sábado, 2 de outubro de 2010

Os irmãos de jesus


 
“Sendo o conhecimento progressivo, é-me lícito acreditar que um dia saberei aquilo que hoje ignoro.” – Eliphas 

Jesus era segundo Lucas, o primogênito de Maria (2: 7); em seguida José e Maria tiveram que fugir com Jesus para o Egito a fim de furtá-lo às perseguições de Herodes (Mateus, 2: 13); daí eles só regressam quando Herodes já havia morrido (Mateus, 2: 19); aos doze anos de idade foi Jesus com José e Maria a Jerusalém, por ocasião da festa da Páscoa (Lucas: 42-43).
O problema da primogenitura de Jesus demonstra que essa questão foi levantada simplesmente para justificar o dogma da virgindade de Maria, pois como se deduz dos próprios Evangelhos, a família de José e Maria não era pequena. Marcos fala dos irmãos e das irmãs de Jesus.
A primogenitura de Jesus é assim contestada nos próprios Evangelhos. A Igreja Católica foi muito mais longe e considerou Jesus como unigênito de Deus. A assertiva posterior de considerar os irmãos e as irmãs de Jesus como seus primos, é uma tentativa de arranjar as coisas dentro da dogmática da Igreja sobre o nascimento virginal. Mas, quando Jesus estava pregando: “E tendo vindo para casa, reuniu-se aí tão grande multidão de gente, que eles nem sequer podiam fazer sua refeição. – Sabendo disso, vieram seus parentes para se apoderarem dele, pois diziam que perdera o espírito; - Entretanto, tendo vindo sua mãe, e seus irmãos e conservando-se do lado de fora, mandaram chamá-lo. Ora, o povo se assentava em torno dele e lhe disseram: Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e te chamam” (Marcos, 3: 20-21 e 31-35).
Não vamos nos prender à passagem em si, pois Jesus aproveitou a oportunidade para dar uma lição de amor aos presentes. Mas, pelo que se sabem os irmãos de Jesus não o estimavam. E, também, não compreendiam a missão dele: tinham-no por excêntrico, o seu proceder e seus ensinamentos não os tocavam, tanto que nenhum deles o seguiu como discípulo. Jesus era para os seus irmãos um estranho, tanto é que: “Dirigiram-se, pois, a Jesus os seus irmãos, e lhe dis-seram: Deixa este lugar e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes: - Porque ninguém há que procure ser conhecido em público e, contudo, realize os seus feitos em oculto. Se fazes estas cousas, manifesta-te ao mundo; - pois, nem mesmo os seus irmãos criam nele” (João, 7: 3-5).
Quanto à sua mãe, Maria, ninguém ousaria contestar a ternura que lhe dedicava. Mas, Maria não fazia ideia muito exata da missão de seu filho, haja vista, nunca ter seguido os ensinos, nem dado testemunho dele. Não há negar, nela pre-dominava o instinto maternal, apenas. E Jesus não a renegou, apenas deu naquela ocasião uma lição. Lição esta que, passados dois mil anos, ainda não foi compreendida pelas mães, tanto que Kalil Gibran (1883-1931) explicita: “Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Vêm através de vós, mas não de vós. E embora vivam convosco, não vos pertencem”.
A hostilidade que lhe moviam seus irmãos se acha claramente expressa na narração de Marcos, que diz terem eles o propósito de se apoderarem de Jesus, sob o pretexto de que este perdera o espírito. (Marcos, 3: 20-21). Logo à frente vemos: “Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão? E não vivem aqui entre nós suas irmãs? E escandalizam-se nele” (Marcos, 6: 3).
Mas, voltemos à questão: Jesus teve ou não irmãos?
Mateus (13: 53-58) e Marcos (1-6), dão os nomes dos irmãos de Jesus: Tiago, José, Judas e Simão. E ainda cita que há irmãs. João, por sua vez, fala também de um diálogo havido entre Jesus e seus irmãos (João, 7: 1-9).
Em se aceitar que Jesus não teve irmãos, estaremos concordando com a hipótese mitológica do nascimento virginal endossado pela Igreja Católica, e também, negando todas as evidências dos textos evangélicos. ▲
Autor: Heitor de Campos Silva

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