sexta-feira, 29 de abril de 2011

JESUS E MEDIUNISMO

JESUS E MEDIUNISMO
        Felicitados pelas bênçãos com que o Espiritismo nos distende o socorro do Céu, busquemos no Evangelho o roteiro da Humanidade sublimada.
        Intérprete fiel do Pai Celestial, foi Jesus o Excelente Médium da vida abundante.
        Em todo o seu ministério, esteve em freqüente comunhão com os desencarnados, sendo, por isso mesmo, denominado “Senhor dos Espíritos”.
        Obsidiados e loucos, fascinados e dementes, paralíticos e mudos, surdos e cegos receberam das suas mãos o auxílio vigoroso que os libertou dos desencarnados de mente atormentada, que os detinham sob o fardo de aflições indescritíveis.
  • Maria a famosa cortesã de Magdala, dominada por pertinaz fascinação obsessiva, recebeu dEle o convite libertador, renovando-se para a vida nobilitante.
  • Em Cafarnaum, “cheqada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados, e ele com a sua palavra expulsou deles os Espíritos” atormentadores que se compraziarn em obsidiar coletivamente(1)
  • Descendo do Tabor, um pai aflito, de joelhos, diz-lhe: — “Senhor, tem misericórdia de meu filho, que é lunático e sofre muito”, apresentando, na mediunidade torturada, os estigmas de obsessão profunda.(2)
  • O paralítico de Cafarnaum, que lhe foi apresentado “pelo telhado”, portava consigo a mediunidade ultrajada por Espíritos possessivos que lhe dominavam os movimentos.
  • O endemoninhado gadareno, médium obsidiado por “Legião”, defrontado com o seu magnetismo curador, estertorava, “porque lhe dizia: Sai deste homem. Espírito imundo.”(3)
  • Nos termos de Tiro e Sidon, “uma mullher cuja filha tinha um espírito imundo” e vivia vampirizada pela força maléfica, encontrou alívio para o desequilíbrio psíquico que a infelicitava.(4)
  • Judas, perturbado por obsessão indireta, serviu de fácil presa dos Espíritos levianos, “tendo-lhe o demônio posto no coração” a dúvida a respeito do apostolado.(5)
        E, em todo o Novo Testamento, repontarn as afirmações sobre a Mediunidade em volta do Mestre Divino.
  • Em Caná, o Senhor honrou a mediunidade de efeitos físicos.
  • No Tabor, o Cristo enobreceu a faculdade da transfiguração.
  • Sobre as águas do Genesaré, o Enviado Celeste prestigiou os recursos psíquicos da levitação.
  • Na Montanha, atendendo à multidão esfaimada, Jesus movimentou o mecanismo da materialização abundante.
  • O cego de Jericó foi por Ele felicitado no exercício da mediunidade curadora.
  • Em Nazaré, ante a turba enfurecida, utilizou a faculdade da desmateriaIização.
  • No dia do Pentecostes, favoreceu os companheiros da retaguarda com a psicofonia, desenvolvendo neles a mediunidade poliglota.
  • E no dia da ascensão triunfal, junto ao lago, na Galiléia, depois de investir os discípulos no sacerdócio da Mediunidade nos seus múltiplos aspectos, alçou-se ao Reino, nimbado de radiosa materialização luminosa.
        Iniciou o ministério entre os homens, nas humildes palhas de modesta estrebaria, com o lar assinalado pelas forças espirituais condensadas numa estrela fascinante, e despediu-se dos companheiros, fulgurante como um sol de eterna luz...
        Mediunidade, hoje, é recapitulação da Boa Nova sob a Presidência do Sábio Condutor.
        Procuremos, assim, sintonizar com a Esfera Superior, no exercício da faculdade com que a vida nos honra, e sirvamos sem desfalecimento.
        Toda mediunidade é nobre quando a libertamos da sombra que nasce conosco, como remanescente do passado.
        Somos destinados á luz.
        Temos a fatalidade do bem.
        Libertemos a gema que se demora entre os cascalhos das imperfeições pessoais e, lapidando zelosamente as arestas que obstaculizam a projetação da luz, desenvolvamos os preciosos recursos que jazem latentes em nós.
        Honremos a faculdade que nos felicita os dias, mediante a execução de um plano socorrista em favor dos sofredores, a fim de nos libertarmos do currículo das manifestações inferiores.
        Cada médium segue o roteiro que se desdobra como senda de purificação.
  • Uns curam, outros materializam; 
  • uns doutrinam, outros enxergam; 
  • uns falam, outros escrevem; 
  • uns ensinam, outros ouvem; 
  • uns libertam, outros servem na incorporação psicofônica, ajudando os atormentados do Além-Túrnulo com as preciosas luzes do Evangelho.
        Não pretendamos atender a todos os “dons espirituais” conforme a linguagem do Vidente de Damasco, que nos apresentou a diversidade deles em sua memorável carta aos Coríntios, 1-12:4-11.
        Utilizemos a força mediúnica em todo tempo e lugar, consoante as necessidades, examinando se “os Espíritos vêm de Deus” e ensinando que todo o bem procede sempre do Pai que nos rege a vida.
        E, calcando sob os pés dificuldades e óbices, vencendo as imperfeições milenárias, restauremos a Era do Espírito nestes dias que precedem ao Primado da Verdade, mesmo que mantenhamos no coração um espinho, na posição de seta direcional apontando o rumo dos Altos Cimos.

(1) Mat. 8.16;  (2) Mat. 17-14;  (3) Mar. 5-8;  (4) Mar. 7-25;  (5) Jo. 13-2, (Notas do autor espiritual)

O ENDEMONINHADO GADARENO


MC 5.1-20

Pr. José Antônio Corrêa

INTRODUÇÃO:

1. No texto que lemos, a Palavra de Deus, nos mostra Jesus chegando a uma cidade chamada "Gádara". Esta cidade fazia parte de um complexo de dez cidades, cidades estas que ficavam ao lado leste do lago da Galiléia, Mc 5.20, "Então, ele foi e começou a proclamar em Decápolis tudo o que Jesus lhe fizera; e todos se admiravam".
2. Gádara, era uma cidade importante nos tempos bíblicos. Estava edificada a meio caminho, entre o Mar Morto e Mar da Galiléia, mais precisamente a trinta e dois quilômetros do Rio Jordão, ao leste. Hoje, naquele lugar existe apenas um pequeno povoado, por nome "Jaras".
3. Foi nesta cidade, que Jesus encontrou o mais terrível, o mais horripilante, dos endemoninhados descritos pela Palavra de Deus. Hoje, queremos observar como Jesus tratou com aquele homem e quais as implicações deste milagre para os dias atuais.

"VEJAMOS ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DESTE INFELIZ HOMEM":

I - SUA SITUAÇÃO FÍSICA E ESPIRITUAL
VS. 1-5
"1 Entrementes, chegaram à outra margem do mar, à terra dos gerasenos. 2 Ao desembarcar, logo veio dos sepulcros, ao seu encontro, um homem possesso de espírito imundo, 3 o qual vivia nos sepulcros, e nem mesmo com cadeias alguém podia prendê-lo; 4 porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram quebradas por ele, e os grilhões, despedaçados. E ninguém podia subjugá-lo. 5 Andava sempre, de noite e de dia, clamando por entre os sepulcros e pelos montes, ferindo-se com pedras".
1. "Era possuído por um espírito imundo", Vs. 2. Os espíritos imundos têm uma influência tremenda sobre os homens sem Deus, e procuram ocupar seus corpos, Lc 11.24-26, "24 Quando o espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos, procurando repouso; e, não o achando, diz: Voltarei para minha casa, donde saí. 25 E, tendo voltado, a encontra varrida e ornamentada".
2. "Morava nos sepulcros". Segundo a crença antiga, os cemitérios eram esconderijos de demônios, razão pela qual algumas pessoas endemoninhadas têm a tendência de morar, ou freqüentar tais lugares. Um fato muito comum é que algumas pessoas endemoninhadas comem, até mesmo a carne de defuntos, através de pacto com os demônios . É claro que os demônios não ficam só nos cemitérios! Eles podem agir e possuir pessoas em quaisquer lugares!
3. "Ninguém conseguia prendê-lo", Vs. 3. Mateus menciona o fato de que existia dois endemoninhados e não apenas um, como menciona Marcos (esta diferença entre os dois escritores reside provavelmente no fato de que o endemoninhado referido por Marcos tenha ficado mais conhecido nos dias da Igreja Primitiva e por esta razão foi citado isoladamente por ele). Segundo Mateus, tais endemoninhados eram tão ferozes, que ninguém podia passar por aquele lugar, Mt 8.28, "Tendo ele chegado à outra margem, à terra dos gadarenos, vieram-lhe ao encontro dois endemoninhados, saindo dentre os sepulcros, e a tal ponto furiosos, que ninguém podia passar por aquele caminho". Tal era a ferocidade deste homem, que mesmo que alguém o prendesse com correntes, estas eram por ele despedaçadas, Vs. 4. Pessoas endemoninhadas normalmente, têm uma força descomunal.
4. "Andava dia e noite gritando e ferindo-se com pedras", Vs. 5. Três coisas temos aqui:
a) Não dormia – "...andava de dia e de noite",
b) Gritava desesperadamente – "...clamando por entre os sepulcros".
c. Cortava-se com pedras pontiagudas – "...ferindo-se com pedras".
5. Seu espírito e mente estavam desarranjados. Lucas menciona um fato adicional: "Vivia despido", Lc 8.27, "Logo ao desembarcar, veio da cidade ao seu encontro um homem possesso de demônios que, havia muito, não se vestia, nem habitava em casa alguma, porém vivia nos sepulcros".
6. Triste, era o quadro deste homem. Esta é a situação a qual uma pessoa sem Deus pode chegar. Quando Jesus não é o centro de sua vida, você pode ser vítima destes demônios, que não tanto podem possuir-lhe, como podem influenciar sua mente, transformando-o num joguete de Satanás.

II - SUA BUSCA DE JESUS
VS. 6-13
"6 Quando, de longe, viu Jesus, correu e o adorou, 7 exclamando com alta voz: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Conjuro-te por Deus que não me atormentes! 8 Porque Jesus lhe dissera: Espírito imundo, sai desse homem! 9 E perguntou-lhe: Qual é o teu nome? Respondeu ele: Legião é o meu nome, porque somos muitos. 10 E rogou-lhe encarecidamente que os não mandasse para fora do país. 11 Ora, pastava ali pelo monte uma grande manada de porcos. 12 E os espíritos imundos rogaram a Jesus, dizendo: Manda-nos para os porcos, para que entremos neles. 13 Jesus o permitiu. Então, saindo os espíritos imundos, entraram nos porcos; e a manada, que era cerca de dois mil, precipitou-se despenhadeiro abaixo, para dentro do mar, onde se afogaram".
1. "Ele veio ao encontro de Jesus", Vs. 2. Jesus, é o único que pode libertar alguém das influências demoníacas. Talvez, este homem tenha vindo ao encontro de Jesus, não para ser liberto, mas tentando enganá-LO, motivado pelo demônio. Muitas vezes os demônios não querem se expor, como podemos ver o exemplo daquele "espírito de adivinhação", relatado em At 16.17: "Seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens são servos do Deus Altíssimo e vos anunciam o caminho da salvação". Porém, no caso do endemoninhado gadareno, foi o fato dele ter vindo ao encontro de Jesus que proporcionou sua libertação.
2. O demônio, ainda fingindo, tentou adorar a Jesus, Vs. 6. Os demônios conheciam Jesus, e sabia de seu ministério, e ainda que era Filho de Deus. Isto os levavam a fingir que o adoravam, Vs. 7; Mc 3.11, "Também os espíritos imundos, quando o viam, prostravam-se diante dele e exclamavam: Tu és o Filho de Deus!"
3. "O demônio, pediu clemência a Jesus", Vs. 7-8. Ele temia que Jesus o furtasse de seu habitat naquele homem. Sua morada estava ameaçada. Mateus acrescenta aqui um detalhe interessante, ou seja o medo do demônio, de que Jesus o tivesse vindo julgá-lo antes do tempo, Mt 8.29, "E eis que gritaram: Que temos nós contigo, ó Filho de Deus! Vieste aqui atormentar-nos antes de tempo?" Os demônios sabem o que está reservado para eles no final dos tempos, Mt 25.41, "Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos".
4. Jesus perguntou ao demônio seu nome e ele declarou que não estava sozinho, mas com uma legião, Vs. 9. Uma legião, correspondia a um destacamento do exército romano correspondente a seis mil soldados. Os demônios, são organizados em companhias, e quase sempre, não estão sozinhos no corpo de alguém.
5. O pedido dos demônios e a permissão de Jesus, Vs. 10-13:
a) "rogaram-lhe que não os enviasse para fora da região", Vs. 10. Aquele território era a região geográfica deles, onde exerciam o controle. Se saíssem dali, perderiam seus postos,
b) "Manda-nos para aqueles porcos, para que entremos neles", Vs. 12. A tradição judaica acreditava que os porcos e outros animais imundos eram habitação de demônios. Talvez, pensassem os demônios que entrando nos porcos, ficariam na região. Porém, o resultado, foi catastrófico, Vs. 13.
c) A permissão de Jesus trouxe um desastre financeiro para os criadores de porcos, Vs. 13.
6. O importante de tudo, é que a vinda deste homem a Jesus, possibilitou sua libertação total e absoluta. Você pode receber a mesma benção nesta noite.

III - SUA RESTAURAÇÃO,
VS. 14-20
"14 Os porqueiros fugiram e o anunciaram na cidade e pelos campos. Então, saiu o povo para ver o que sucedera. 15 Indo ter com Jesus, viram o endemoninhado, o que tivera a legião, assentado, vestido, em perfeito juízo; e temeram. 16 Os que haviam presenciado os fatos contaram-lhes o que acontecera ao endemoninhado e acerca dos porcos. 17 E entraram a rogar-lhe que se retirasse da terra deles. 18 Ao entrar Jesus no barco, suplicava-lhe o que fora endemoninhado que o deixasse estar com ele. 19 Jesus, porém, não lho permitiu, mas ordenou-lhe: Vai para tua casa, para os teus. Anuncia-lhes tudo o que o Senhor te fez e como teve compaixão de ti. 20 Então, ele foi e começou a proclamar em Decápolis tudo o que Jesus lhe fizera; e todos se admiravam".
1. Quando os moradores vieram ao local, ficaram surpresos como o que viram. O endemoninhado estava:
a) "Sentado". Vivia correndo, Vs. 15,
b) "Vestido". Vivia nu, Vs. 15,
c) "Estava em perfeito juízo". Sua mente estava desordenada, Vs. 15.
2. Estava agora disposto a seguir Jesus. Antes fugia de tudo e de todos, Vs. 18.
3. Jesus o convocou para o serviço de Deus, Vs. 19-20.

CONCLUSÃO:
1. Não importa o quanto sua vida está danificada. Deus deseja restaurá-lo. A Palavra de Deus declara que o Filho de Deus, se manifestou para desfazer as obras do Diabo, 1 Jo 3.8, "Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo". É o pecado que tem danificado sua vida.
2. Entregue-se a Deus e receba a cura para seu corpo e sua alma.

O Obsidiado Gadareno


Matéria publicada no Jornal Mundo Espírita - janeiro/2005

Os evangelistas Marcos (5, 1 a 20) e Mateus (8, 28 a 34) denominam os habitantes de gerasenos. Lucas (8, 26 a 39) refere-se a um local chamado Gergesa, antiga cidade à beira do lago de Genesaré.

O nome é talvez artificial, consideram alguns, e seria devido a Orígenes.

Amélia Rodrigues, espírito, narra o fato, referindo-se a Gergesa ou Gerasa, cidade da Transjordânia, cujos domínios não vinham até o lago de Genesaré, distando dali cerca de 2 km, tendo sido fundada por Alexandre Magno, segundo uns ou Antíoco IV Epífanes.

De qualquer forma, dentre aqueles que estudam os Evangelhos, há os que consideram Gergesa como a cidade que preferiu os suínos em detrimento de Jesus.

O fato é narrado após o asserenar da tempestade no lago. Jesus fez aproar a barca e se encaminhou em direção de Gerasa, pertencente à Decápole, isto é, ao complexo de dez cidades que estava sob o domínio romano.

Ele programara aquela visita, há algum tempo, acalentando a possibilidade de ali levar a Boa Nova.

Era o mês de Kislev (dezembro/janeiro), portador de tempestades. Amanhecia, e a noite se despedia, beijada pela madrugada, quando eles chegaram: Jesus e os doze.

Mal haviam galgado o barranco, Jesus à frente, quando uma figura medonha veio-lhes ao encontro.

Era um sítio ermo, onde se cavavam sepulturas e ele parecia ter surgido do meio delas.

Estava nu e agitava em ambos os pulsos e nos pés pedaços de correntes de ferro partidas, pendentes de aros de algemas.

Deveria ter sido preso e se libertado, graças às fúrias que o atormentavam.

Trazia a cabeleira desgrenhada, a barba maltratada e todo ele eram equimoses e hematomas, que denunciavam o horror em que vivia.

Era o fantasma de um homem que parecera ter sido despertado pela Luz que viera da Galiléia.

De um salto, erguera-se de um túmulo vazio, dominado pelos espíritos que o maltratavam.

Esse homem, bem jovem entregara-se aos prazeres de toda ordem, dilapidando o patrimônio familiar.

De tal sorte cometera loucuras e desvarios que seus pais sucumbiram à vergonha e horror. Por isso, detestavam-no os parentes.

Abandonara o lar, a família, a parentela e quando as sombras o subjugaram, passou a andar pela cidade, como um louco. Gritava, dizia injúrias, ria e gesticulava, tornando-se ameaça para as gentes, que passaram a temê-lo.

Julgado pela mente popular como filho ingrato, que fizera aconchego. Não sabe bem o que lhe aconteceu mas pelo estado deplorável do corpo nu, o gosto de sangue na boca, aquilata das agruras que passou.

Está livre! Calmo, pede ao Mestre que o deixe segui-lO.

Volta para tua casa. - Determina Aquele - e conta quão grandes coisas te fez Deus.

Antes que o infeliz atingisse a cidade, os guardadores de porcos o fizeram. Com cores fortes, narraram ter visto a calma do louco, falando a um homem poderoso, a quem culpavam pelo prejuízo financeiro.

O que expulsava os demônios, diziam aos proprietários dos porcos, arruinaria a todos.

E o povo, liderado pelos donos dos porcos, foi ao encontro do Mestre e os seus. Com pedras nas mãos, O expulsaram.

Não te queremos ouvir! Volta para de onde vieste!

Jesus desceu a ladeira, retornou à barca e com os doze se foi.

O homem liberto, feliz, contava a todos o que lhe sucedera. Readquirira a razão, o domínio de si.

Contudo, ninguém o desejava ouvir e lhe disseram que fosse ter com Aquele que lhes havia trazido grande prejuízo, desde que para ele valia tanto.

Vai-te. Esquece-te de nós.

Uma pedra o atingiu e o sangue tingiu o chão.

Maldita sejas, Gerasa, que expulsas os filhos e desprezas os Enviados de Deus!

Ele ainda vagou pelas terras da Decápole, narrando o que lhe fizera o Galileu. Depois, foi para o outro lado do mar e juntou-se à multidão para seguiu-lO, e ouvi-lO pelos vales, cidades, lagos e mares.

Reconhecido, passou a auxiliar aos sofredores, sofredor que também fora.

Amado, amou, trabalhando pela implantação do Reino de Deus.

Na sua curta estada naquelas plagas, o Poder do Amor transformou um endemoninhado em propagador do Seu Reino.

Bibliografia:

01. FRANCO, Divaldo Pereira. O obsidiado geraseno. In:___. As primícias do reino. Pelo espírito Amélia Rodrigues. Rio de Janeiro: Sabedoria, 1967.
02. ROHDEN, Huberto. Os possessos de Gerasa. In:___. Jesus Nazareno. 6. ed. São Paulo: União Cultural. v. I, pt. 2, cap. 60.
03. SALGADO, Plínio. Os gadarenos. In:___. Vida de Jesus. 21. ed. São Paulo: Voz do Oeste, 1978. pt. 2, cap. 52.
04. VAN DER OSTEN, A . Gádara. In:___. Dicionário enciclopédico da bíblia. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 1985.
05. ______. Gérasa. Op. cit.
06. ______. Gerasenos. Op. cit.
07. ______. Gérgesa. Op. cit.
às 00:20 
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quinta-feira, 31 de março de 2011

VENTANIA ACALMADA - Pastorino

Mat. 8:18 e 23-27
18. Ora, vendo Jesus a multidão em redor de si, mandou
passar para a outra margem (do lago).
. . . . . . . . . . . . . . . . .
23. E entrando ele no barco,
acompanharam-no seus
discípulos.
24. Surgiu então no mar tão
grande agitação que as ondas cobriam o barco; mas
Jesus dormia.
25. Aproximando-se, os discí-
pulos o acordaram dizendo: "Salva-nos Senhor, que
perecemos"!
26. Ele lhes disse: "Por que
temeis, homens de pequena
fé'? Então erguendo-se, repreendeu os ventos e o mar,
e fez-se grande calmaria.
27. E os homens se maravilharam, dizendo: “Quem é
esse, que até os ventos e o
mar lhe obedecem"?

Marc. 4:35-41
35. Naquele dia, ao cair da tarde, lhes disse: "Passemos
para o outro lado (do
lago)".
36. Deixando eles a multidão,
levaram-no assim como estava no barco; e estavam
com eles outros barcos.
37. E levantou-se grande turbilhão de vento e as ondas
caíram no barco, de modo
que já se enchia.
38. E ele estava dormindo na
popa sobre o travesseiro; e
eles o acordaram e lhe perguntaram: "Mestre, não te
importas que pereçamos"?
39. Tendo ele acordado, repreendeu o vento e disse ao
mar: "Cala-te! Fica amordaçado"! E cessou o vento e
houve grande calmaria.
40. Então lhes perguntou: Por
que sois tão medrosos?
Como ainda não tendes
confiança"?
41. E eles, cheios de medo, diziam uns aos outros:
"Quem é este, que até o
vento e o mar lhe obedecem"?

Luc. 8:22-25
22. E aconteceu que, num daqueles dias, entrou num
barco com seus discípulos e
disse-lhes: "Passemos para
o outro lado do lago".  E
partiram.
23. Enquanto eles navegavam,
ele adormeceu. E desabou
um turbilhão de vento sobre o lago e o barco se encheu e estavam em perigo.
24. Aproximando-se, despertaram-no, dizendo: "Mestre,
Mestre, perecemos"! Tendo
ele acordado, repreendeu o
vento e a fúria da água, e
cessaram, e houve calmaria.
25. Então lhes perguntou:
"Onde está vossa confian-
ça"? Eles, aterrorizados,
admiraram-se, dizendo uns
aos outros: "Quem é este,
afinal, que manda aos ventos e à água e eles lhe obedecem"?


Ao cair da tarde, já tendo terminado o ensino, Jesus ordena que se passe “para o outro lado". A frase
era suficiente, num país como a Palestina, dividido ao meio de norte a sul pelo rio Jordão e seus lagos
(Mar Morto e Lago de Genesaré, o qual, no domínio romano, passara a denominar-se Mar de Tiberíades), formando a faixa ocidental (Cisjordânia) e a oriental (Transjordânia).


O evangelista anota o pormenor de que Jesus foi "assim como estava", ou seja, não desceu à terra para
apanhar o manto, recomendável numa travessia do lago durante o frio da noite, a 200 metros abaixo do
nível do mar, onde as variações climáticas são bruscas.
O lugar de honra situava-se na popa, perto do leme, e o passageiro sentava-se geralmente num tapete
velho, apoiando-se num travesseiro de couro. Recostando-se, cansado - embora a elevação espiritual
extraordinária, possuía um corpo físico, e portanto estava sujeito ao cansaço - adormeceu para refazer
as células fatigadas pelo trabalho exaustivo dos  últimos dias, sobretudo pelo magnetismo gasto nas
curas. Note-se que esta é a única vez em que os Evangelhos nos apontam Jesus a dormir.
O barco seguia normalmente sua rota para a margem oriental, quer impelida pelos remos, quer, mais
possivelmente, pela vela que aliviava os braços dos discípulos.
A agitação violenta das águas do Tiberíades, provocada por correntes de ar que descem pelo vale do
Jordão, são, ainda hoje, tão repentinas, que é difícil prevê-las. Marcos e Lucas a chamam lailaps, isto
é, um "turbilhão de vento".
Os barcos aprumam-se na crista das vagas de até dois metros, abatendo-se a seguir nos sorvedouros,
enquanto os vagalhões passam por cima do barco, "cobrindo-o" literalmente e perigosamente adernando-o. Não é incomum, porém, terminar como começou: rapidamente. Pelas palavras dos três evangelistas, é disso que se trata, e não propriamente de "tempestade" com chuvas e trovoadas. Era, pois, um
vendaval mais violento que os comuns, de modo a  assustar os pescadores, tão acostumados ao seu
lago, que lhes dava o sustento.
Segurando-se nos bancos, chegaram até Jesus e  o despertaram do sono, bastante pesado, a ponto de
não ter sentido a ventania. Após pequena repreensão aos discípulos pela falta de confiança manifestada, usando um termo que era corrente entre os rabinos e no linguajar de Jesus (oligÛpistoi), Jesus ergue-se e comanda aos ventos, em primeiro lugar, por serem a causa; e em seguida ao mar; e imediatamente fez-se acalmaria (em grego foi usado o termo técnico, galÈnÈ).
As ordens, citadas só por Marcos, são curtas. Ao vento: cala-te; ao mar, fica amordaçado. É difícil traduzir exatamente o termo grego pephimÙso, que é o imperativo perfeito passivo de phimÙo, tempo que
não possuímos nas línguas românticas, nem mesmo havia em latim.
Mesmo habituados a uma bonança relativamente rápida, o inesperado da cena ataranta os discípulos;
embora familiarizados com as curas e as desobsessões (também praticadas em larga escala pelos essê-
nios-terapeutas), não sabem explicar o poder de uma criatura humana sobre os elementos desencadeados em fúria, amainando-os de súbito. E vem-lhes a dúvida: "quem será, afinal, esse carpinteiro? Era
bom e compassivo, dominava as enfermidades e os espíritos, mas ... comandar assim a natureza? Isso
superava-lhes a capacidade de compreensão.
As interpretaÁıes mais comuns do trecho vÍm da antiguidade (cfr. Agostinho, Serm„o 68, Patrol. Lat
o, vol. 38 col. 424), de que a cena simboliza:
a) a igreja crist„ que, mesmo na tempestade, tem Cristo ao leme e, embora este pareÁa dormir, na
hora oportuna despertar· e salvar·;
b) a alma humana que, mesmo agitada pelas provaÁıes, n„o sucumbir· se recorrer a Cristo que nela
se encontra, embora no silÍncio do sono.
Outras aplicaÁıes ainda poderiam ser feitas, para situaÁıes semelhantes, mas o sentido profundo do
fato È o segundo, dado por Agostinho.
O espÌrito est· viajando no barco do corpo, atravessando o lago deste mundo com seus veÌculos (discÌpulos) e com frequÍncia repentinamente se levantam turbilhıes de vento que ameaÁam o naufr·gio
total. O Eu Profundo jaz adormecido na popa, deitado no travesseiro no imo do coraÁ„o. Quando,
entretanto, as circunst‚ncias se tornam desesperadoras, os veÌculos recorrem aos gritos ao Cristo
Interno - embora, muitas vezes, por ignor‚ncia, se voltem para fora, a fim de recorrer ao "santo" externo. No entanto, DEUS EM N”S est· atento a nossas necessidades e "sabe melhor do que nÛs aquilo
de que necessitamos" (cfr. Mat. 6:8) e socorre-nos sempre a tempo. E com direito, ao presenciar nossa afliÁ„o, nos repreende docemente: "por que Ès medroso? como ainda n„o tens confianÁa"?
Mas qu„o dificilmente se corrige o homem, adquirindo a impassibilidade da confianÁa inabal·vel de
quem SABE que CRISTO est· conosco, est· DENTRO DE N”S, e que vivemos a prÛpria vida Dele e
que, portanto, nenhum furac„o externo poder· atingir-nos!
Outra liÁ„o aÌ vemos ainda. Quando nosso EspÌrito se vÍ envolvido pelo vendaval das paixıes, originadas em nossos veÌculos inferiores; quando percebe, por exemplo, que as violentas emoÁıes de uma
paix„o ilÛgica o envolvem, prestes a fazÍ-lo soÁobrar, nenhum auxÌlio melhor pode ser-nos trazido: o
recurso ao Pai que em nÛs habita È o ˙nico que consegue acalmar as ondas de desejo desenfreado,
trazendo bonanÁa aos veÌculos etÈrico, astral e intelectual. O ensino È de profundo alcance e mostranos o caminho certo: ligaÁ„o com o Cristo Interno, fazendo-O ìdespertar" em nÛs, para que Ele, com
Sua palavra autorit·ria, faÁa cessar os desordenados e perturbadores Ìmpetos do tuf„o borrascoso
que esses corpos provocam, arriscando matar espiritualmente nosso "espÌrito", por fazÍ-lo afogar-se
em terrÌveis convulsıes de longos e penosos carmas.

Tempestade acalmada - Caibar

A TEMPESTADE ACALMADA



“E entrando Jesus na barca, seus discípulos acompanharam-no, e eis que se levantou no mar tão grande tempestade que as ondas cobriam a barca; mas Jesus dormia. Os discípulos, aproximando-se, acordaram-no dizendo: Salva-nos, Senhor, que perecemos. Ele lhes disse: Por que temeis, homens de pouca fé? Então erguendose, repreendeu os ventos e o mar; e fez-se grande bonança. E todos se maravilharam dizendo: Que homem é este, que até o mar e os ventos lhe obedecem?”
(Mateus, VIII, 23-27.)

A autoridade de Jesus é verdadeiramente universal.
Espírito Superior que preside os destinos do nosso planeta, conhece-lhe a natureza, bem como a atmosfera que o circunscreve, assim como os Espíritos que atuam nos elementos; é sabedor, portanto, de que todos os fenômenos sísmicos e atmosféricos são dirigidos por seres inteligentes encarregados das manifestações da Natureza.
O Mestre, contemplando o temporal que se desencadeara no Mar da Galiléia, deliberou fazê-lo cessar, a rogo de seus discípulos, e, para que estes não perigassem, ordenou que o mar se acalmasse e os ventos não prosseguissem na sua faina destruidora!
Está claro que Jesus não se dirigiu ao mar e aos ventos, mas, sim, aos Espíritos que agitavam a atmosfera e encapelavam as águas. O vento e o mar não poderiam compreender, para obedecer às ordens do Mestre.
Esses fenômenos obedecem sempre a uma causa e Jesus, atuando sobre a causa, fez cessar o efeito!
Ensina, também, esta passagem, que com a fé em Jesus podemos, se lhe rogarmos, obter a calma nas tempestades da vida.
A Nova Revelação, com seus fatos maravilhosos, vem pôr-nos a par de tantas coisas que a ignorância humana considerava milagres, mas que não são mais que produtos ou resultados da ação de Espíritos que, em redor de nós, trabalham constantemente.

Parábolas E Ensinos De Jesus
Cairbar Schutel

A TEMPESTADE ACALMADA



"REFORMA ÍNTIMA"
E disse-lhes naquele dia, ao cair da tarde: "Passemos para a outra margem". Deixando a multidão, eles o levaram, do modo como estava, no barco; e com ele havia outros barcos. Sobreveio então uma tempestade de vento, e as ondas se jogavam para dentro do barco, e o barco já estava se enchendo. Ele estava na popa, dormindo sobre sobre o travesseiro. Eles o acordam e dizem: "Mestre, não te importa que pereçamos?" Levantou-se, ele conjurou severamente o vento e disse ao mar: "Silêncio ! Quieto ! Logo o vento serenou, e houve grande bonança. Depois, ele perguntou: "Por que tendes medo? Ainda não tendes fé?" Então ficaram com muito medo e diziam uns aos outros: "Quem é este a quem até o vento e o mar obedecem?" (Marcos 4:35-41).
A palavra "tempestade", empregada por alguns autores espirituais, costuma expressar o desequilíbrio do Espírito. Vejamos um exemplo de Batuíra: "Sob tempestades de ódio e lágrimas, desesperação e arrependimento, consciências culpadas ou entorpecidas vos oferecem o triste espetáculo da derrota interior a que foram atiradas pelo próprio desleixo." (Xavier, F.C. Grandes Vozes do Além, p.40).
Diante da vicissitudes da vida, necessitamos de clamar a Deus e a Jesus, pois sem a fé em Deus, sem a orientação do Evangelho, é difícil vencermos sozinhos certas emoções, certas dificuldades do caminho, que se assemelham a uma tempestade. Para enfrentarmos uma situação aflitiva, como o encontro com um endemoninhado, é importante que venhamos a vencer primeiramente as nossas tempestades interiores a se projetarem para o exterior através de nossas vibrações de ódio, desesperação...
Para levarmos o socorro espiritual aos outros, devemos pedir a Deus o próprio equilíbrio, pois só dessa forma podemos doar o melhor de nós mesmos aos Espíritos que se encontram em desequilíbrio. Os discípulos estavam entrando em uma região estranha, na qual deveriam evitar a crítica e o julgamento aos costumes locais, a fim de que a tempestade da adversidade pudesse ser vencida pelo amor, pela compreensão e tolerância.
Não podemos esquecer o socorro prestado por alguns espíritas ou por pessoas de outras religiões, que gozam de uma condição moral e espiritual melhor, aos Espíritos encarnados ou desencarnados, quando, desdobrados durante o sono, acompanham os mentores espirituais às regiões umbralinas. Os discípulos de Jesus nos revelam uma certa ignorância em relação às realidades espiritual e material de cada um. Alguns deles eram pescadores, mas não eram detentores de todos os conhecimentos práticos para melhor desempenho das suas funções.
Vemos que eles tiveram medo de perecer no mar por causa da tempestade. Acordaram Jesus, dizendo-lhe: "Mestre, não te importa que pereçamos?" E Jesus, para acalmar a tempestade, disse: "Silêncio ! Quieto!" Para nós vencermos as tempestades exteriores e interiores, precisamos silenciar-nos, aquietar-nos. Assim, evitamos o enxame dos maus pensamentos e consequentemente o desequilíbrio, a ligação com os maus Espíritos.
Devemos silenciar os nossos desejos, os nossos anseios, para nos alçarmos aos céus, ao reino da paz. Porque certos desejos são fonte de desequilíbrio e agentes de tempestade. A FÉ EM DEUS nos proporciona a calma e a paciência diante dos problemas da vida. Mas a fé, parece-nos, depende, em parte, do conhecimento adquirido. Quanto mais conhecimentos temos sobre alguma coisa, mais seguros sentimos em relação a essa coisa e mais ousados somos.
Assim é também a confiança em determinadas pessoas. Quanto mais conhecimento e firmeza uma pessoa demonstra, mais confiamos nela. Quanto mais fé tivermos em Deus, mais seguros e ousados sentiremos para realizar as nossas obras. Os discípulos nos dão uma grande lição quando demonstram sua ignorância sobre algumas coisas e suas limitações. Precisamos estar conscientes da nossas limitações para nos superarmos a cada dia. Por mais conhecimentos que venhamos a ter, bem como habilidades, somos ainda pessoas carentes de outros conhecimentos e habilidades.
Quem é convencido dos seus conhecimentos e das suas habilidades pode ficar exposto a vexames. Assim, devemos cumprir os nossos deveres e aprender e sempre, e não cruzar os braços e exigir uma atenção especial de Deus, de Jesus e dos guias espirituais. Nessa passagem, Jesus nos ensina que, dormindo, nós entramos em contato com o plano espiritual e que, se estivermos preparados, podemos auxiliar aqueles que se encontram em desequilíbrio espiritual. O sono não é só refazimento físico mas é também um experiência sobre a vida e a morte.
Para alguns cristãos, a tempestade poderia ter sido provocada pelos demônios,com o objetivo de impedir que Jesus salvasse o endemoninhado geraseno. De acordo com os teólogos medievais, o demônio podia provocar ventanias e tempestades de raios. Mas os cristãos no tempo de Marcos não pensavam da mesma forma. Procedentes do paganismo, eles admiravam Jesus pelo fato de acharem que Zeus e Ísis eram os responsáveis pelos acontecimentos naturais e atmosféricos. Zeus, da sua alta morada, reinava sobre o mundo e provia as necessidades dos homens, agindo como um rei soberano.
Era o deus do raio e do trovão e foi primeiramente o deus das chuvas e das nuvens de tempestade, passando a ser responsável pela justiça. Assim, era o protetor dos necessitados, dos estrangeiros, dos fracos e desamparados, além de zelar pelos fortes. Os ventos da tempestade e as grandes vagas do mar erguiam-se ao seu comando. Zeus, o "dono da chuva", era quem garantia a fertilidade dos campos. Tinha um caráter quase universal a crença num deus que tornasse possível a fecundidade da Terra. Esse deus era dotado "de uma presciência e de uma sabedoria infinitas", bem como era responsável pelas leis morais estabelecidas por ele durante a sua passagem pela terra. Zelava pelo cumprimento das leis e fulminava aqueles que lhe eram contrários.
Os Ventos eram considerados entidades de origem divina, filhos dos deuses. Seu rei era Éolo, que os prendia dentro de uma caverna. Apesar de ser um deus, Éolo não tinha o direito de desencadear uma tempestade, sem o consentimento de Zeus, nem de fazer os Ventos voltarem à sua morada. Ísis é a personificação feminina do Divino. A grande deusa responsável pela agricultura, pela navegação, pelos ventos, rios, mar e por outras coisas mais. Era grande curandeira e feiticeira, podendo libertar os que estivessem presos.
Seu culto era realizado no início da primavera, quando cessavam as tempestades. Apuleio registrou na sua obra O Asno de Ouro: "O dia que nascerá desta noite foi sempre em todos os tempos, por um piedoso costume,colocado sob a invocação do meu nome. Nesse dia, acalmam-se as tempestades de inverno, não tem mais vagalhões o mar, nem tempestades, torna-se o oceano navegável". Essas são as palavras de Ísis a Lúcio, quando, em sonho, ela se manifestou a ele e o início nos seus mistérios. Daí que a admiração dos discípulos de Jesus era bastante natural, porque ele realizava obras dos dois principais deuses da época: Zeus e Ísis.
Além do mais, Jesus revelava uma lei moral superior à dos referidos deuses. Assim, aqueles que conheciam bem os deuses pagãos ficavam admirados e perguntavam: "Quem é este a quem até o vento e o mar obedecem?". Marcos responde a essa pergunta no início de seu evangelho, ao considerar Jesus Cristo como Filho de Deus. As pessoas comuns não poderiam compreender e aceitar que um homem tivesse o poder sobre a natureza, uma vez que esse poder pertencia a alguns deuses. Somente o Filho de Deus poderia realizar tais obras.
Não podemos esquecer o seguinte: "O Espiritismo, como outrora a minha palavra, deve lembrar aos incrédulos que acima deles reina a verdade imutável: o Deus Bom, o Deus grande, que faz germinar as plantas e que levanta as ondas. Eu revelei a doutrina divina; e, como um segador, liguei em feixes o bem esparso pela humanidade, e disse: "Vinde a mim, todos vós que sofreis". (Kardec, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo, p.93). A Doutrina Espírita nos explica que o feito de Jesus não tem nada de sobrenatural. Como Espírito Superior, ele conhecia os fenômenos naturais e atmosféricos. Sabendo que esses fenômenos "são dirigidos por seres inteligentes encarregados das manifestações da Natureza".
Ele se dirigiu "aos Espíritos que agitavam a atmosfera e encapelavam as águas", e a tempestade foi acalmada (Cairbar Schutel, Parábolas e Ensinos de Jesus, p.168). Um outro aspecto importante é a tempestade como um índice de tempo, indicando o final do inverno e a proximidade da primavera. Segundo autora espiritual Amélia Rodrigues: "O mês de Kislev, portador das tempestades, é também o mensageiro da fartura, carreador dos ventos perfumados e leves". (Divaldo Franco, Primícias do Reino, p.137).
Kislev (também kisleu e quisleu) era o nono mês do calendário hebreu, correspondendo aos meses de novembro-dezembro do calendário moderno. Era o mês da estação da semeadura e da festa da Dedicação. É interessante notar que, no Evangelho de Marcos, a passagem da tempestade acalmada vem logo após a "Parábola do Semeador", a "Parábola da semente que germina por si só" e a "Parábola do grão de mostarda". Seria uma alusão à semeadura? O semeador saiu a semear.. Após passar pelas aldeias da Galiléia, Jesus se dirigiu para o outro lado do lago.
No Antigo Egito, como em outras regiões, o ano novo significava um novo ciclo agrícola com o início da estação de cultivo. O ano novo começava na primavera, quando eram realizados os festivais dedicados aos mistérios da criação. A relação entre a fertilidade agrícola e os mortos era bastante comum. Os mortos protegiam as sementes lançadas na terra. "Semelhantes às sementes enterradas na matriz telúrica, os mortos esperam o seu regresso à vida sob uma nova forma" (Eliade, M. Tratado de História das Religiões, p.283). No ano novo acontecia uma regeneração da sociedade e do tempo com a regeneração "da força ativa da vegetação".
No fim do ano velho e no início do ano novo, ocorriam purificações, iniciações nos mistérios relativos à deusa Deméter (a Legisladora), expulsão dos demônios e do mal da cidade; procissões de mascarados representavam os mortos, que eram recepcionados, festejados e encaminhados para fora da cidade. Na Grécia, durante a realização dos Mistérios de Elêusis, porcos eram sacrificados às deusas gregas Deméter, da agricultura, e sua filha Perséfone, rainha do reino dos mortos. Em algumas regiões, alguém podia servir de "bode expiatório", sendo espancado e depois expulso da cidade.
Ademar Trindade Cruz - Jornal Espírita, fevereiro/04.

Depois da tempestade vem a bonança




Restos de uma embarcação do século I encontrada próxima às margens do Lago de Genesaré.
É possível que seja o tipo de embarcação utilizada por pescadores nos tempos de Jesus.
Os evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas narram uma passagem que ficou conhecida como "A tempestade acalmada". Para mantermos fidelidade à narrativa, transcrevemos o trecho do evangelho segundo Lucas, capítulo 8, versículos 22 a 25:
"Num daqueles dias Ele subiu com os seus discípulos a uma barca. Disse Ele: 'Passemos à outra margem do lago'. E eles partiram. Durante a travessia, Jesus adormeceu. Desabou então uma tempestade de vento sobre o lago. A barca enchia-se de água, e eles se achavam em perigo. Aproximaram-se Dele então e o despertaram com este grito: 'Mestre, Mestre!  nós estamos perecendo!'. Levantou-se Ele e ordenou aos ventos e à fúria das águas que se acalmassem; e se acalmaram e logo veio a bonança. Perguntou-lhes, então: 'Onde está a vossa fé?'. Eles, cheios de respeito e de profunda admiração, diziam uns aos outros: 'Quem é este a quem os ventos e o mar obedecem?'.
Essa passagem, como todas as demais narradas nos evangelhos, embora se refira a um fenômeno de ordem material, apresenta valiosos ensinamentos quando buscamos analisar seu sentido moral e espiritual. É o que faremos a seguir.
Num daqueles dias Ele subiu com os seus discípulos a uma barca. Disse Ele: 'Passemos à outra margem do lago'. E eles partiram.
Jesus sempre preside nossas ações, quando voltadas para a prática do bem. No caso dessa passagem, Ele e os discípulos se dirigiam a outro vilarejo às margens do Lago para que Jesus pudesse levar Seus ensinamentos e Suas bençãos à outras pessoas. Isso nos ensina que sempre poderemos contar com a assistência espiritual superior quando nos propomos a estender o bem ao próximo e que essa oportunidade nos é concedida sempre pelo Alto. Dependerá, portanto, de nós mesmos, aproveitá-la ou não.
Durante a travessia, Jesus adormeceu. Desabou então uma tempestade de vento sobre o lago. A barca enchia-se de água, e eles se achavam em perigo.
Se Jesus realmente adormeceu ou não, é fato irrelevante. O que importa é o sentido oculto desse fato. Jesus adormecer significa que, após ter encaminhado os discípulos para a travessia do Lago e eles terem concordado, o Mestre os deixa por sua própria conta, já que eram eles que comandavam a embarcação. Que sentido maravilhoso! O Mestre nos concede a oportunidade e nos deixa à vontade para conduzirmos nossa existência (no caso, representada, figuradamente, pela barca no mar alto), respeitando nosso livre-arbítrio, deixando-nos à vontade para nossas escolhas e decisões. Ele não nos abandona; o controle material é nosso mas o controle espiritual é Dele. Apenas nos deixa a tarefa que nos cabe, mesmo sabendo que as 'tempestades' virão.
Aproximaram-se Dele então e o despertaram com este grito: 'Mestre, Mestre!  nós estamos perecendo!'
Sem dúvida, só nos lembramos de recorrer à proteção divina quando estamos atravessando momentos de perigo ou de intensas aflições, no caso, representadas pela tempestade e pela forte ventania. Ainda  alimentados pela ilusão do privilégio pessoal, gritamos por Jesus, fazendo "barulho" através de preces desesperadas e descontroladas, esperando, com essas atitudes, que Ele nos ouça. Fazemos questão de destacar que estamos sofrendo intensamente, que nossa dor é a mais importante, para que Ele logo nos atenda...
Levantou-se Ele e ordenou aos ventos e à fúria das águas que se acalmassem; e se acalmaram e logo veio a bonança.
Mesmo sabendo da nossa falta de confiança, Jesus não deixa de nos atender. E somente Ele possui poder para mobilizar todos os recursos necessários, materiais e espirituais, para acalmar nosso sofrimento. Nada acontece sem a permissão divina, assim como nenhum Espírito Benfeitor poderá atuar a nosso favor se não tiver a intercessão e a concessão de Jesus. Esse fato também nos ensina de que não adianta recorrermos às intercessões humanas, já que todos temos nossa tempestade individual a vencer.
Perguntou-lhes, então: 'Onde está a vossa fé?'.
Após a intensidade de nossas aflições se amenizar, é que nos damos conta de que nos faltou confiança. Mais calmos e equilibrados, verificamos que não ficamos sem a assistência divina; envergonhados e admirados, nos conscientizamos de que faltou fé. Não somente fé na providência divina mas também fé em nós mesmos. É o momento de saber se estamos colocando nossa fé mais nos homens do que em Jesus.
Eles, cheios de respeito e de profunda admiração, diziam uns aos outros: 'Quem é este a quem os ventos e o mar obedecem?'.
No tempo em que esse fato aconteceu, Jesus ainda era um grande enigma para os discípulos. Conviviam há pouco tempo com Ele; ainda não sabiam exatamente quem Ele era, qual o seu objetivo, qual a sua evolução espiritual. Infelizmente, isso ainda acontece. Ficamos admirados quando as nuvens de dores passam e a tranquilidade retorna em nossa vida, maravilhados  com o imenso poder divino... Jesus ainda é desconhecido para a Humanidade... Mas Ele nos conhece e sabe o quanto nos falta aprender em matéria de fé e confiança...
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Durante as tempestades e ventanias que sacodem nossa vida, quando achamos que não iremos aguentar, que estamos navegando sem direção, sem saber o que fazer, lembremo-nos dessa pergunta de Jesus - 'Onde está a vossa fé?' . Guardemos a certeza de que, nas tempestades da vida, nossa existência não é "um barquinho remando sem remo e sem luz". Temos e podemos contar sempre com a proteção de Jesus!