no seu lugar, querem , pelo menos ser temidos pelos que não podem resistir-lhes. Sua vaidade se satisfaz com o poderem dizer: “Aqui eu mando e sou obedecido”, sem pensar que poderiam acrescentar, com mais razão: “E sou detestado”.
Não basta que os lábios destilem leite e mel, pois se o coração nada tem com isso, trata-se de hipocrisia. Aquele cuja afabilidade e doçura não são fingidas, jamais se desmente. É o mesmo para o mundo ou na intimidade, e sabe que se podem enganar os homens pelas aparências, não podem enganar a Deus.

Quando Jesus traça como regra de vida a afabilidade e a doçura, estas duas qualidades abrangem outras, como a paciência, a tolerância, a obediência e a resignação. Estas são as qualidades das almas nobres, dos homens bons. Todas as pessoas afáveis e doces são gentis.
A gentileza se exercita através de pequenos gestos; um simples bom dia; um sorriso; um agradecimento; dar passagem a quem tem pressa. Pode não parecer, mas esses pequenos gestos fazem muita diferença.
É através de pequenos gestos que começamos a mudar o mundo.
A gentiliza traz a paz, a tolerância, a paciência, a capacidade de perdoar.
Gentileza é uma maneira de pensar, de enxergar as pessoas; tratar o outro como gostaríamos de ser tratados; é muito mais que um código de conduta ou de boa educação. A pessoa verdadeiramente gentil não espera nada em troca; ela é verdadeira, honesta; não bajula ninguém apenas para ser gentil; ao contrário, diz “não” da mesma maneira que diz “sim”, quando necessário. Ser gentil não é sinal de fraqueza.
Não revidar uma agressão também não é sinal de fraqueza.
Ao contrário, fraco é o agressor, que não consegue resolver as coisas de forma pacífica.
A pessoa gentil é flexível, espera o momento certo para agir, trata o próximo com afeto e carinho, sinônimos da afabilidade e da doçura.
A pessoa gentil é forte, sabe defender seus pontos de vista com brandura, mas com firmeza.
A gentileza é exercitada pelas pessoas com capacidade de perdoar.
Já foi dito que “o fraco jamais perdoa, pois o perdão é característica do forte”.
Dissemos que a afabilidade e a doçura abrangem a paciência e a tolerância.
Nossos filhos nos ensinam a cultivar a paciência, mas são nossos inimigos que nos ensinam a praticar a tolerância.
A pessoa gentil é tolerante e pensa duas vezes antes de responder a uma agressão gratuita. Ela sabe que, muitas vezes, o silêncio é a melhor resposta.
Quando você está sendo agredido, o agressor não quer ouvir o que você tem a dizer; e nessa hora, já foi dito por um sábio que o silêncio é uma prece.
Responda ao agressor com o seu silêncio e veja o que acontece.
Dissemos que nossos filhos nos ensinam a cultivar a paciência; mas esta pode ser exercitada em todos os lugares: no trânsito, na fila do banco, do supermercado. Há várias situações em que somos chamados a exercitar a paciência, e precisamos dela para obter autocontrole, para analisar os problemas com serenidade e, por fim, para termos paz de espírito.
A paciência nos ajuda a aceitar as dificuldades e os obstáculos da vida e a superá-los com coragem. Isso também se chama resignação e obediência à vontade de Deus.
A obediência e a resignação são duas virtudes companheiras da doçura e da afabilidade.
Lendo o Evangelho, aprendemos que a obediência é o consentimento da razão e a resignação é o consentimento do coração
Ambas são forças ativas, porque nos ajudam a carregar o fardo das provações; e é dessa forma que adquirimos a paz interior que almejamos.
Disse o Divino Mestre: “Bem-aventurados os pacificadores…”
Usemos para com os outros o alimento da paz, porque, estendendo paz aos outros, asseguramos a paz a nós mesmos.
Bibliografia: Evangelho Segundo o Espiritismo Capítulo IX, Instruções dos Espíritos – item 6 – A afabilidade e a doçura;
Palestra de Anne Marie Lanatois – blog – Espírita do Terceiro Milênio

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